Cumprimentar ou não cumprimentar?

É verdade que sinto uma ponta de humilhação ao escrever um texto sobre você, para você. Depois de tanto tempo. É difícil admitir que ainda me lembro de você, porque eu gostaria de fingir que me esqueci. Talvez você tenha me esquecido, o que é ainda pior. Se você me esqueceu, depois de tudo que fez, é vexatório que eu ainda escreva esse texto. Mas eu sou assim, e sei que você sempre me teve na mão (até mesmo quando eu pensava que era ao contrário). Então, vá lá.

Dia desses, te vi de costas no shopping. A cor da pele, o cabelo, a altura, o tipo de roupa – tive certeza de que era você. Meu coração acelerou, e isso me irritou. Como você ousa me causar qualquer tipo de reação depois de tanto tempo? Que droga! Pensei: te cumprimento ou não te cumprimento? “Cumprimento, e mostro o quanto deixei tudo para trás” ou “não cumprimento, porque você não merece qualquer tipo de cordialidade?”. Não era a primeira vez que eu me via diante dessa decisão. Na última vez em que nos vimos, optei por fingir que não te conhecia. Na época, eu não tinha a menor condição de me aproximar e apertar sua mão, te tocar. Você ainda era minha kryptonita. Mas, depois, passou. Tinha certeza que poderia te cumprimentar quando te visse. Só que aí veio a aceleração no coração… e me balançou.

Se eu não conseguia controlar meus batimentos cardíacos quando te via, eu tinha mesmo te superado? Não nego, às vezes fantasio sobre uma reconciliação, até o momento em que esbarro nas recordações do meu sofrimento. Não quero passar por aquilo de novo. Não só com você – com ninguém – mas especialmente com você. Não te daria a chance de brincar comigo de novo. Só que não tenho mais mágoas. Eu te perdoei, embora você nunca tenha pedido desculpas. Toma seu perdão. Tá garantido. Não desejo seu mal, longe de mim. Mas também não esqueço. De nada. Para que te cumprimentar, afinal? O que ganharíamos com isso? Por outro lado, por que não? O que perderia?

Por que sou eu que tenho que cumprimentar, aliás? Você que cometeu todos os erros. Não seria me rebaixar – POR MAIS QUE EU TENHA DEIXADO TUDO PARA TRÁS – ainda me reaproximar? Eu posso até enxergar isso como superioridade, mas talvez você interprete como “que cachorrinho!”. Era só o que me faltava. Decidi: falo com você, se você falar comigo. Se você esboçar uma abertura, até sorrio em reconhecimento, mas de longe. Se você quiser, que venha até a mim. Acho justo.

Acredito que você não vai ter a audácia. Só agora noto que uma garota te acompanha. Duvido que você vá se expor. Acho que você não confia em mim. Não vai se arriscar à possibilidade de eu causar um climão. Você sabe que, quando quero, sou bom nisso. Mas eu não quero. Juro. A menos que você queira esticar conversa… isso seria demais. Há limite para tudo. Até para minha cordialidade. Não abuse da minha boa vontade. Pode vir, mas saiba a hora de se afastar. Por favor.

Quando você se vira, tenho esse posicionamento bem definido: falo com você, se você falar comigo. Penso em disfarçar que ainda não te vi, para deixar que você me veja primeiro. Mas não dá tempo. Você se vira e, bem, você não é você. Era só alguém parecido. Enganei-me. Acontece, não acontece? Não é como se eu estivesse te buscando por aí. Nem pensava mais em você, até achar que estávamos no mesmo ambiente. Pelo menos já sei como será quando isso acontecer de verdade.

Responder a Cumprimentar ou não cumprimentar?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s