2012: o ano que mais recebi “parabéns” em toda minha vida

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No fim do ano, gosto mais de olhar para trás e ver como percorri os 365 dias do que fazer resoluções para os meses que virão – o que com certeza revela muito de mim. Então, quero falar de 2012, muito mais do que fazer planos para 2013 (isso eu deixo para depois do Carnaval). Sem sombra de dúvidas, vivi um ano muito, muito, muito especial, de crescimento, realizações e superações.

Nunca ouvi tantos “parabéns” quanto em 2012. Geralmente, só me parabenizam no meu aniversário (hahaha!). Mas dessa vez tive minha formatura da graduação em abril e o lançamento do meu livro em junho, com a indicação do Faustão no “Domingão”. Recebi muito carinho e isso me fez muito bem. Senti-me abraçado em momentos em que precisava justamente disso.

“Condenáveis – Uma História de Filho e Pai”, aliás, merece um parágrafo exclusivo. Esse foi meu grande, repentino e exitoso projeto do ano. Em pensar que eu tive dúvidas sobre lançá-lo ou não (obrigado, Laura Albert, por me incentivar mesmo sem saber!). Não digo que o livro não tenha sido algo pelo qual batalhei, mas também foi um presente do destino para mim. Descobri, ou melhor, tomei consciência de algo que gosto de fazer e que me dá um prazer profundo. A resposta e o carinho dos leitores, a identificação deles e as emoções compartilhadas são algo que eu não alcançaria apenas como jornalista.

Profissionalmente, comecei o ano com um pedido de demissão, o que foi um necessário salto no escuro, mas tive uma rápida admissão em outro site. Ainda não me realizei como profissional, mas tive um ano bastante cômodo e agradável, que era justamente o que eu precisava depois de um período de estresse. Mas, mais do que isso, 2012 foi um período de investimento, com o início da minha pós-graduação em Jornalismo Cultural – uma meta estabelecida ainda no Ensino Médio. Fico contente de poder realizar o que planejei para mim. Satisfeito não, porque satisfação não é uma palavra compatível com minha personalidade, mas contente.

Mudando de assunto, pude fazer mais uma viagem a Buenos Aires (e comprovar o sucesso de “Ai Se Eu Te Pego” no verão de lá…) no início do ano e voltar a São Paulo depois de tanto tempo – para ver o show do argentino Fito Páez. Em SP, pude reencontrar amigos de quem tinha muita saudade da presença física e me divertir muito. Já estou planejando outros voos para abraçar outros queridos…

Ainda no âmbito pessoal, tive o desfecho de um relacionamento no qual eu acreditava e apostava. Mas, ao invés de focar no lado dramático disso, prefiro entender que amei e fui amado em 16% dos dias de 2012. Ou seja, fui pleno: tive avanços e descobertas profissionais, realizações, viagens, e amor. Não faltou nada. Ainda fiz novos amigos, que espero ter sabedoria para mantê-los ao meu lado 😉

Na verdade, é muito curioso chegar a essa conclusão, porque 2012 não foi um ano intenso e eufórico. Não o senti assim. Enquanto o vivi, não tive noção do quanto ele era proveitoso. Os acontecimentos se sucederam naturalmente e agora, que chego ao fim e olho para trás, percebo o quanto tudo foi… bom. Não estou dizendo que foi um ano perfeito. Não foi. Nenhum nunca será. Houve momentos de sofrimento, de perdas, de desorientação e de solidão, que impedem ilustrá-lo com fogos de artíficio. Mas tudo se torna muito pequeno comparado às conquistas e às novas perspectivas. É a questão de olhar a metade cheia do copo.

Para 2013, desejo que o copo se encha mais. O ano que chega ao fim hoje fez muito sentido para mim, e acredito que o próximo será uma fase de transição, igualmente lógica, mas estou sempre aberto às surpresas. Que os ventos tragam – para mim e para quem me lê – momentos divertidos, pessoas encantadoras, boas oportunidades e mais autoconhecimento. Que consigamos alcançar nossas metas, mas também aproveitar o inesperado. Felicidades!

O dia em que casei meus amigos

O título está certo e não é nenhuma espécie de brincadeira. Deixe-me explicar como tudo aconteceu: era a véspera do casamento da Jeanne e do Ramón e eu já estava ansioso o suficiente. Seria a primeira cerimônia que eu assistiria – desconsiderando a da Carol e do Carlinhos, que foi no dia seguinte do fim do meu namoro e eu não estava no meu melhor estado. Tinha certeza que tudo seria lindo e queria que ocorresse logo. Mas a noiva preparou uma surpresa para mim: às 23h, me avisou que eu seria o mestre de cerimônia. Opa!

É verdade que ela já havia me sondado antes, muito antes, mas como não havia voltado a falar mais nada, não dei bola. De repente, o assunto estava de volta, em cima da hora. “Não se desespere”, ela me disse. Foi o que fiz: não me desesperei, afinal eu mal sabia o que um mestre de cerimônia significava. Pedi instruções.

– Te aviso em breve. O quanto antes te explico. – como toda noiva, estava atolada.

Em breve seria a cerimônia, vale lembrar. Estava marcada para às 19h do dia seguinte.

– Tudo bem. Tudo vai dar certo. Se não der, deixo seus convidados rirem de mim.

O quanto antes foi às 13h do dia seguinte, quando Jeanne me passou um texto chamado “Promessas de Casamento”, da Martha Medeiros, para que eu lesse na cerimônia. Ok. “Fácil”, pensei. O texto é muito legal mesmo e, aliás, deveria ser lido em todos os casamentos (leia aqui). Mas seria só isso? “Não, tem mais”, ela me falou. Claro que tinha.

Vale uma explicação: os noivos, que já haviam se casado na Suíça, optaram por uma celebração sem vínculo religioso aqui no Brasil. Não haveria padre, pastor ou pai de santo. Neste caso, o mestre de cerimônia ocuparia essa vaga – a de ficar lá na frente o tempo inteiro, conduzindo o evento. E o mestre de cerimônia era eu, que ainda tinha que escrever dois textos, uma introdução e um encerramento, e se possível ensaiar.

Só que não havia tempo! A festa era em Maricá – outra cidade – e eu tinha que correr para Niterói – outra cidade também, no meio do caminho – para me arrumar e encontrar minha amiga que me daria uma carona. Quando recebi as instruções, aliás, estava de saída. Foi no caminho Rio-Niterói que desenvolvi minha estreia e a ficha começou a cair… Eu não assistiria a mais nada, eu faria parte da coisa toda. Surreal.

Acabou que outras incumbências apareceram até a hora H e, na verdade, me diverti muito participando de tudo. É verdade, não tive tempo para ensaiar. Do nada, estava lá na frente, com todos sentados à minha frente (embora eu não os visse, sem óculos), esperando a noiva. Que emoção! Comecei assim:

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“Boa noite! Conheço alguns de vocês, mas não a maioria. Meu nome é Leonardo Torres e a Jeanne e o Ramon me escolheram para conduzir a cerimônia ontem à noite. Sei o que vocês estão pensando: que sou uma espécie de substituto de última hora. Mas não sou, ok? Mesmo sem experiência, aceitei o convite, porque não perderia essa chance de me exibir. Brincadeira. Jamais diria não à celebração do amor, que é o sentimento mais nobre que existe…”

E daí em diante foi só festa. Fiquei mais nervoso antes do que durante o momento, como quase sempre acontece comigo. Graças a Deus, gosto de falar em público e, durante a cerimônia, fui me soltando cada vez mais. Apostei no humor para as minhas declarações, em busca de descontração, e acho que consegui. No fim, muita gente veio me dar os parabéns – pessoas que eu não conhecia, imparciais. Fiquei tão feliz! Orgulhoso de mim e dos noivos.

Nunca imaginei que casaria ninguém. Foi uma dessas surpresas que a vida te prepara e você abraça. Estou tão satisfeito de ter feito parte da história desse casal (foi uma ótima maneira de encerrar o ano!). Disse e repito: vocês já provaram que têm capacidade de construir uma vida de amor juntos. Desejo muita tolerância, paciência, respeito e admiração mútua entre vocês para que essa história continue. “Agora, é com vocês” 😉 Felicidades.

Alerta: O MUNDO NÃO ACABOU!

Se você está lendo esse post, o mundo não acabou. O escrevi há alguns dias e o programei para 11:12 do dia 21 de dezembro de 2012. Disseram que o mundo acabaria às 11:11 (horário de Brasília). Então, se você está mesmo lendo isso, mentiram. Ou você sobreviveu e está flutuando pelo espaço sideral, com acesso à Internet pelo celular. Se esse é o contexto real, muito obrigado por me ler logo após o… apocalipse (?).

Mesmo assim, desconfio que o mundo não tenha acabado e que talvez, neste instante, eu também esteja relendo meu próprio post para revisá-lo. Ah, não. Se ainda são 11:12, estou dormindo. Acordo pontualmente ao meio-dia, quando começo a trabalhar. É a vantagem de se trabalhar de casa. Isso significa, então, que terei que trabalhar hoje? Ok.

Aliás, onde eu estava com a cabeça para dormir enquanto o mundo acabava? Isso é tão sem graça. Se eu tivesse acreditado nessa história por um segundo sequer, estaria acordado, pilhado, à espera da morte. Ou algo assim. Mas ninguém mais acredita no fim do mundo, não é mesmo? Pelo menos, não assim, com data marcada. Catástrofes não são tão metódicas. (“não são tão” – que frase!)

Convivemos com o fim do mundo todos os dias, desde que tomamos consciência da nossa própria existência. Quando nos deitamos para dormir, não temos certeza de acordar no dia seguinte. Entregamo-nos à sorte. Pensa. Cada despertar é uma nova chance, um alívio. Sobrevivemos e o mundo ainda está aqui – não exatamente intacto, mas está.

A única certeza da vida, não se pode negar, é a morte. Aprendemos ainda cedo sobre o ciclo da vida. O fim de todos é o mesmo: “nasce, cresce, se reproduz (opcional) e morre”. Morre. Morrer é o fim do mundo individual. Por essas e outras que ficamos contentes com a ideia de um fim do mundo coletivo (lembra na virada do milênio, nosso primeiro “fim do mundo”?). Não é gostoso imaginar que o mundo deixará de existir após sua morte? Pelo menos, seu namorado não terá a chance de comer aquela vadia.

Cara, o mundo não acabou! E se você está lendo isso, você acordou e está vivo! Mas o mundo está acabando. Você está acabando. Milhares de pessoas passam fome e perdem a dignidade nas ruas; animais são maltratados, assassinados, extinguidos; florestas são queimadas, destruídas, arrasadas; e aquela vadia continua dando mole pro seu cara (!). A Terra pode não ter acabado, mas está cada vez pior. O que esperamos para acabar, sim, com ESSE mundo e construir um melhor?

*Post sem ilustrações, porque acredito que, se o mundo acabou, talvez a Internet não leia mais JPG.

Os 20 melhores filmes que você NÃO VIU em 2012

Vamos estabelecer uma tradição? No ano passado, listei “os 20 melhores filmes que você não viu em 2011“, e o post repercutiu bastante, não aqui no blog, onde vocês evitam comentar, mas nas redes sociais e em conversas diretas comigo. As pessoas gostaram tanto, e foram assistir às minhas recomendações, que eu decidi trazer de volta o ranking:

OS 20 MELHORES FILMES QUE VOCÊ NÃO VIU EM 2012

Ele consiste basicamente na lista dos meus filmes favoritos do ano, desconsiderando os blockbusters e aqueles que todo mundo conhece. Baseado nisso, “Branca de Neve e o Caçador” e “Para Roma Com Amor”, por exemplo, ficaram de fora. A ideia é justamente trazer algo novo para quem confia no meu gosto (ou quem não confia, mas gosta de se arriscar 😉 ). Os critérios são extremamente subjetivos e flexíveis, e justamente por isso tive dificuldade para fechar o TOP 20 deste ano. Tentei montar uma lista bem variada, com títulos para todos os gostos, mas você pode reclamar se achar tudo uma bosta. No ano que vem, tem mais.

tumblr_mbm6asnLO11qh9jato2_12801. Dentro de Casa (Dans la Maison) – Exibido no Festival do Rio
País: França
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon (adaptado de Juan Mayorga)
Elenco: Kristen Scott Thomas, Fabrice Luchini, Ernst Umhauer
Sinopse: Adolescente toma a casa do colega de classe como inspiração para sua escrita e, incentivado pelo professor de Literatura, se intromete no lar, interessando-se pela mãe do amigo.
Repercussão: Premiado nos festivais de Toronto e San Sebastián
Porque assistir: Como já disse anteriormente, é uma história perturbadora, mas hipnotizante e irresistível. Uma das surpresas do ano.

ate_a_eternidade2. Até a Eternidade (Les Petits Mouchoirs) – Exibido em Circuito Limitado
País: França
Direção: Guillaume Canet
Roteiro: Guillaume Canet
Elenco: Marion Cotillard, François Cluzet, Gilles Lellouche, Jean Dujardin
Sinopse: Apesar de um evento traumático, um grupo de amigos decide manter as férias anuais na praia. A relação entre eles, suas convicções, senso de culpa e amizade serão levados às últimas consequências, com confissões das mentiras que têm contado uns aos outros.
Repercussão: Indicação de Melhor Filme no European Film Awards 2011 (o longa chegou aqui com dois anos de atraso)
Porque assistir: Apesar de trazer vários personagens, todos são preciosamente bem construídos, com atuações primorosas, e conflitos envolventes e bem conduzidos. É reflexivo e emocionante.

Heleno.-Rodrigo-Santoro.3. Heleno – Fracasso de Bilheteria
País: Brasil
Direção: José Henrique Fonseca
Roteiro: José Henrique Fonseca, Felipe Bragança e Fernando Castets
Elenco: Rodrigo Santoro, Alinne Moraes, Erom Cordeiro
Sinopse: Cinebiografia do jogador de futebol Heleno de Freitas, considerado príncipe do Rio de Janeiro nos anos 1940 e uma grande promessa do esporte, não cumprida devido à sífilis e sua indisciplina.
Repercussão: Prêmio de Melhor Ator para Rodrigo Santoro no Prêmio Contigo de Cinema, no Lima Latin American Film Festival e no Havana Film Festival.
Porque assistir: Para desfrutar da excelente atuação do Rodrigo Santoro, mais uma vez incrível, em um dos filmes mais injustiçados do ano. Não é só para quem é fã de futebol, porque o esporte é apenas o contexto.

tumblr_me4exw2WWv1qzadpmo4_12804. A Irmã da Sua Irmã (Your Sister’s Sister) – Exibido no Festival do Rio
País: Estados Unidos
Direção: Lynn Shelton
Roteiro: Lynn Shelton
Elenco: Emily Blunt, Mark Duplass, Rosemarie DeWitt
Sinopse: Jack não supera a morte do irmão e decide se isolar na cabana da cunhada Iris para superar seus traumas. Ao chegar lá, no entanto, se depara com Hannah, irmã da Íris, que acabou de terminar um relacionamento de sete anos. Quando os dois se entendem, Íris chega ao local com uma série de revelações inesperadas para os dois.
Repercussão: Indicado ao Independent Spirit Awards 2013.
Porque assistir: Tão contemporâneo, tão real, tão possível, tão humano. Para quem gosta de gente.

news_electrick_onesheet5. Electrick Children – Exibido no Festival do Rio
País: Estados Unidos
Direção: Rebecca Thomas
Roteiro: Rebecca Thomas
Elenco: Julia Garner, Billy Zane
Sinopse: Jovem de 15 anos, oriunda de uma família mórmon, descobre uma fita cassete proibida de rock’n’roll e, três meses depois, descobre que está grávida. Convicta de um milagre, ela decide ir a Las Vegas para buscar a voz da música, que acredita ter lhe engravidado.
Repercussão: Protagonista indicada ao Independent Spirit Awards 2013.
Porque assistir: Poderia ter caído em um caldeirão de clichês, mas escapou disso. Eu me encantei, mas não sei expressar o que senti em palavras.

moonrise-kingdom-poster6. Moonrise Kingdom – Exibido no Festival do Rio
País: Estados Unidos
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson e Roman Coppola
Elenco: Frances McDormand, Edward Norton, Tilda Swinton, Bruce Willis
Sinopse: Suzy e Sam vivem em uma ilha tranquila da costa da Nova Inglaterra. Ela mora com os pais e três irmãos mais novos. Sam é orfão e vive com os pais adotivos e uma tropa de escoteiros. Os dois têm em comum a idade, 12 anos, e o sonho de serem livres. No verão de 1965, vivem a experiência do primeiro amor, fazem um pacto secreto e fogem juntos.
Repercussão: Cinco indicações ao Independent Spirit Awards 2013 e uma ao Globo de Ouro 2013.
Porque assistir: Esse filme é tão lindo que é patético eu ter que te dar algum motivo para assisti-lo. Ele tem todos os motivos!!!

pieta_poster7. Pietá – Exibido no Festival do Rio
Estreia prevista para 13 de março de 2013*
País: Coreia do Sul
Direção: Kim Ki-duk
Roteiro: Kim Ki-duk
Elenco: Lee Jung-Jin
Sinopse: Kang-do trabalha cobrando empréstimos devidos a agiotas. Sem família, ele vive um cotidiano brutal e solitário, empregando métodos violentos para extorquir suas vítimas. Tudo muda quando ele é abordado por uma mulher que afirma ser sua mãe. Apesar da rejeição inicial de Kang-do, ela insiste pacientemente e ele aos poucos acaba aceitando-a em sua vida.
Repercussão: Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza.
Porque assistir: É perturbador e repulsivo, e bom justamente por causa disso.

The-Sessions-Poster1-439x6508. As Sessões (The Sessions) – Exibido no Festival do Rio
Estreia prevista para 15 de fevereiro de 2013
País: Estados Unidos
Direção: Ben Lewin
Roteiro: Ben Lewin
Elenco: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy
Sinopse: Aos 36 anos, Mark O’Brien vive paralisado desde a infância, vítima da poliomielite. Ele decide, então, que finalmente é hora de perder sua virgindade. Com o apoio de sua cuidadora Vera e de um excêntrico padre, Mark contrata os serviços de Cheryl, uma terapeuta sexual.
Repercussão: Vencedor do Festival de Sundance (público e crítica); duas indicações ao Globo de Ouro 2013 e ao Independent Spirit Awards 2013.
Porque assistir: Já disse aqui que esperava um pastelão, mas o filme não tem nada a ver com isso. É pura sensibilidade e John Hawkes está aplaudível.

the-door-poster019. Atrás da Porta (The Door) – Exibido no Festival do Rio
Estreia prevista para 15 de fevereiro
País: Alemanha / Hungria
Direção: István Szabó
Roteiro: István Szabó, Martina Gedeck
Elenco: Helen Mirren,
Sinopse: Escritora se muda para uma nova casa na Hungria dos anos 1960 e contrata a misteriosa senhora Emerence para as atividades domésticas. No início, ela estranha o jeito rude da empregada, que não permite que ninguém entre em sua casa, o que gera alguns boatos na vizinhança. Depois, porém, as duas acabam desenvolvendo uma inesperada relação.
Porque assistir: Helen Mirren.

smashed-poster-la-10-10-1210. Smashed – Exibido no Festival do Rio
País: Estados Unidos
Direção: James Ponsoldt
Roteiro: James Ponsoldt e Susan Burke
Elenco: Mary Elizabeth Winstead, Aaron Paul, Octavia Spencer
Sinopse: Professora do primário, Kate decide abandonar o alcoolismo e entrar no AA para ficar sóbria, mas nem tudo será fácil nesta jornada, pois essa transformação trará à tona outros problema da sua vida.
Repercussão: Prêmio do júri no Festival de Sundance; indicado ao Independent Spirit Awards 2013.
Porque assistir: Acho que nunca a superação do alcoolismo foi tão bem explorada.

rustandbone_brazil_poster11. Ferrugem e Osso (De Rouille et D’os) – Exibido no Festival do Rio
Estreia prevista para 25 de janeiro de 2013
País: França / Bélgica
Direção: Jacques Audiard
Roteiro: Jacques Audiard, Thomas Bidegain e Craig Davidson
Elenco: Marion Cotillard, Matthias Schoenaerts
Sinopse: Alain está desempregado e parte com o filho de cinco anos para a casa da irmã, em busca de ajuda, e logo consegue um emprego como segurança de boate. Um dia, ao apartar uma confusão, conhece Stéphanie, uma bela treinadora de orcas. Alain a leva em casa e deixa seu cartão com ela, caso precise de algum serviço. O que eles não esperavam era que, pouco tempo depois, Stéphanie sofreria um grave acidente que mudaria sua vida para sempre.
Repercussão: Duas indicações ao Globo de Ouro 2013 e uma ao Independent Spirit Awards 2013.
Porque assistir: O filme é inteiro lindo e prazeroso de se ver, porque tem tudo para ser um dramalhão, mas não é. Os personagens são tão fortes, apesar das adversidades. Marion e Matthias estão igualmente premiáveis.

killer-joe-poster12. Killer Joe – Matador de Aluguel (Killer Joe) – Exibido no Festival do Rio
Estreia prevista para 18 de janeiro de 2013
País: Estados Unidos
Direção: William Friedkin
Roteiro: Tracy Letts
Elenco: Matthew McConaughey, Emile Hirsch, Juno Temple, Thomas Haden Church
Sinopse: Em Dallas, Joe é um detetive, mas também um assassino por encomenda. Quando Chris, um traficante de 22 anos, tem seu estoque roubado pela própria mãe, ele deve rapidamente encontrar 6 mil reais, senão será assassinado. Chris recorre então a “Killer Joe”, lembrando que o seguro de vida de sua mãe vale 50 mil dólares.
Repercussão: Indicado so Independent Spirit Awards 2013.
Porque assistir: Você vai querer entender o frango do pôster.

25179013. Polissia (Polisse) – Exibido em Circuito Limitado
País: França
Direção: Maïwenn
Roteiro: Maïwenn e Emmanuelle Bercot
Elenco: Maïwenn, Karin Viard, Joey Starr, Nicolas Duvauchelle
Sinopse: Diariamente, um grupo especializado da polícia francesa precisa lidar com duros crimes envolvendo crianças. A rotina envolve prisão de pedófilos, interrogação de pais abusivos e o cronfronto com menores infratores. Dentro deste universo, a vida privada de cada policial encontra pouco espaço, apesar de ser difícil manter o equilíbrio entre as duas partes.
Repercussão: Prêmio do júri no Festival de Cannes e dois prêmios no César Awards.
Porque assistir: Qualquer trabalha afeta a vida pessoal. Imagina quando o trabalho é lidar com crianças abusadas e pedófilos. O filme passeia muito bem nos dois universos dos personagens – o emprego e o lar.

5172_grande14. E Se Vivêssemos Todos Juntos? (Et si on vivait tous ensemble?) – Exibido em Circuito Limitado
País: França / Alemanha
Direçã: Stéphane Robelin
Roteiro: Stéphane Robelin
Elenco: Jane Fonda, Daniel Brühl, Geraldine Chaplin
Sinopse: Annie, Jean, Claude, Albert e Jeanne são melhores amigos há mais de quatro décadas. Enquanto os dois primeiros e os dois últimos são casados, o do meio é um tremendo solteirão convicto, que não se cansa de aproveitar a vida. Quando a saúde deles começa a piorar e o asilo se apresenta como solução para um deles, surge a ideia de todos morarem juntos. Mas a novidade acaba trazendo a reboque algumas antigas experiências, que irão provocar novas consequências na vida de cada um.
Porque assistir: É um filme sobre idosos, protagonizado por idosos, mas não é para idosos. É principalmente para os jovens. Na última cena, caiu uma lágrima. Deixe a sua cair também.

75791_10151233238261351_1916480293_n15. Dores de Amores – Exibido no Festival do Rio
País: Brasil
Direção: Raphael Vieira
Roteiro: Leo Lama
Elenco: Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento
Sinopse: Um casal, uma metrópole, num futuro próximo. O casal está em crise. Ele não comparece. Ela está indignada. Ela descobre o porquê! Não acredita mais nos homens. A sociedade moderna de meios primitivos sucumbiu, a crise financeira chegou ao apartamento. As torres ruiram! A solução deste casal já não depende da virilidade masculina, mas sim do poder de transformação feminino. Ela vai mudar esta vida, quer o poder circulatório! É dor e amor, amor mais a dor.
Porque assistir: É divertido, engraçado, reflexivo, envolvente. Vale a pena. Não sou de indicar comédias, mas essa vale.

Into-the-Abyss-poster-216. Ao Abismo: Um Conto de Morte, Um Conto de Vida (Into the Abyss) – Exibido no Festival É Tudo Verdade
País: Estados Unidos / Reino Unido / Alemanha
Direção: Werner Herzog
Roteiro: Werner Herzog
Sinopse: O cineasta Werner Herzog conversa com os presos Michael Perry e Jason Brukett, ambos no Corredor da Morte após terem sido condenados por assassinato. O filme levanta questões importantes sobre o que leva as pessoas a matar e apresenta entrevistas com parentes das vítimas, policiais, investigadores e pessoas ligadas ao caso.
Porque assistir: Herzog conseguiu abordar o tema de uma maneira muito delicada, sem ser tendenciosa. Confesse… é no mínimo interessante saber o que pessoas com data marcada para morrer tem a dizer.

A Busca17. A Busca – Exibido no Festival do Rio
Estreia prevista para 8 de março de 2013
País: Brasil
Direção: Luciano Moura
Roteiro: Elena Soarez, Luciano Moura
Elenco: Wagner Moura, Mariana Lima, Lima Duarte
Sinopse: Theo e Branca estão em crise, mas têm que se unir para encontrar o filho, que foge de casa prestes a completar 15 anos. O pai sai em busca do filho sumido e aproveita a viagem para se redescobrir.
Repercussão: Eleito Melhor Filme pelo público do Festival do Rio.
Porque assistir: Road movie. Pai e filho. Busca. Tudo de sempre, mas com boas doses de humor (além do drama, é claro). Não é a melhor atuação do Wagner Moura, mas não é por isso que você vai querer perder.

affiche-Le-Prenom-2011-118. Qual o Nome do Bebê? (Le Prénom) – Exibido no Festival do Rio
Estreia marcada para 21 de dezembro de 2012
País: França / Bélgica
Direção: Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte
Roteiro: Matthieu Delaporte, Valérie Benguigui, Charles Berling
Elenco: Patrick Bruel
Sinopse: Com mais de quarenta anos de idade, Vincent vai ser pai pela primeira vez. Radiante, ele é convidado pela irmã e o cunhado para jantar, em companhia de sua esposa e de um amigo de infância. Enquanto a esposa não chega, os amigos começam a fazer perguntas sobre a paternidade, até chegar à inevitável questão sobre o nome do bebê. Quando Vincent finalmente anuncia o nome escolhido, o caos se instala na família.
Porque assistir: Hilário! Não sou de rir com comédias, mas essa me fez dar boas risadas. O filme se passa inteiro dentro de um apartamento, como “Deus da Carnificina”, e você se sente uma mosquinha. Imperdível, porque você sempre quis ser uma mosquinha.

Safety-Not-Guaranteed-Poster19. Safety Not Guaranteed
País: Estados Unidos
Direção: Colin Trevorrow
Roteiro: Derek Connolly
Elenco: Aubrey Plaza, Jake Johnson, Mark Duplass
Sinopse: Estagiária de uma revista investiga, junto com outro estagiário e um repórter, o que há por trás do anúncio de um homem, que decidiu procurar, nos classificados, um companheiro para uma viagem no tempo.
Repercussão: Duas indicações ao Independent Spirit Awards 2013.
Porque assistir: O filme tem tudo isso de viagem no tempo, de romance supostamente inesperado, de escolhas difíceis… um clichezão. Mas eu achei tão legal. A Aubrey e Mark tem tanta química e o Jake está tão divertido que o filme ganhou um sabor especial.

Lay-the-Favorite_0120. O Dobro ou Nada (Lay The Favorite) – Exibido no Festival do Rio
Estreia prevista para 11 de janeiro de 2013
País: Estados Unidos / Reino Unido
Direção: Stephen Frears
Roteiro: D.V. DeVincentis e Beth Raymer
Elenco: Bruce Willis, Rebecca Hall, Catherine Zeta-Jones, Joshua Jackson
Sinopse: Beth Raymer é uma sonhadora incorrigível que trabalha como dançarina em uma casa de striptease em Tallahassee. Sua vida muda quando conhece Dink Heimowitz, um dos jogadores mais conhecidos da atualidade, que participará de um campeonato de pôquer em Las Vegas. Beth logo se torna sua assistente, mas precisa lidar com as ameaças da esposa dele, uma showgirl aposentada.
Porque assistir: Desde “Vicky Cristina Barcelona”, estou de olho na Rebecca Hall. Aqui, ela vestiu a personagem de uma maneira tão crível (em oposição à caricatura da Catherine Zeta-Jones). O próprio filme, que fala sobre jogos, é um jogo. E é divertido de jogar.

*Todas as datas de estreias deste post foram retiradas do site Adoro Cinema.

Condenáveis: Sandy, Reynaldo Gianecchini, resenhas e parcerias novas, promoções e muito mais!

sandy-reynaldogianecchiniTenho tantas novidades sobre “Condenáveis”, que acredito que passei esse tempo todo sem falar nada justamente para chegar aqui cheio de notícias. Afinal, o último “novidades da semana” foi em outubro!

Bem, vamos lá. Vocês lembram que eu queria entregar meu livro ao Matheus Souza e acabei dando de presente para a Juliana Didone? Então, mandei um e-mail para o Matheus, perguntando um endereço de correspondência para o qual eu pudesse enviar um exemplar. Ele te respondeu? Nem a mim. Mas…

Sandy e Reynaldo Gianecchini ganharam “Condenáveis”. A cantora recebeu o dela durante a gravação do “Caldeirão do Huck”, que vai ao ar hoje, e o ator ganhou o dele direto das minhas lindas mãos nesta semana. Fui ao lançamento da sua biografia aqui no Rio de Janeiro e aproveitei a oportunidade. Giane, sempre simpático, guardou e disse que vai ler. Vamos torcer. Vocês tem ideia de mais alguém legal que eu poderia dar meu livro? Alguém que, de preferência, vá ler 😉 Aceito sugestões.

PROMOÇÕES

Eu sei que deveria ter avisado antes, mas ainda dá tempo de participar de algumas promoções para ganhar o e-book de “Condenáveis”. A primeira é a de comemoração de 1 ano do blog Magia Literária, da Mariana, e vai até o dia 29 de janeiro. Para participar é fácil: clique aqui para se inscrever. Já a outra é do blog Fábrica de Convites, da Rose, e vai até o dia 25 de janeiro. Também é uma promoção de sorte: tente a sua aqui.

UPDATE: Tem mais uma promoção rolando, no Entre Páginas e Sonhos! Só não lê quem não quiser mesmo (o que muito me magoa haha). Para participar, clique aqui.

RESENHAS

Agora, vamos às novas resenhas: saiu uma no blog Livros de Cabeceira (”’Condenáveis’ é um livro complexo, tocante e reflexivo”), outra no Entre Páginas e Sonhos (“Não posso dizer se suas escolhas estão certas ou erradas, porém são bastante revoltantes todas as situações que Leonardo passou”), mais uma no São Tantas Coisas (”O livro ‘Condenáveis – Uma História de Filho e Pai’ deve ser apreciado em todas as idades, e até mesmo ser usado de uma forma didática”) e outra no Fulana Leitora (“É impossível ler esse livro e não repensar a sua própria relação com o seu pai. Para mim foi extremamente intimo, pois eu também tive uma relação muito conturbada com meu pai”).

PARCERIAS

Também fechei duas novas parcerias: com o blog São Tantas Coisas, do Mairton (clique aqui para ver), e com o Fulana Leitora, da Kezia (veja aqui). Agradeço aos dois, aliás, pelo apoio e interesse pelo projeto.

E ANTES DE IR EMBORA…

Eu realmente parei de correr atrás da divulgação do livro nos dois últimos meses, o que é um erro grosseiro. A culpa são dos trabalhos da pós-graduação e algumas questões pessoais, que não vêm ao caso. Mesmo assim, esse livro continua me rendendo alegrias praticamente todos os dias. Sempre que vejo uma nova atividade na sua página no Skoob, por exemplo, dou pulinhos. Por isso, volto a pedir que todos colaborem e coloquem “Condenáveis” na sua estante. Quem já leu não deixe de dar sua opinião 🙂

Para comprar o livro, acesse as lojas AGBOOK ou CLUBE DE AUTORES.

O mau humor da vendedora temporária

Era seu primeiro dia de trabalho, em uma Saraiva Mega Store. Foi contratada temporariamente, devido à demanda de Natal, e lhe pareceu bom começar o emprego novo em uma quarta-feira. Quem faz compras na quarta-feira, afinal? As pessoas trabalham durante a semana.

Trabalham e compram livros e CDs, ela logo descobriu. Foi colocada no setor de trocas; embalagem para presente; e pepinos pós-compra. Achou que seria um cargo melhor que caixa ou vendedora. Não era boa com a calculadora e jamais acharia nada naquelas estantes. Seu trabalho era mais tranquilo que esses, pensou. Enganou-se. Em um único expediente, já havia embrulhado mais presentes que em toda sua vida. Contou cinquenta, antes de se embolar com os números.

No seu setor, eram ela e mais duas funcionárias. As outras, experientes e efetivadas, lhe passavam as coordenadas e, mais vezes do que ela julgava aceitável, sumiam. Já era noite, ela estava doida para voltar para casa, e havia uma fila de dez pessoas para, supostamente, atender sozinha. Cadê aquelas vacas?

– Eu vim buscar uma compra que fiz pela Internet. – disse um cliente. É. Esqueci de comentar: seu setor também era responsável pelas compras online de pessoas que não querem pagar o frete e preferem buscar na loja. Mãos de vaca.

Pegou o comprovante de compra e foi procurar o produto. Comparava os algarismos impressos nas caixas com o da identificação da compra no papel, quando o cliente lhe incomodou:

– É um triciclo. Não vai estar nessas caixas pequenas.

Nem sabia que a loja vendia triciclos.

– Aqui está. – entregou a caixa ao homem.

– Não tem papel de presente desse tamanho, né?

– Não.

– Não tem como embrulhar de algum jeito?

– Até tem, mas vai ficar muito feio, juntando vários papéis.

– Ok, faz isso pra mim.

Ele não percebia o tamanho da fila?

– Por que você não bota uma fita?

– Não tenho uma fita.

– Compra. Se fosse uma moto, você ia querer embrulhar também? O normal é colocar uma fita.

– Eu quero que embrulhe.

– Vai ficar brega.

– Deixa que eu faço. – era uma das funcionárias que estava de volta, querendo fingir que é legal. Não era.
Não olhou para a cara do cliente sem noção nem para a da colega de trabalho ridícula. Focou no próximo cliente. Queria eliminar aquela fila. Contou 14 clientes dessa vez. Essas pessoas não tem outra loja para ir?

– É pra presente.

– A notinha, por favor.

– Aqui.

– Vou botar o adesivo. Pode trocar em um mês, em qualquer loja Saraiva. – ela já repetia isso como um mantra e sempre tinha a impressão de que as pessoas a ignoravam.

– Só não coloca esse saquinho vermelho com pinheiros, porque não é presente de Natal. É de aniversário.

– Tudo bem. – pegou o saquinho de presente preto. Ela também preferia aquele. – O vermelho é muito brega, né?

Gostou deste cliente. O próximo era um senhor.

– Quero trocar esse livro. Falaram que é aqui.

– O sistema está fora do ar, senhor.

– Ham.

Ele não entendeu.

– O sistema está fora do ar e pode voltar só amanhã. Não há como fazer isso agora.

– É só fazer a troca manual. – disse a colega de trabalho ridícula, lhe passando uma ficha a ser preenchida, com várias cópias em papel carbono.

A vaca sorriu ironicamente. O velho sorriu vitoriosamente. Ela sorriu amarelo. Gritou para a fila:

– Vai demorar porque o vovô aqui quer que eu faça uma troca manual!

Algumas pessoas olharam feio. Ninguém entendia o porquê de tanto mau humor. Fome? Falta de sexo? Sono? Problemas familiares? Dinheiro? Não. Seu mau humor vinha do trabalho. Não havia estudado quatro anos, escrito monografia e se formado para agora embrulhar presentes dos outros. Entendam.

Não te entendo no Azul

COR02

Meu nome é Laranja e o seu é Violeta. Encontramo-nos no Vermelho. Eu ainda tinha o Amarelo, e você o Azul, mas só o que importava era o Vermelho. Nele nos focamos, nos desfrutamos, nos amamos e acreditamos ser um só. Mas não éramos. Nunca fomos só Vermelho. Nunca fomos sequer Vermelho. Você era Violeta, eu Laranja. Vez ou outra, nossos Amarelo e Azul apareciam, mas no Vermelho nos entendíamos, fazíamos acordos ou as pazes.

Hoje em dia, me pergunto se só olhei para o seu Vermelho e fiz vista grossa para o seu Azul. Sempre achei que sabia tudo sobre você e que, aliás, era a pessoa que mais te conhecia. Mas isso não seria possível se eu ignorasse que você era Violeta – e não Vermelho. Pergunto-me se fui cego para me realizar ou se você me enganou o tempo todo, não deixando-me ver sua verdadeira cor. Possível.

Agora que o Vermelho perdeu sua força, mais para você do que para mim, nos desencontramos. Você está mais Azul que Violeta. Você mudou. Talvez não para pior, como eu acredite, mas para algo inalcançável para minha compreensão. Não te entendo no Azul. Eu não tenho nada de Azul, não consigo sequer gostar de Azul. Eu gosto de Laranja, de Vermelho e de Amarelo. Você, de Azul.

Ok, normal. “Tudo muda o tempo todo no mundo”, como canta Lulu Santos. Lulu, aliás, é Vermelho? Era. Você ainda gosta? Talvez reste algo de Violeta e Vermelho em você. Não sei. Ultimamente, não percebo nem um pingo disso no seu Azul. Pergunto-me o quanto você se afastou do nosso comum. Talvez você ache que eu também me afastei, que seja mais Amarelo agora. Amarelo e Azul só se encontram no Verde. Verde que não temos.

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