Memória sonhada

“Eu abro meus olhos
Num instante tudo mudou
O retrato se foi
Só a sombra ficou aqui”

Tenho sonhos perturbadores. Considero pesadelos, ainda que não sejam típicos. Não há monstros, riscos de morte, nem nada assustador. Mesmo assim, acordo espantado. São sonhos que me lembram de pessoas que eu quero esquecer. Pessoas que eu tenho que esquecer. Pessoas que querem ser esquecidas. Por que meu cérebro não deixa?

Viajo para outro estado, conheço outra realidade, outras pessoas. Na hora de dormir, ele me assombra. Aparece no apartamento, como se fosse amigo do meu amigo. Mas não é. Sonhos. Entra, divertindo-se com meu incômodo. Parece real. Eu, desarrumado para o reencontro. De todos os lugares, aqui é onde menos lhe esperava. Mas meu cérebro me prega peças.

Outra noite, outro sonho. Outro ele, esse ainda mais inesperado, aparece ao meu lado, como se nunca tivesse saído dali. Em algum momento da história, que eu perdi, ele me desculpou. Gosto disso. Mas sei que é sonho. Um sexto sentido me diz que há algo errado. Mesmo assim, a sensação é boa. Meu cérebro me proporciona momentos de prazer, mas eu acordo e a lembrança se torna pesadelo.

A sensação se vai assim que abro os olhos e a razão se manifesta. No lugar, incômodos e questionamentos. Por quê vêm? De onde vêm? Para onde vão? O que tudo isso significa? Não sei, não sei, não sei, não sei. Meu cérebro não me responde. Nunca.

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