Minha experiência infernal na Bienal do Livro 2013

Como dei uma dica da semana relacionada à Bienal do Livro do Rio, sinto-me na obrigação de compartilhar minha ida ao evento, no sábado (31/8). Que i-n-f-e-r-n-o! Desde criança, participo da Bienal e, como todos os frequentadores, noto um aumento no público a cada ano – o que é ótimo culturalmente (as pessoas estão lendo!) e economicamente (os autores estão vendendo muito!). Mas está impraticável. A organização do evento precisa readministrar essa demanda urgentemente.

Para começar, a fila na bilheteria: é enorme, dá voltas e voltas, e até sai do pavilhão, em plena soleira. Há uma pré-venda das entradas, pela Internet e em postos de venda, mas isso precisa ser mais e melhor divulgado. Quase ninguém estava sabendo dessa informação, e tinha que enfrentar aquela fila desnecessária.

20130831_122810

Uma vez dentro, o passeio se tornava estressante. Os corredores estavam tão, mas tão cheios, que você instintivamente fugia deles. Para entrar nos stands das editoras mais badaladas, mais filas desanimadoras. Para pagar, nem se fala. No da Saraiva, que não havia fila para entrar, era sufocante permanecer lá dentro mais do que três minutos. Parecia bloco da Preta Gil na Avenida Rio Branco – e quem já foi sabe do que estou falando. Não dava para se mover! Que dirá comprar livros! Não consegui entrar no da Rocco e da Intrínseca, por exemplo, e queria comprar livros específicos nelas.

Passei de 12h30 as 19h no RioCentro e tenho a impressão de que não vi quase nada. Perde-se muito tempo fazendo poucas coisas. Entendo que era um sábado, um dia que tende a ser mais cheio, mas eu sempre frequentei o evento nos fins de semana e nunca esteve assim. Talvez o problema tenha sido colocar Nicholas Sparks, Maurício de Souza, Thalita Rebouças e Matthew Quick no mesmo dia. Tive a sensação de estar no show de uma popstar quando ouvi o pavilhão gritar “Thalita, eu te amo!” e “Nicholas, cadê você? Eu vim aqui só para te ver”. A histeria somada à falta de espaço realmente dava a impressão de estar em um show na praia de Copacabana. E não é isso que se espera de uma feira literária.

20130831_142329

Acho que, já que parece show, a Bienal deve ser administrada como tal. Deveria haver uma quantidade fixa de ingressos por dia e, terminada a venda deles, anuncia-se o esgotamento. A melhor saída é vender tudo antecipadamente mesmo. O evento tem que ter controle de quantas pessoas estarão lá dentro, tendo uma boa experiência. Não pode ser “paguem e entrem todos”, como se fosse ônibus. Não está legal como está.

Saí de lá com só um livro, e na crença de que terei que voltar num dia de semana para desfrutar como se deve. Mesmo assim, com medo de não conseguir. Só valeram mesmo os debates aos quais assisti – um no Café Literário, com Matthew Quick, Flávio Carneiro e Socorro Acioli; e outro no Mulher e Ponto, com Marcelo Rubens Paiva e Regina Navarro Lins. Como sempre digo, esses espaços são a melhor coisa do evento. Os livros, mal ou bem, podemos comprar depois. Mas esses encontros são únicos (e bem administrados, com senhas, conforto e tudo mais). Não tenho mais idade para show de rock na praia.

Responder a Minha experiência infernal na Bienal do Livro 2013

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s