Carta do Tio Léo #8: “Being Erica”, arrependimentos, pré-aniversário

Essa carta pode parecer precipitada, mas a verdade é que, embora ainda tenhamos uma semana pela frente, esse é o último domingo do mês. Eu sei! É louco, né? O tempo continua correndo, e ai de nós se não corrermos atrás para tentar acompanhá-lo. Eu mesmo quase fiquei para trás com essa carta. Geralmente, a escrevo com cinco dias de antecedência, mas dessa vez simplesmente não me dei conta de que o mês estava terminando. Basicamente, estou escrevendo isso às 00h30 de sábado para domingo. Não, não saí. Sim, eu tive convites. Não, não estou te dando satisfações.

Acabei de ver dois episódios de “Being Erica”, depois de ter lido o jornal de amanhã, o que na prática significa que, se eu morresse agora, estaria muito bem informado. Aposto que teria lido a edição de amanhã antes de muita gente que viveria o domingo inteiro. Eu saberia mais das notícias do dia do que muita gente que estaria no meu velório. Bizarro. E mórbido – esse comentário. Acho que estarei vivo amanhã, portanto não sei por que estou falando isso. Na verdade, quero dividir com você a série “Being Erica”. Estou completamente viciado. Uma amiga começou a ver, se lembrou de mim e me indiciou. Tudo neste mês. E já estou na segunda temporada! Indo para o oitavo episódio! Na verdade, estou baixando-o neste exato momento. Talvez eu o assista quando terminar esta carta.

Dr. Tom e Erica

Dr. Tom e Erica

Para quem não conhece, “Being Erica” é uma série canadense que foi levada ao ar entre 2009 e 2011. A trama acompanha, como o título indica, Erica (interpretada por Erin Karpluk) – uma mulher de 30 anos com a vida totalmente caótica. Ela conhece um terapeuta diferente, chamado Dr. Tom (vivido por Michael Riley), que tem o poder de enviá-la para viagens no tempo, principalmente ao passado, para corrigir seus arrependimentos e saber como melhor agir no presente. Bem, isso é tudo o que eu queria. Identifico-me muito com a proposta e talvez por isso tenha me tornado obcecado. Sim, admito meu vício. Diminuí totalmente o ritmo com que via filmes para acompanhar a série. É por isso que não gosto de séries. A gente fica dependente… Minha desculpa para ver um episódio atrás do outro – às vezes, três na mesma madrugada – é esse: terminar logo e voltar à minha vida, aos meus filmes, às minhas atividades. Mas eu sei que é só uma desculpa.

É curioso que eu tenha começado a assistir a essa série justamente agora, que estou fazendo análise e constantemente me remeto ao passado. Minha psicóloga não tem o poder de me enviar para viagens no tempo, mas bem que eu gostaria. Acho que já falei isso aqui anteriormente: desconfio de quem não tem arrependimentos. Com certeza os tenho. E, na incapacidade de voltar ao passado, tento consertá-los no presente mesmo. Estou em uma missão há alguns anos, mas não tenho obtido sucesso. Tudo é mais difícil quando depende de outra pessoa, não é mesmo? Como diz um episódio da série, nossas ações geram reações, em uma espécie de ciclo vicioso mútuo. Não dá para controlar os outros, mas dá para se reposicionar. Neste mês, uma menina com quem deixei de falar no colégio reapareceu para me pedir desculpas… tipo quase dez anos depois. Eu teria achado insano, se já não tivesse feito isso com outras pessoas. Várias. Realmente acho que nunca é tarde para consertar algo mau. Às vezes, a gente só descobre o quanto um problema antigo ainda nos incomodava quando consegue solucioná-lo. Não acho que vale a pena “deixar pra lá” algo do qual você não possa se orgulhar.

Vou completar 24 anos em duas semanas, e acho que venho tentando ser uma pessoa melhor pelo menos nos últimos quatro. E, uau, 24. Isso é tão estranho. Eu estaria surtando, como sempre acontece nas vésperas do meu aniversário, se 2013 inteiro não tivesse sido um grande surto. Cada vez mais perto dos 30, e ainda não conquistei nada do que quero. Minha vida certamente não é como eu imaginava que seria, quando era adolescente. Sempre acreditei que estaria estabilizado, realizado e independente aos 25, e todos esses adjetivos parecem muito distantes de mim agora. Não é como se eu tivesse desistido de mim mesmo, nem pensar, mas a vida com certeza me deu um banho de água fria. O que me conforta é saber que muitos dos meus contemporâneos sentem o mesmo. É bom não ser o único (ainda que eu torça pelo sucesso de todos! {inclusive o meu})

Então, é isso: na próxima carta, já terei 24 anos, rumando aos 25. Não tá fácil pra ninguém.
Aguardo seu cartão de aniversário,

Tio Léo

Anúncios

Uma resposta para Carta do Tio Léo #8: “Being Erica”, arrependimentos, pré-aniversário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s