[Dica da semana] Karol Conká – Batuk Freak

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A dica da semana é ficar de olho nessa rapper curitibana que atende pelo simpático nome de Karol Conká. Uma das maiores apostas de sua geração, ela lançou seu primeiro álbum neste ano – o Batuk Freak, pelo selo Vice – e já conseguiu uma indicação ao Prêmio Multishow, que certamente é um dos mais importantes do país. Ela está nomeada na categoria Artista Revelação e, ainda que dificilmente saia vitoriosa (porque disputa contra uma galera do mainstream, como Anitta e Clarice Falcão), isso servirá para dar um gás maior na sua carreira.

Seu trabalho, para quem não conhece, é facilmente encontrável na Internet. Uma busca no Youtube traz uma série de resultados, entre parcerias com Luiz Melodia (“Até Amanhecer”), Projota (“Não Falem!”) e, minha favorita, Boss In Drama (“Toda Doida”). Para entrar em contato com ela pela primeira vez, aconselho essa última música. “Karol Conká, causando na sociedade. Segura, Brasil!” – o verso de abertura – me conquistou de cara. Seu humor é o que mais me cativa.

O “Batuk Freak”, olha que maravilha!, também está disponível para download sem custos, em troca de uma divulgação básica (“pay with a tweet”). O álbum tem produção do Nave, conhecido por trabalhos com Marcelo D2 e Emicida, e já gerou dois singles: “Boa Noite” e “Gandaia”. Gosto mais do segundo, também super divertido. Dá uma olhada no clipe e depois baixa o disco aqui:

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Carta do Tio Léo #8: “Being Erica”, arrependimentos, pré-aniversário

Essa carta pode parecer precipitada, mas a verdade é que, embora ainda tenhamos uma semana pela frente, esse é o último domingo do mês. Eu sei! É louco, né? O tempo continua correndo, e ai de nós se não corrermos atrás para tentar acompanhá-lo. Eu mesmo quase fiquei para trás com essa carta. Geralmente, a escrevo com cinco dias de antecedência, mas dessa vez simplesmente não me dei conta de que o mês estava terminando. Basicamente, estou escrevendo isso às 00h30 de sábado para domingo. Não, não saí. Sim, eu tive convites. Não, não estou te dando satisfações.

Acabei de ver dois episódios de “Being Erica”, depois de ter lido o jornal de amanhã, o que na prática significa que, se eu morresse agora, estaria muito bem informado. Aposto que teria lido a edição de amanhã antes de muita gente que viveria o domingo inteiro. Eu saberia mais das notícias do dia do que muita gente que estaria no meu velório. Bizarro. E mórbido – esse comentário. Acho que estarei vivo amanhã, portanto não sei por que estou falando isso. Na verdade, quero dividir com você a série “Being Erica”. Estou completamente viciado. Uma amiga começou a ver, se lembrou de mim e me indiciou. Tudo neste mês. E já estou na segunda temporada! Indo para o oitavo episódio! Na verdade, estou baixando-o neste exato momento. Talvez eu o assista quando terminar esta carta.

Dr. Tom e Erica

Dr. Tom e Erica

Para quem não conhece, “Being Erica” é uma série canadense que foi levada ao ar entre 2009 e 2011. A trama acompanha, como o título indica, Erica (interpretada por Erin Karpluk) – uma mulher de 30 anos com a vida totalmente caótica. Ela conhece um terapeuta diferente, chamado Dr. Tom (vivido por Michael Riley), que tem o poder de enviá-la para viagens no tempo, principalmente ao passado, para corrigir seus arrependimentos e saber como melhor agir no presente. Bem, isso é tudo o que eu queria. Identifico-me muito com a proposta e talvez por isso tenha me tornado obcecado. Sim, admito meu vício. Diminuí totalmente o ritmo com que via filmes para acompanhar a série. É por isso que não gosto de séries. A gente fica dependente… Minha desculpa para ver um episódio atrás do outro – às vezes, três na mesma madrugada – é esse: terminar logo e voltar à minha vida, aos meus filmes, às minhas atividades. Mas eu sei que é só uma desculpa.

É curioso que eu tenha começado a assistir a essa série justamente agora, que estou fazendo análise e constantemente me remeto ao passado. Minha psicóloga não tem o poder de me enviar para viagens no tempo, mas bem que eu gostaria. Acho que já falei isso aqui anteriormente: desconfio de quem não tem arrependimentos. Com certeza os tenho. E, na incapacidade de voltar ao passado, tento consertá-los no presente mesmo. Estou em uma missão há alguns anos, mas não tenho obtido sucesso. Tudo é mais difícil quando depende de outra pessoa, não é mesmo? Como diz um episódio da série, nossas ações geram reações, em uma espécie de ciclo vicioso mútuo. Não dá para controlar os outros, mas dá para se reposicionar. Neste mês, uma menina com quem deixei de falar no colégio reapareceu para me pedir desculpas… tipo quase dez anos depois. Eu teria achado insano, se já não tivesse feito isso com outras pessoas. Várias. Realmente acho que nunca é tarde para consertar algo mau. Às vezes, a gente só descobre o quanto um problema antigo ainda nos incomodava quando consegue solucioná-lo. Não acho que vale a pena “deixar pra lá” algo do qual você não possa se orgulhar.

Vou completar 24 anos em duas semanas, e acho que venho tentando ser uma pessoa melhor pelo menos nos últimos quatro. E, uau, 24. Isso é tão estranho. Eu estaria surtando, como sempre acontece nas vésperas do meu aniversário, se 2013 inteiro não tivesse sido um grande surto. Cada vez mais perto dos 30, e ainda não conquistei nada do que quero. Minha vida certamente não é como eu imaginava que seria, quando era adolescente. Sempre acreditei que estaria estabilizado, realizado e independente aos 25, e todos esses adjetivos parecem muito distantes de mim agora. Não é como se eu tivesse desistido de mim mesmo, nem pensar, mas a vida com certeza me deu um banho de água fria. O que me conforta é saber que muitos dos meus contemporâneos sentem o mesmo. É bom não ser o único (ainda que eu torça pelo sucesso de todos! {inclusive o meu})

Então, é isso: na próxima carta, já terei 24 anos, rumando aos 25. Não tá fácil pra ninguém.
Aguardo seu cartão de aniversário,

Tio Léo

[Dica da semana] Ficar ligado na programação da Bienal do Livro para aproveitar ao máximo sua ida

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A Bienal do Livro do Rio de Janeiro começa na próxima quinta (29/8), no Rio Centro, e quero trazer uma dica para vocês. Para mim, o evento sempre foi muito mais do que uma feira de lançamentos e uma temporada específica para comprar um monte de livros de uma vez. Nunca compro um monte de livros, aliás. Só dois ou três. Ou quatro ou cinco. Ah, você entendeu. O que quero dizer é que uso a Bienal como uma maneira de ficar por dentro do que está acontecendo – anotando o título de várias obras que comprarei posteriormente – e como uma oportunidade de participar de palestras e conhecer autores bacanas. Isso sim é o barato do evento: a aproximação entre o autor e o público. Então, minha dica é essa: ficar ligado na programação para explorá-la ao máximo.

A lista completa de debates e palestras pode ser vista no site oficial do evento. Vai ter Nicholas Sparks, Thalita Rebouças, Zeca Camargo, galera da Porta dos Fundos, Padre Fábio de Melo (que foi responsável pela maior fila na sessão de autógrafos da última vez!), James C. Hunter, Sylvia Day, Emily Giffin, Mia Couto, Corey May, Will Gompertz, Maurício de Sousa, Ziraldo, vários autores alemães, porque o país é o homenageado desta edição, etc etc etc. É muita gente e certamente tem alguém que você goste! Vale a pena dar uma olhada na programação oficial e na dos expositores antes de sair de casa, para já ir preparado. Assim, você não perde nada! As senhas para os debates e palestras costumam ser distribuídas uma hora antes, então tem que ficar ligado! 😉

A gente se esbarra em um dos pavilhões!

Busca-se namorado perfeito pra mulher desesperada

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Todas as minhas amigas solteiras estão desesperadas por um namorado. Às vezes me pergunto se elas têm mesmo essa necessidade extrema de ter alguém do lado, ou se tudo não passa de um troféu a ser erguido. Você sabe: faz parte do pacote do sucesso ter um namorado. Estar sozinha é mais ou menos como um carimbo de falha bem no meio da testa. A velha “antes só do que mal acompanhado” só vale da boca pra fora. Ninguém quer ser a “solteirona”. Elas preferem um mau partido, do qual possam reclamar na rodinha de amigas, do que uma lacuna em branco. Digo isso porque tenho outras amigas que mantêm relacionamentos perceptivelmente (para qualquer um!) degenerativos só para não “se verem de volta ao mercado”. E haja aspas.

Viver de aparências. Acho que o erro está justamente aí. Em vez de se perguntar “por que aquela biscate tem um namorado e eu só atraio problemáticos?”, elas deveriam fazer outro autoquestionamento. Eu ficaria com “se eu fosse um cara, iria querer manter um relacionamento comigo mesma, neste momento da minha vida?”. Talvez algumas percebam que não. Ninguém quer salvar ninguém e compaixão não é paixão, muito menos amor. Não entendeu? Bem, vamos lá. Eu disserto. Eu gosto de fazer isso.

Você tem que estar bem para encontrar sua cara metade, sua alma gêmea, seu amor, seu chuchuzinho, seu parceiro, seu bofe, ou como quer que você queira chamá-lo. Para mim, o desespero por encontrar alguém já denota uma insatisfação, que provavelmente é reflexo de outras áreas da vida. E aí, como posso te falar, você repele os rapazes legais, e só atrai os malas. Com quem você gostaria de namorar: a menina plena, bem resolvida e interessante ou aquela com vácuos e falhas na vida, apostando sua salvação em um namoro? Bingo! Você entendeu. Ninguém quer a desesperada. Se você é uma desesperada, você acha que disfarça isso para os outros, e talvez até consiga mesmo, mas o que não sabe é que exala uma espécie de essência negativa. Feromônios defeituosos, arrisco-me a dizer, apropriando-me do termo científico amadoramente.

É preciso se amar primeiro para permitir que alguém te ame também (e que você o ame reciprocamente!). É clichê dizer isso, mas é a maneira mais simples de expressar essa ideia. Deve-se amar o trabalho, os estudos, os amigos, a família, a academia, a dieta, enfim, tudo o que te cerca. Se esse não for o caso, faça mudanças na sua vida, corte incômodos, adicione prazeres. A realização transparece na maneira como se sorri: um sorriso feliz é diferente de um sorriso por pressão social. Todas as pessoas legais que apareceram na minha vida aconteceram quando eu estava bem. Tenho uma teoria: quando se busca “o cara” você só encontra “os caras” (que não servem) e, quando não se busca, aparece alguém legal naturalmente. Não é uma recomendação para se trancar em casa e esperar o príncipe encantado – porque isso te faria uma mulher problemática, e não é sobre isso que estou falando – mas também não acredito em “sair à luta”. Caçar pressupõe que algo não está bem. Você só caça quando tem fome. “Cara feia, pra mim, é fome”, invertida, fica assim: fome, pra mim, é cara feia. Logo, você caça de cara feia!

Se você acredita que um namorado vai animar sua vida, há um problema. Se você precisa de animação, a conquiste por si mesma, de outras maneiras. Um namoro é mais consequência do que causa da felicidade. Quando você está mal, as pessoas se afastam. Isso é senso comum. Agora, quando você está bem, as pessoas se aproximam, porque você é uma boa companhia. Basicamente, a melhor maneira de atrair um namorado legal é não buscá-lo diretamente, ao meu ver. Busque outras satisfações, realizações; preencha outras lacunas; e ele aparecerá. Coloque-se no lugar do outro. Assim como você quer alguém bem sucedido – e não me refiro a termos financeiros especificamente – eles também querem. Desespere-se por arrumar sua vida, porque ninguém vai fazer isso por você. Com a casa limpa, aí sim você pode receber visita.

Resenha: Marcelo Jeneci – Festival Conexão Rio – Circo Voador

O show se encaminha para sua terceira ou quarta música, quando Marcelo Jeneci reclama que o som do piano está muito baixo. “Não tô ouvindo. Vocês estão?”, pergunta para a plateia do Circo Voador, onde ocorreu o festival Conexão Rio, na madrugada de sábado para domingo (18/8). Sim, o público está ouvindo, mas ele não está satisfeito e os holdies entram para tentar resolver o problema. Só que, em vez disso, deixam o piano e o teclado sem som. Laura Lavieri, a cantora que o acompanha no álbum e na turnê, tenta entreter as pessoas, contando que é o dia do seu aniversário. Em troca, ganha um “Parabéns pra você”. Jeneci já não está mais no centro do palco, mas sim na lateral, discutindo com os técnicos. Ela sugere que cantem alguma coisa, para que o show não esfrie. O público puxa “Show das Poderosas” – hit da Anitta. “Essa eu vou só dançar”, ela brinca, e Jeneci volta. O problema ainda não está resolvido, mas ele opta por tocar uma música que dispense o piano. É “Felicidade”.

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O público, que encheu o local apesar da tempestade que caiu no Rio de Janeiro, ovaciona e canta a plenos pulmões. “Quando chover, deixar molhar / Pra receber o sol quando voltar”. É bonito ver tanta gente com o hino da simplicidade na ponta da língua. É bonito ver Jeneci se apresentar enrolado em um cobertor colorido, com barba por fazer e cabelo despenteado à la mendigagem. É bonito o contraste que faz com a beleza da Laura. É bonito ouvi-la. É… bonito. O adjetivo é a melhor palavra para descrever um show do Jeneci. Foi meu segundo, um ano após o primeiro. Coisa boa!

A apresentação no Conexão Rio foi, segundo anúncio, a última da turnê do álbum “Feito Pra Acabar” (2010). Marcelo Jeneci incluiu três músicas novas na setlist – uma em um medley com “Pense Duas Vezes Antes Te Esquecer”. Essa, particularmente, animou muito a galera. As outras eram mais contemplativas – principalmente a que é cantada por Laura, que arrancou aplausos admirados por seus gritinhos. O segundo CD será lançado entre o fim de setembro e o início de outubro, e os indícios não apontam mudanças na sonoridade, o que é ótimo. Ninguém quer transformação, eu acho. Só letras novas para aprender. Jeneci é ótimo letrista.

Os problemas técnicos no piano e o teclado são arrumados, e vem “Por Que Nós”. Bonito, bonito, bonito. O show segue sem falhas. A única, talvez, seja a inclusão do cover de Zélia Duncan em “Borboleta”, em detrimento do repertório próprio (várias ficaram de fora, devido à duração de cada show estabelecida pelo festival). Mas a música é animada, então desculpa-se. Que venha a turnê do segundo álbum!

[Dica da semana] Maria Gadú – Nós

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A cantora Maria Gadú lançou, no início do mês, o que pode ser mal interpretado como seu álbum menos inspirado: Nós. Trata-se de uma compilação de duetos gravados nos últimos anos para discos de outros artistas – como é o caso de “Mais que a Mim”, com Ana Carolina (2009) – ou para discos em parceria – como “Nosso Estranho Amor”, com Caetano Veloso (2011). Soa como um projeto desinteressante, voltado apenas para colecionadores. Coisa de gravadora. Mas… ficou tão bom, tão coeso, tão agradável.

“Maria Gadú” (de 2009) e “Mais Uma Página” (de 2011) eram bons, mas careciam de um conceito. Para mim, ela pode realmente cantar qualquer tipo de música, porque tudo fica lindo na sua voz. Mas sentia falta de um repertório minimamente coerente. Desta vez, houve isso: a ideia de duetos é a cara dela. O conceito de “Nós” é a comunhão, o que é uma característica forte da artista. Parece que ela, por fim, se encontrou.

O álbum conta com gravações com os renomados Gilberto Gil, Milton Nascimento (“Lamento Sertanejo”); Sandra de Sá (“Demônio Colorido”); e Ivan Lins (“Quem Me Dera”); assim como os contemporâneos Daniel Chaudon (“Luzia”), Camila Wittmann (“Buquê”) e 5 a Seco (“Em Paz”). Os internacionais Jesse Harris (“I Know It Won’t Be Long”) e Eagle-Eye Cherry (“Alone”) também estão lá, porque a cantora gosta de cantar em outros idiomas. Gadú transita por todos os parceiros com competência e harmonia, fazendo o que sabe fazer de melhor, que é cantar com os outros.

Desde seu primeiro trabalho, ela faz questão de dividir as atenções com os amigos. No seu DVD ao vivo (2010), são tantas as participações (de desconhecidos do grande público, na maioria) que chega a ser difícil contabilizá-las. Maria Gadú parece pouco vaidosa e muito generosa. É como se ela nos lembrasse o tempo todo que não chegou ao mainstream sozinha – e quer trazer os amigos, o que é ótimo, porque eles geralmente são bons. Todos os shows dela aos quais assisti tiveram, pelo menos, uma participação.

Então, apesar de ser uma coletânea de músicas lançadas aleatoriamente em trabalhos alheios, “Nós” é o álbum que mais traduz a Maria Gadú como artista. É como dizem: de onde menos se espera que vem. Fica a dica para a semana, para o mês, para o ano, para a vida inteira. O disco tá gostoso demais de se ouvir!

Ouça inteirinho aqui:

[Dica da semana] Documentário “Aconteceu, virou Manchete!”

No encontro de ex-funcionários da Rede Manchete em 2011, a batalha judicial pelo pagamento dos direitos trabalhistas foi o principal tema das conversas. Na confraternização de 2013, porém, o assunto promete ser outro: o documentário “Aconteceu, Virou Manchete”, desenvolvido por universitários em comemoração aos 30 anos da fundação do canal. O organizador dos encontros, o jornalista Luiz Santoro, está animado com o projeto.

– Relembrar aquele tempo é sempre uma honra para nós. É empolgante saber que os jovens sabem o que a Manchete representou – conta Santoro, responsável por noticiar a morte do presidente Tancredo Neves no “Jornal da Manchete” em 1984.

Além dele, outros 30 profissionais da chamada “família Manchete” deram depoimentos para o filme – a maioria saudosos. A atriz Lucinha Lins, por exemplo, se emocionou ao lembrar sua passagem pelo infantil “Lupu Limpim Clapá Topô”, criado após a contratação da Xuxa pela TV Globo.

A apresentadora, aliás, é uma ausência sentida no documentário, dirigido pelo estudante de jornalismo Fernando Borges, um dos finalistas do Concurso CNN Internacional no ano passado. A assessoria dela não se interessou pelo projeto. Xuxa só aparece mandando a Claudia sentar no “Clube da Criança”, no vídeo que faz sucesso no Youtube. “Pena que não deram chance de ela saber do documentário”, lamenta Borges, que teve mais sucesso com Maurício Sherman, diretor que revelou tanto a Xuxa quanto a Angélica na emissora.

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Sherman é um dos entusiastas do filme, que foi exibido no auditório da UERJ em junho e chega à Internet neste mês. Mesmo ocupado com as gravações do “Zorra Total”, da TV Globo, ele respondeu o e-mail dos universitários imediatamente, agendando sua entrevista.

– As pessoas foram muito mais solícitas do que imaginávamos. É muito bacana sentir na fala delas uma emoção pela saudade da Manchete – comenta o produtor Tadeu Goulart, que destaca a falta de patrocínio e o gerenciamento de equipamentos como os maiores problemas enfrentados pela equipe. – Só tínhamos uma câmera boa e as entrevistas tinham conflito de horário. Geralmente, eu precisava pegar o equipamento na roleta do metrô para gravar.

Outro obstáculo para a produção do filme foi o acesso ao acervo da Manchete, que está inutilizado na TV Cultura, por questões de direitos autorais. As fitas das novelas e programas dos anos 1980, como “Dona Beija” e “Clô Para os Íntimos”, têm que esperar mais 40 anos para caírem em domínio público. Por hora, só podem ser vistos em trechos de baixa qualidade no Youtube.

– O resgate do material é o principal desafio. Conseguimos muita coisa com as próprias pessoas que fizeram parte da emissora. Os demais no Youtube, que é rico de material da Rede Manchete. – explica o editor Diego Schueng – Tomamos cuidado com as datas também. Muito arquivo se perdeu com o tempo e encontrar a data exata do material é outra dificuldade.

Driblar esses obstáculos, no entanto, é o que torna o documentário especial, na opinião do diretor Fernando Borges. Afinal, sem percalços, não seria um projeto sobre a história da Manchete – a emissora que, nas palavras de Santoro, “está morta na TV brasileira, mas acesa nos corações dos ex-funcionários”.

Assista:

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