Tem zumbis no meu bairro – Volume 2

Acordei com os gritos dos zumbis por volta das 4h. Cada vez mais inconvenientes, agora não só evacuam nas calçadas, como gritam de madrugada. Da minha cama, enrolado nas cobertas, pude ouvir claramente o diálogo estabelecido à minha janela. Somado ao barulho da movimentação, montei a cena na minha cabeça, mesmo com sono.

– Você tá maluco? Ele é morador! – gritou um zumbi.

Barulho de empurra-empurra. Passos corridos.

– ‘Deixa ele’ ir! É morador! – gritaram outros, indignados.

Meu vizinho, cujo rosto desconheço, foi embora – pelo que entendi. Os zumbis se dedicaram a dar esporros (aos berros) no traidor, que devia reconhecer seu erro, porque não se manifestou oralmente. Ele conhece as regras – as regras de convivência com os humanos de sua comunidade. Sim, sua.

Ele pode revirar o lixo dos humanos; fazer suas calçadas de vaso sanitário; assustá-los; acordá-los; pedir-lhes dinheiro ou cigarros; mas nunca, em hipótese alguma, assaltá-los. Não os humanos de sua vizinhança. Para roubos e furtos, deve-se dirigir a outros bairros. Quem decidiu assim? O mestre dos zumbis, responsável por sua manutenção. Mas esse zumbi espeficiamente se esqueceu. Sua abstinência não raciocina.

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