[Dica da semana] Não ter conversas íntimas ao celular no ônibus

celular

Ônibus é aquela coisa: ficar trancado com desconhecidos por um período de tempo que varia de acordo com o trajeto e o engarrafamento. É quase um mini “BBB” cotidiano – sem prêmio no fim. Mas, como o programa apresentado por Pedro Bial, andar de transporte coletivo é um jogo de convivência. Não deixar a mochila nas costas; se sentado, oferecer para segurar a bolsa alheia; usar fones de ouvido; não fumar; ceder o lugar para grávidas e idosos; e, o mais difícil, não encoxar ninguém são regras básicas. Mas lá vai outra dica de convivência: não ter conversas extremamente íntimas ao celular. Melhor: não ter conversas EXTREMAMENTE íntimas ao celular FALANDO ALTO.

Eu não estaria tocando neste ponto se não tivesse passado por uma situação inusitada na quinta (25/4), tentando voltar para casa com a minha mãe, em um engarrafamento terrível no Rio Comprido. Estava eu, concentrado no meu humilde Facebook, quando ouço a mulher sentada atrás de mim:

– …casa de swing.

Oi? Fui pego de surpresa.

– Ela sabe que estou há um mês na igreja e fica me chamando para a casa de swing. Isso é amiga?

Olhei para a minha mãe. Segurei o riso provocado pela falta de noção de nossa colega de confinamento.

– Não. Eu o encontro, mas não ficamos mais. Faz um mês. Estou resistindo. Não vou mais à casa de suingue.
A
mulher falava bem alto, então não era como se nós estivéssemos prestando atenção na conversa dela. Acreditem: era quase um convite para participar.

– Eu acho que sei por que ela me chamou para a casa de swing.

Quantas vezes ela vai repetir “casa de swing”? Todo mundo já entendeu.

– Ela está saindo com o cara há um mês, mas eles não fazem nada. É, não rolou ainda. Ele não comparece. É, tô te dizendo…

Eu e minha mãe rimos. A mulher de trás deve ter visto, mas não associou os fatos, porque continuou no mesmo volume.

– Sim, ele a levou para a cada dele, mas mesmo assim não aconteceu. Não acredita? Pergunta a ela.

Estava ficando interessante.

– Eles foram assistir a um filme de terror e ela queria fazer… Como posso te dizer? Ela queria… Ai… com vou falar iss?

Fiquei curioso.

– Ela queria fazer sexo oral nele.

Sim, ela disse sexo oral. Sim, ela escolheu as palavras. Sim, ela ficou envergonhada por falar isso depois de ter alardeado sobre a casa de swing. Não, ela não parou.

– Ela começou a fazer, porque nao estava gostando do filme, mas nem isso rolou. Veio uma cena muito assustadora e o negócio baixou.

Gargalhei. Desconfiei que era pegadinha. Procurei as câmeras. Não achei. Era tudo real.

Gente, não dá, né? Estranhos não precisam participar tão intimamente de suas conversas de conteúdo recomendavelmente privado. Você pode até não se importar e dizer que sua vida é um livro aberto, mas ninguém é obrigado a te escutar. Vamos maneirar.

luane

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4 respostas para [Dica da semana] Não ter conversas íntimas ao celular no ônibus

  1. Agatha

    huahuahauha, ri muito! Coitada da amiga, a cena de terror atrapalhou o negócio! Pelo menos rendeu uma boa risada pra vc e todos que estavam no ônibus …

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