A melhor troca de olhares entre dois desconhecidos

Tudo começou com um esbarrão de olhares, algo totalmente acidental, que poderia acontecer com qualquer um. Mas aconteceu entre eles, e eles escolheram congelar. Conversaram sem palavras por dois, três, quatro, cinco segundos, até se darem conta de que haviam ido longe demais. Fingiram que aquilo não havia acontecido e seguiram suas vidas… por mais 20 minutos, até não resistirem e se olharem de novo, agora de propósito, em busca da confirmação daquela conexão. E ela estava ali. Existia.

Não se aproximaram, mesmo assim. Mantiveram a troca de olhares por um, dois, três, quatro encontros, sem qualquer verbalização. Não ultrapassavam aquele metro de distância, seguros assim. As pessoas ao redor, alheias ao que se passava, se comunicavam, faziam perguntas, se respondiam, debatiam, e eles continuavam imersos um no outro. Limitados aos olhares significativos, sem sorrisos, sem caretas, sem piscadinhas. Atípicos, talvez.

Um dia, se encontraram sozinhos na escada, novamente de maneira acidental. Não estavam preparados para aquilo, cada um correndo para um lado diferente. Um descia, o outro subia. Houve um sorriso e um “oi” de cumprimento, nada além de um coleguismo de classe. Seguiram suas vidas, até outro encontro, na pia do banheiro, outro dia. Mais um sorriso de reconhecimento, dessa vez cúmplice, como quem diz “sei que somos mais íntimos do que isso que aparentamos”, e outro oi. Um sorriso cúmplice, mas também nervoso.

Nervoso, sim. Era difícil atuar com normalidade, quando tudo parecia tão incomum. Pararam de se olhar. Não saía daquilo, e se cansaram, ambos, um com o outro. Aguentaram um, dois dias, e então retomaram o contato visual. Gostavam-se, assim. Nunca haviam conversado, e podiam se odiar se o fizessem. Podiam ser canalhas, idiotas, burros, preconceituosos, e nunca descobririam isso. Os olhares não entregavam essas características, e mesmo assim falavam eram muito profundos.

O erro foi querer mais. Um tomou coragem e se aproximou, o outro correspondeu, a princípio. Conversaram e trocaram e-mails, com a desculpa de se enviarem materiais do curso. Sabiam que não era isso. Havia a conversa falada, e a conversa visual. Os olhares reafirmavam todo aquele um mês e meio de interesse mútuo. “Não esquece de me mandar o e-mail!”. Só faltou a piscadinha, mas ela estava ali, implícita. Não se usa mais piscadinha, né?

Um mandou o e-mail e esperou a resposta. Um dia, dois dias, e ela finalmente veio, breve, curta, desinteressada. Mensagem vem, mensagem vai, e a certeza de que não havia mais nada, nada especial. Uma decepção… A melhor troca de olhares entre dois desconhecidos havia se tornado a pior troca de e-mails entre conhecidos. Do visual para o real, do real para o virtual, se perderam. Longe demais do ideal.

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4 respostas para A melhor troca de olhares entre dois desconhecidos

  1. Glauco

    Procurei tanto por algo que descrevesse a situação pela qual eu tenho passado e encontrei essa postagem. A diferença é que isso tem rolado por 8 meses, sem a gente nunca ter se falado. Nos seis primeiros meses eu namorava (e ele também pelo que soube), então cortei a troca de olhares de uns tempos pra cá. Mas agora, solteiro, cedi à tentação de retribuir os seus olhares enquanto ele passava. Dei aquela disfarçada enquanto cruzava com ele. Percebi que ele também o fez. Após passar por ele, resolvo olhar para trás. Para a minha surpresa, ele também fez o mesmo. Nervoso com a situação, ele desvia novamente, assim como eu. Não resisti e olhei para trás novamente. Lá estava ele de novo, de pescoço contorcido caminhando para frente e me encarando atrás dele. Uma pequena multidão interrompeu o nosso contato visual e cada um seguiu o seu caminho. Nunca senti tamanha conexão. Por que não puxei papo? Medo de quebrar a cara com uma vez já quebrei anos atrás? Queria ouvir a sua opinião.

  2. Beatriz

    Hey me responde uma coisa por favor… Encontrei um garoto hj pela primeira vez e passamos a tarde toda juntos com amigos em comum… Cada um estava d um lado mais n sei pq olhei mto pra ele.. E toda vez que olhava ele já estava me olhando deu para entender? Aí ele desviava e fingia não estar olhando… Quando foi ficando uma situação pior ( que n era ruim mas….) ele pegou o óculos de sol e colocou ( mas estava nublado e não tinha necessidade nenhuma) e msm assim a cabeça dele estava voltada para mim…. Outra coisa que aconteceu.. Na HR dele ir em bora meio que me ignorou e deixou por último… Ele veio muito pra cima… E d frente não como costumamos fazer para beijar a bochecha… Aí eu virei o rosto e meu cabelo ficou na frente.. Ele tirou colocou atrás da minha orelha segurou com uma mao meu pescoço e beijou minha bochecha ( q pena kkk) e ficou lá um tempo… E diferente d qnd fazemos que beijamos o vento.. Ele encostou os labios e ficou lá um tempo me respirando ( um tempo de uns 5 segundos ou mais)… Amei o cidadão… N posso que negar que da minha parte eu amei e que estou pensando nele muito… Mas será que eu to só me iludindo ou rolou algo MSM.. Desde aquela longa troca de olhares ?!

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