[Dica da semana] “De Graça” – o álbum novo do Marcelo Jeneci

O cantor, compositor e instrumentista Marcelo Jeneci está com um álbum novo – o “De Graça” – e sinto que mais pessoas deveriam conhecê-lo e falar sobre ele. Como o título sugere, o disco está disponível para streaming gratuito na Internet (no site oficial dele, mais precisamente), o que foi possível economicamente graças à parceria com o projeto Natura Musical. Portanto, essa é a oportunidade ideal para quem ainda não é fã ser apresentado ao seu trabalho – que traz vários momentos ótimos. Coloca pra tocar enquanto eu narro:

O primeiro momento especial é logo na abertura, com a faixa “Alento”, que tem co-autoria do Arnaldo Antunes, e é uma delícia para os ouvidos, estabelecendo o clima do CD. Há outras parcerias ao longo do álbum, que tem produção assinada por Kassin (do “Feito Pra Acabar”) e coprodução de Adriano Cintra (ex-Cansei de Ser Sexy). Mas a presença mais recorrente e notável é, de novo, da cantora e compositora Laura Lavieri. Quando ela entoa o verso “o melhor da vida é de graça”, eu sinto que isso pode se tornar um mantra para uma legião de súditos. “Tudo bem, tanto faz”, na qual ela assume o vocal principal, é outra dádiva, na qual ela impõe sua voz no tamanho certo. Chega a ser emocionante ouvi-la cantar.

Essa delicadeza continua sendo o ponto forte do trabalho do Jeneci, tanto nas músicas mais suaves quanto nas mais animadinhas. “Sorriso Madeira”, que traz palminhas e a sanfona, tem uma introdução que lembra “Pense Duas Vezes Antes de Me Esquecer” e é minha aposta para o clímax dos shows que estão por vir. Mas há também as lentinhas “9 Luas”, na qual o cantor explora seu falsete, e “Um de Nós”, que é a personificação da delicadeza como nunca ouvi antes em uma voz masculina.

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Nessa música, chama a atenção a orquestra do Eumir Deodato (conhecido por trabalhos com Aretha Franklin e Frank Sinatra). Uma das inovações no trabalho do Jeneci, as partes orquestradas não destoam no CD, como se pode imaginar no primeiro momento. Acontece o contrário: o casamento perfeito. Em “Um de Nós”, particularmente, ela é a responsável por dar mais rapidez à música, mas sem fazer com que Jeneci perca sua característica marcante. Em tempos tão corridos, suas canções são verdadeiros desaceleradores. Não é exagero dizer que a contemporaneidade precisa do Jeneci, não como um freio, mas como um questionamento a tanta rapidez.

Para quem amou o primeiro álbum, como eu, há músicas que conversam muito com ele – como “Temporal”. O que seriam os versos “É só mais um temporal, chuva lavando o mal (…) Pro alto do céu, olha em paz que a nuvem já se desfaz” senão uma sequência de “Felicidade”? Eu entendi assim. Mas “De Graça” também é outra coisa, é outro barato. O primeiro CD era solar – como indicava a própria capa – e esse talvez seja mais noturno. Afinal, a noite também sua beleza.

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