Carta do Tio Léo #3: monografia, Curitiba e reboque

Março voou – e dessa vez não eram só 28 dias!

Quer primeiro as partes boas ou as ruins? Ruins? Acho que te ouvi falando ruins. É melhor mesmo, assim terminamos o post em alto astral. Então, vamos lá: foi o mês da morte do Ferrugem, chefe de segurança de Sandy & Junior, que eu conheço desde pequenininho. Foi um baque para todos nós, como escrevi aqui. Fiquei muito, muito, muito abalado. Acho que todos que o conheciam ficaram no mesmo estado. 😥

Fora isso, ainda na parte ruim do post, tive que ir à universidade para descobrir quem será o orientador da minha monografia, o que basicamente significa que devo começar a desenvolvê-la. A apresentação para a banca está prevista para outubro/novembro, o que me dá cerca de seis meses para ler, escrever e diagramar tudo. Mas eu estou sem a MENOR vontade de trabalhar nisso. Totalmente desanimado. Monografia, né? Só sabe quem já passou por isso (e eu sinto que entreguei a da minha graduação ontem!).

Mas vamos falar de coisa boa? Iogurteira Top Therm. Não… brincadeira. Fui à Curitiba, gente! Nunca tinha visitado a cidade e me encantei. Pareceu um lugar ótimo para se viver. As pessoas são muito educadas, civilizadas, higiênicas e cuidadosas com as ruas. Lá, entendem que o que é público pertence a todo mundo (e não a ninguém, como pensam muitos). Estão de parabéns! Algumas fotos dos principais pontos turísticos:

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Na verdade, fui para conhecer pessoalmente um amigo chamado Nader. Nós nos falamos pela Internet há uns bons seis anos, no mínimo. Fiquei hospedado na casa dele e ele me levou para conhecer todos os pontos turísticos da cidade (nada como ter um guia!). Mas passamos um perrengue no último dia… Estávamos no Parque Barigui, que é um lugar enorme e cheio de gente, e ele perdeu a chave do carro. Procuramos e, claro, não achamos, então tivemos que esperar um cara do seguro vir abrir o carro e depois outro vir rebocá-lo até um chaveiro. Passamos longas horas no estacionamento, que estava com uma festa de funkeiros (“pelegos”, dizia meu amigo)! Depois, mais algumas horas no chaveiro, que não conseguiu fazer uma chave nova. Então, mais algumas horas esperando por mais um reboque. Hahahaha Essa novela durou a tarde e a noite inteiras! Perdi meu último dia de viagem, mas pelo menos tenho essa história para te contar. Aventura em Curitiba.

Agora, como de costume, vamos falar de “Condenáveis”, que é sempre uma coisa boa. Sairam mais duas resenha sobre o livro. Uma foi no blog Cadê Minha Fluoxetina?, que deu três coraçõezinhos. A menina tirou um só porque leu em e-book, mas tudo bem. A gente releva. A outra foi no site do autor Sergio Carmach, que me chamou de injusto, infantil e mimado, mas sei que foi de coração haha Todas as resenhas até agora foram tão boas, que realmente só tenho a agradecer. Nunca esperei que a resposta desse projeto seria tão positiva;)

Falando nisso, estou começando a sentir a necessidade de trabalhar a sério no próximo livro. Tenho pensado muito nisso, mas não sei se estou preparado. Só dá para descobrir fazendo, não é? Quem sabe se não rola? “Condenáveis” foi escrito paralelamente à minha monografia da faculdade e esse ano eu tenho que escrever a da pós-graduação. Vai que eu sou uma pessoa louca, que gosta de se encher de mil tarefas ao mesmo tempo…

Fique ligado! 😉

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[Dica da semana] Início da venda dos ingressos para o Rock in Rio

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A dica da semana é separar o cartão de crédito, dar uma olhada na line-up do Rock in Rio, juntar a galera e se preparar para o início da venda dos ingressos. Vai começar na próxima quinta (4/4), a partir das 10h, exclusivamente pela Internet. Estejam preparados, portanto, para sobrecarga no servidor e problemas na efetuação da compra. Vai ser um Deus nos acuda!

Neste ano, o festival terá sete dias, entre 13 e 22 de setembro, com capacidade para 80 mil pessoas em cada dia. Na edição passada, eram 100 mil, o que torna essa ainda mais disputada. Sem contar que já foram vendidos 140 mil ingressos na pré-venda (20 mil para cada dia). M-e-d-o! Tem que comprar logo, porque vai acabar rápido e, depois, as revendas clandestinas sofrem inflação. Em 2011, revendiam até pelo quíntuplo do valor original.

Falando em preço, já ia esquecendo: a entrada para cada dia custará R$260 (inteira) e R$130 (meia-entrada). Como Medina é legal para caramba, não havará taxa de (in)conveniência 😉 Então, é isso: dia 4, galera!

Resenha: Caetano Veloso – Turnê Abraçaço – Rio de Janeiro

Caetano Veloso escolheu o Rio de Janeiro para estrear a turnê do álbum “Abraçaço”. Os quatro shows ocorreram no Circo Voador, entre quinta (21/3) e domingo (24), com ingressos esgotados com quase dois meses de antecedência. Eu fui na quinta e no sábado – e me arrependo de não ter voltado na sexta e no domingo, porque eu sou assim: insaciável quando se trata do Caetano.

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Já o tinha visto no palco outras vezes, mas nunca dessa maneira. Nada de “Alegria, Alegria”, “Sozinho”, “O Leãozinho”, “Menino do Rio”, etc etc etc. Os maiores hits foram vetados da setlist do show novo, que prioriza, claro, as músicas do álbum lançado no fim do ano passado, que finaliza a trilogia com a banda Cê. Há canções antigas, mas não são escolhas óbvias: “Triste Bahia”, “Reconvexo” e “Você Não Entende Nada”, por exemplo. A mais pop é “A Luz de Tieta” no bis.

Eu mentiria se dissesse que não senti falta dos clássicos velosísticos pelos quais me apaixonei, mas entendo o momento do artista. Caetano Veloso, aos 70 anos, está se arriscando. Depois de dois trabalhos ao vivo relembrando êxitos (com Maria Gadú e, depois, com Ivete Sangalo e Gilberto Gil), é sábia e admirável a decisão de se colocar à prova com um material diferente. E a aprovação vem com louvor: o show é superanimado e todos saem satisfeitos e sorridentes. É uma experiência revitalizadora.

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Li algumas críticas da imprensa sobre a falta de interação do Caê com o público, mas isso depende do ponto de vista. Ele não está nada óbvio nesta turnê. Realmente, pouco fala com a plateia. Mas ri de si mesmo quando esquece parte da letra de “Abraçaço”; faz cara feia para as falhas do som no Circo; comemora os aplausos efusivos no fim das canções; dá a mão para todos do gargarejo; deixa as pessoas cantarem os versos famosos; e, no domingo, protesta contra o despejo dos índios da Aldeia Maracanã. É comunicação não-verbal na maioria das vezes, mas não deixa de ser interação.

De forma alguma, Caetano fica num pedestal durante o show. Pelo contrário, ele se aproxima tanto do público! Humaniza-se no palco, estabelecendo uma relação de confiança e intimidade com a plateia. Todo mundo joga junto pela apresentação. No domingo, aliás, a plateia era muito mais alto astral que a de quinta-feira, o que se refletiu no comportamento do cantor. Sem contar as letras das músicas… são Caê falando com a gente o tempo todo.

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Meu único incômodo é no fim do bis, quando ele e a banda dão um aceno de despedida e se vão sem mais nem menos. Ali realmente faltou um agradecimento, uma reverência, algo. A impressão é que haverá um segundo bis, que não acontece. Mesmo assim, isso é um detalhe. Caetano é uma joia rara.

SETLIST

“A Bossa Nova É Foda”
“Lindeza”
“Quando o Galo Cantou”
“Um Abraçaço”
“Parabéns”
“Homem”
“Um Comunista”
“Triste Bahia”
“Estou Triste”
“Odeio”
“Escapulário”
“Funk Melódico”
“Alguém Cantando”
“Quero Ser Justo”
“Eclipse Oculto”
“Mãe”
“Alexandre”
“O Império da Lei”
“Reconvexo”
“Você Não Entende Nada”
“Um Índio” (no sábado)
“Vinco”
“A Luz de Tieta”
“Outro”

AGENDA ABRAÇAÇO
Fortaleza – 6/4
São Paulo – 11 a 13/4
Petrolina – 20/4
Porto Alegre – 25/4
Belo Horizonte – 27 e 28/4
Salvador – 17/5
Recife 18/5

Você não está matando aula não, né?

Seja como for, agora eu sei
Que o meu papel não é ser herói no céu
É na Terra que eu vou viver.

É normal ter medo. A vida inteira, a gente teme. O próximo passo, o passo em falso, o tropeção, a mudança de caminho, o salto, os abismos. Temos medo de ideias, de pensamentos, de hipóteses. Mas há coisas que simplesmente esquecemos de temer. Deveríamos, mas ignoramos o risco. A coragem é, muitas vezes, a ignorância maquiada.

Ela não é, no entanto, um impedimento para que as situações se desenvolvam. Assim, vem o baque. Quem tem medo de cair não fica paralisado quando cai. Levanta logo. Só paralisa quem não imaginava que isso poderia acontecer – quem esqueceu de temer a queda. O medo é um aviso e, muitas vezes, um preparo.

É normal ter medo, mas às vezes eu esqueço. Há fatalidades que simplesmente não passam pela minha cabeça. Gostaria de tê-las temido. Sua concretização me deixaria triste do mesmo jeito, mas eu pelo menos não ficaria em estado de choque. Não ficaria zonzo, sem ação. Eu assimilaria com mais facilidade. Choraria de uma vez, sem aquele período de encubação.

Super-heróis não morrem, eu pensava. A gente teme, no máximo, que se machuquem. Mas não morrem. Heróis não precisam de socorro. Eles socorrem. Pelo menos, essa é a imagem e a mensagem que passam e que acreditamos. Mas eles não são invencíveis. De uma hora para outra, algo pode abatê-los. A gente ignora essa hipótese, mas ela existe e se concretiza. Gostaria de ter temido. Gostaria de não ter paralisado.

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Ferrugem: um ícone da minha infância e adolescência. Um homem que eu realmente acreditava ser um super-herói. Um super-homem. Ficam as lembranças dos conselhos, das piadas, das brincadeiras, da proteção, do respeito mútuo e da confiança.

[Dica da semana] Filme “Loucamente Apaixonados”, disponível em DVD

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Faz tempo que quero falar de “Like Crazy” aqui. O filme – que no Brasil saiu direto em DVD e ganhou o título de “Loucamente Apaixonados” – tem uma das minhas histórias de amor favoritas. Já vi várias vezes, principalmente quando preciso entender melhor meus sentimentos (e, de quebra, dar uma choradinha). É, basicamente, sobre um relacionamento à distância.

Ao contrário de “Amor à Distância” (Going the Distance), com Drew Barrymore e Justin Long, “Loucamente Apaixonados” ganha intensidade ao fugir da comédia romântica. É um drama doído, mais verossímil, mais desesperado. O filme acompanha a inglesa Anna (Felicity Jones) e o norte-americano Jacob (Anton Yelchin), que se conhecem durante os estudos dela nos EUA e se apaixonam. Quando o visto de estudante vence, ela decide continuar no país pelas férias – uma atitude inconsequente, que depois resulta no impedimento da sua entrada nos EUA.

O conflito surge exatamente aí, quando ela volta para a Inglaterra e não consegue mais entrar nos EUA nos anos posteriores (é literalmente barrada pela Polícia Federal no aeroporto), obrigando-os a ficarem separados. Fuso horário, saudade, affairs locais, conquistas profissionais que te prendem ao local em que se vive, viagens impulsivas, DDI, pressões, cobranças e muita burocracia formam a receita desse romance.

Por que assistir a esse sofrimento? Primeiro, porque o roteiro é muito sensível e o cineasta Drake Doremus, que assina o texto e a direção, conseguiu captar com primor os ônus desse tipo de relacionamento. Segundo, porque o elenco é muito bom (conta ainda com Jennifer Lawrence, que vive um namorico com Jacob). Terceiro, porque o filme ganhou dois troféus do júri no Festival de Sundance de 2011. Quarto, porque eu, que já vivi um namoro nesses moldes, estou indicando. Todos os grilos e medos dos personagens foram vividos por mim. Assista-o e entenda-me.

Dani Calabresa estreia na TV aberta e salva estreia da nova temporada do “CQC”

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Parei para ver a estreia da Dani Calabresa na TV aberta na segunda (18/3). Desde que soube que ela havia sido contratada pela Band para integrar o elenco do “CQC”, fiquei curioso e, porque não dizer, receoso. Gostava muito do seu trabalho na MTV e, a princípio, achei que ela estava fazendo um mau negócio com a mudança. “Dani só tem a perder”, arrisquei.

Um canal aberto não daria a ela a mesma liberdade criativa que a MTV – muito menos o “CQC”, que afastou o Rafinha Bastos de sua bancada por causa de uma piada de mau gosto. Também não conseguia visualizar como ela se enquadraria no programa, após as notícias de que Dani não seria repórter nem apresentadora, mas ganharia um quadro de ficção. Esquetes no “CQC”? Estranho…

Ao contrário do que pensava, funcionou. Dani abriu o humorístico contracenando com o resto do elenco, simulando uma disputa de egos com a veterana repórter Mônica Iozzi e fazendo sua certeira imitação da Narcisa Tamborindeguy. Para completar, contou com as participações da Val Marchiori e da Sabrina Sato. Foi engraçado, claro, mas não parecia o “CQC” – o que foi bom, nesta altura do campeonato.

A ex-“Furo MTV” conseguiu dar novo fôlego ao programa com sua primeira aparição, mas ficou sem sintonia com os quadros seguintes, que continuam iguaizinhos em sua 6ª temporada. Vieram matérias sobre a Comissão dos Direitos Humanos, um show sertanejo e o conclave católico, nem sempre divertidas. Interessantes, bem produzidas, mas não engraçdas. Para salvar, Dani voltou – ao vivo – e mostrou de novo a que veio.

Apresentada ao público por Marcelo Tas, como se isso fosse necessário, ela comemorou que agora será vista pelas massas (motivo alegado para sair da MTV, onde registrava audiência de 0,2 pontos) e apresentou seu novo quadro, que mescla notícias reais com humor (isso te lembra alguma coisa?). De novo, funcionou – e dessa vez fez mais sentido com o formato do “CQC”.

Aos poucos, Dani Calabresa encontrará seu espaço no programa da Band. Ela é ótima e mostrou isso em todas suas aparições, que deixaram gostinho de “quero mais”. Não acho mais que ela só tem a perder com essa contratação. Dani, de fato, ganhará visibilidade e novas oportunidades. A MTV perdeu. A Band ganhou. O “CQC” ganhou. E Dani? Que use o programa como porta de entrada na TV aberta. Mas não crie raízes.

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[Dica da semana] “Como Vencer na Vida Sem Fazer Força”

“Como Vencer na Vida Sem Fazer Força” estreou no fim de semana passado no teatro Oi Casa Grande, no Leblon, e eu o assisti na quinta (14/3). Relativamente superficial, o musical adaptado do livro homônimo de Shepherd Mead é uma boa pedida para quem quer ver um espetáculo bem produzido, engraçado e divertido – esses últimos adjetivos graças aos atores Luís Fernando Guimarães e Adriana Garambone (de “Chicago”).

A versão brasileira de “How To Succed in Businees Without Really Trying”, de 1961, ficou sob os cuidados da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho – os mesmos de “O Mágico de Oz” (2012), “Um Violinista no Telhado” (2011) e “Hair” (2010). O protagonista é o estreante em musicais Gregório Duvivier, que faz sucesso na Internet como parte da produtora Porta dos Fundos. Ele assume o papel que foi de Daniel Radcliffe e Nick Jonas nas recentes montagens da Broadway.

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Na trama, Gregório é J.P. Finch, um jovem ambicioso, que se vale de um livro de autoajuda para crescer na empresa da qual é contratado. Vale tudo, menos trabalhar de verdade. Ao conseguir uma promoção, ele já está de olho em outra, puxando o saco de todo mundo que interessa. Não há tempo para qualificar-se. Há, aliás, uma série de piadas envolvendo universidades. Bem superficial, eu avisei, mas funciona, principalmente se você preferir olhar isso tudo como uma crítica em vez de uma ode à malandragem.

Gregório cumpre com decência suas cenas de cantoria, embora não se compare ao elenco mais experiente. São as mulheres que dão show nos vocais: Garambone, Letícia Colin (“Hair”) e Gottsha (“Xanadu”) estão impecáveis em todas suas entradas. Luís Fernando Guimarães, hiper carismático, fica ofegante no fim de algumas cenas, verdade seja dita. Mesmo assim, ele segura no improviso e faz graça de si mesmo. Não o trocaria por um cantor melhor.

Para quem está no Rio, as informações:
Como Vencer na Vida sem Fazer Força
Oi Casa Grande – Av. Afrânio de Mello Franco, 290 – Leblon – Tel.: (21) 2511-0800
Quinta e sexta, às 21h; sábado, às 17h e 21h; domingo às 19h
Preços: R$ 40 (Balcão Setor 3); R$ 80 (Balcão Setor 2), R$ 150 (Plateia Setor 1) e R$ 190 (Plateia VIP)
Espetáculo não recomendado para menores de 12 anos
Em cartaz até 16/6/2013

Para quem não está no Rio, alguns vídeos:

…e mais alguns da montagem da Broadway:


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