[Dica da semana] Documentário “Aconteceu, virou Manchete!”

No encontro de ex-funcionários da Rede Manchete em 2011, a batalha judicial pelo pagamento dos direitos trabalhistas foi o principal tema das conversas. Na confraternização de 2013, porém, o assunto promete ser outro: o documentário “Aconteceu, Virou Manchete”, desenvolvido por universitários em comemoração aos 30 anos da fundação do canal. O organizador dos encontros, o jornalista Luiz Santoro, está animado com o projeto.

– Relembrar aquele tempo é sempre uma honra para nós. É empolgante saber que os jovens sabem o que a Manchete representou – conta Santoro, responsável por noticiar a morte do presidente Tancredo Neves no “Jornal da Manchete” em 1984.

Além dele, outros 30 profissionais da chamada “família Manchete” deram depoimentos para o filme – a maioria saudosos. A atriz Lucinha Lins, por exemplo, se emocionou ao lembrar sua passagem pelo infantil “Lupu Limpim Clapá Topô”, criado após a contratação da Xuxa pela TV Globo.

A apresentadora, aliás, é uma ausência sentida no documentário, dirigido pelo estudante de jornalismo Fernando Borges, um dos finalistas do Concurso CNN Internacional no ano passado. A assessoria dela não se interessou pelo projeto. Xuxa só aparece mandando a Claudia sentar no “Clube da Criança”, no vídeo que faz sucesso no Youtube. “Pena que não deram chance de ela saber do documentário”, lamenta Borges, que teve mais sucesso com Maurício Sherman, diretor que revelou tanto a Xuxa quanto a Angélica na emissora.

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Sherman é um dos entusiastas do filme, que foi exibido no auditório da UERJ em junho e chega à Internet neste mês. Mesmo ocupado com as gravações do “Zorra Total”, da TV Globo, ele respondeu o e-mail dos universitários imediatamente, agendando sua entrevista.

– As pessoas foram muito mais solícitas do que imaginávamos. É muito bacana sentir na fala delas uma emoção pela saudade da Manchete – comenta o produtor Tadeu Goulart, que destaca a falta de patrocínio e o gerenciamento de equipamentos como os maiores problemas enfrentados pela equipe. – Só tínhamos uma câmera boa e as entrevistas tinham conflito de horário. Geralmente, eu precisava pegar o equipamento na roleta do metrô para gravar.

Outro obstáculo para a produção do filme foi o acesso ao acervo da Manchete, que está inutilizado na TV Cultura, por questões de direitos autorais. As fitas das novelas e programas dos anos 1980, como “Dona Beija” e “Clô Para os Íntimos”, têm que esperar mais 40 anos para caírem em domínio público. Por hora, só podem ser vistos em trechos de baixa qualidade no Youtube.

– O resgate do material é o principal desafio. Conseguimos muita coisa com as próprias pessoas que fizeram parte da emissora. Os demais no Youtube, que é rico de material da Rede Manchete. – explica o editor Diego Schueng – Tomamos cuidado com as datas também. Muito arquivo se perdeu com o tempo e encontrar a data exata do material é outra dificuldade.

Driblar esses obstáculos, no entanto, é o que torna o documentário especial, na opinião do diretor Fernando Borges. Afinal, sem percalços, não seria um projeto sobre a história da Manchete – a emissora que, nas palavras de Santoro, “está morta na TV brasileira, mas acesa nos corações dos ex-funcionários”.

Assista:

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Uma resposta para [Dica da semana] Documentário “Aconteceu, virou Manchete!”

  1. A Rede Manchete pode estar extinta a nível de empresa, a nível de concessões, mas com toda a certeza continua existindo nos corações dos ex-funcionários, ex-artistas, e do público amante da qualidade…

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