[Dica da semana] O que a biografia do Ricky Martin tem a oferecer

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Terminei de ler a autobiografia do Ricky Martin – intitulada “Eu” – nesta semana, e fiquei positivamente surpreso com seu conteúdo. Ao contrário do que imaginei, a narração não é focada na revelação de sua homossexualidade. O relato vai muito além. O fato é que o livro foi lançado pouco após a divulgação da carta na qual ele, na falta de palavra melhor, confirmou que era gay. Isso realmente me levou a ligar os fatos. Acredito, também, que o assunto foi explorado pelo marketing literário, aproveitando a boa aceitação do público do cantor diante do “novo” cenário. Mas, definitivamente, a temática gay – que está presente – não foi a que mais chamou minha atenção durante a leitura.

“Eu” (Planeta do Brasil, 2010) retrata os principais pontos da carreira artística e da vida pessoal do Ricky Martin, mas o que me surpreendeu mesmo foi seu trabalho ativista. Acho que, como eu, muita gente não sabe que ele tem uma fundação e um trabalho voltado para o combate ao tráfico e abuso sexual de crianças. No livro, Ricky Martin conta cenas chocantes que presenciou na Índia, no Camboja, na Tailândia e no Haiti em sua luta para proteger as crianças de uma vida de exploração e escravidão. São histórias de meninas de menos de oito anos (algumas com quatro!), sequestradas ou vendidas pelos pais miseráveis, e obrigadas a se prostituir. Há homens, crápulas, que pagam caro para tirar a virgindade de crianças indefesas!

É mais ou menos o que Glória Perez retratou na novela “Salve Jorge”, só que com crianças, o que torna tudo muito pior. É, de verdade, muito aterrorizante – e acredito que não haveria como abordar um tema tão delicado em um folhetim, que é feito para entreter o público. O alerta da autora foi válido, mas o assunto é ainda mais profundo.

Ricky Martin conta que, por exemplo, durante a tragédia do tsunami na Tailândia, havia traficantes empenhados em sequestrar bebês e crianças, que tinham se perdido dos pais. Em outros casos, meninos e meninas são aliciados em casa, aproveitando-se das carências de sua família. Mas essa covardia não é exclusiva das classes mais baixas. Crianças também caem nas mãos dos exploradores através da Internet, conversando com desconhecidos. Os relatos são inúmeros e interessantes, apesar de dolorosos.

Não é, de forma alguma, algo que esperava ler na biografia de um cantor pop. O assunto aparece de repente, quando ele se depara com essa realidade durante uma viagem, e toma espaço conforme ele se engaja. Da maneira como Ricky narrou, não pareceu que estivesse fazendo politicagem ou marketing pessoal com uma causa séria. Parece que ele realmente se chocou com isso tudo e resolveu fazer algo para ajudar, e nos conta na esperança de nos motivar também.

A dica da semana não é para você abrir uma fundação ou até mesmo ler o livro dele, mas para não fechar os olhos para esse tema. Como ele mesmo diz, a tendência da gente é virar o rosto para o lado oposto ao de um cenário perturbador. O tráfico de pessoas e a exploração sexual infantil estão por toda parte – no Camboja, sim, mas também no Rio e em São Paulo, e em cidadezinhas do interior do país, que sequer constam em qualquer mapa. A dica é se informar e dar atenção ao tema quando ele se deparar com a gente.

Seguem alguns links:
www.rickymartinfoundation.org
www.childhood.org.br
www.traficodepessoas.org

5 respostas para [Dica da semana] O que a biografia do Ricky Martin tem a oferecer

  1. Que lindo você ter captado a essência do Ricky. Ele não é apenas um artista preocupado com sua carreira profissional, mas sim preocupado em fazer o bem e ajudar todos,principalmente os desprotegidos.

  2. Bel Sanz

    Esse livro é especial, não só para os fãs de Ricky Martin mas para o público em geral que tem mente aberta e não se prende a preconceitos diante de uma leitura. Quem conseguir passar por isso e resolver ler o livro vai, assim como vc, se surpreender com várias outras facetas de Ricky Martin que além do grande artista que é, é humanitário e abre seu coração nesse livro mostrando o ser humano especial que ele é.
    Parabéns pela resenha do livro.

  3. Gildete Azevedo

    Ricky é uma pessoa muito especial, já conhecia seu trabalho com essas crianças e seu trabalho artístico sempre foi levado à sério. Tem carisma e muito talento.

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