Resenha: Caetano Veloso – Turnê Abraçaço – Rio de Janeiro

Caetano Veloso escolheu o Rio de Janeiro para estrear a turnê do álbum “Abraçaço”. Os quatro shows ocorreram no Circo Voador, entre quinta (21/3) e domingo (24), com ingressos esgotados com quase dois meses de antecedência. Eu fui na quinta e no sábado – e me arrependo de não ter voltado na sexta e no domingo, porque eu sou assim: insaciável quando se trata do Caetano.

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Já o tinha visto no palco outras vezes, mas nunca dessa maneira. Nada de “Alegria, Alegria”, “Sozinho”, “O Leãozinho”, “Menino do Rio”, etc etc etc. Os maiores hits foram vetados da setlist do show novo, que prioriza, claro, as músicas do álbum lançado no fim do ano passado, que finaliza a trilogia com a banda Cê. Há canções antigas, mas não são escolhas óbvias: “Triste Bahia”, “Reconvexo” e “Você Não Entende Nada”, por exemplo. A mais pop é “A Luz de Tieta” no bis.

Eu mentiria se dissesse que não senti falta dos clássicos velosísticos pelos quais me apaixonei, mas entendo o momento do artista. Caetano Veloso, aos 70 anos, está se arriscando. Depois de dois trabalhos ao vivo relembrando êxitos (com Maria Gadú e, depois, com Ivete Sangalo e Gilberto Gil), é sábia e admirável a decisão de se colocar à prova com um material diferente. E a aprovação vem com louvor: o show é superanimado e todos saem satisfeitos e sorridentes. É uma experiência revitalizadora.

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Li algumas críticas da imprensa sobre a falta de interação do Caê com o público, mas isso depende do ponto de vista. Ele não está nada óbvio nesta turnê. Realmente, pouco fala com a plateia. Mas ri de si mesmo quando esquece parte da letra de “Abraçaço”; faz cara feia para as falhas do som no Circo; comemora os aplausos efusivos no fim das canções; dá a mão para todos do gargarejo; deixa as pessoas cantarem os versos famosos; e, no domingo, protesta contra o despejo dos índios da Aldeia Maracanã. É comunicação não-verbal na maioria das vezes, mas não deixa de ser interação.

De forma alguma, Caetano fica num pedestal durante o show. Pelo contrário, ele se aproxima tanto do público! Humaniza-se no palco, estabelecendo uma relação de confiança e intimidade com a plateia. Todo mundo joga junto pela apresentação. No domingo, aliás, a plateia era muito mais alto astral que a de quinta-feira, o que se refletiu no comportamento do cantor. Sem contar as letras das músicas… são Caê falando com a gente o tempo todo.

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Meu único incômodo é no fim do bis, quando ele e a banda dão um aceno de despedida e se vão sem mais nem menos. Ali realmente faltou um agradecimento, uma reverência, algo. A impressão é que haverá um segundo bis, que não acontece. Mesmo assim, isso é um detalhe. Caetano é uma joia rara.

SETLIST

“A Bossa Nova É Foda”
“Lindeza”
“Quando o Galo Cantou”
“Um Abraçaço”
“Parabéns”
“Homem”
“Um Comunista”
“Triste Bahia”
“Estou Triste”
“Odeio”
“Escapulário”
“Funk Melódico”
“Alguém Cantando”
“Quero Ser Justo”
“Eclipse Oculto”
“Mãe”
“Alexandre”
“O Império da Lei”
“Reconvexo”
“Você Não Entende Nada”
“Um Índio” (no sábado)
“Vinco”
“A Luz de Tieta”
“Outro”

AGENDA ABRAÇAÇO
Fortaleza – 6/4
São Paulo – 11 a 13/4
Petrolina – 20/4
Porto Alegre – 25/4
Belo Horizonte – 27 e 28/4
Salvador – 17/5
Recife 18/5

2 respostas para Resenha: Caetano Veloso – Turnê Abraçaço – Rio de Janeiro

  1. cissarego

    Foda esse povo quando vem pra Europa e pra gringo ver mesmo. Ingressos muito caros, datas inconvenientes. Enfim… Quem sabe ele faz um tour por aqui em breve?

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