Resenha: Esteban Tavares – Planet Music

Não sou nem nunca fui fã da Fresno, aquela banda gaúcha que estourou no cenário nacional em 2006 com o rótulo de “emo”. Mas me encantei pelo álbum solo do Rodrigo Tavares, baixista que abandonou a banda neste ano e agora atende pelo nome de Esteban. “Adiós, Esteban!”, o CD, traz letras com as quais me identifico demais e foram a trilha-sonora da minha vida nos últimos meses. Cheguei ao material por acaso, por meio de um download gratuito, e desinformado que Esteban e Tavares se tratavam da mesma pessoa. Aprovo a mudança de nome, aliás, porque eu dificilmente teria me interessado pelas músicas novas do baixista de uma banda que não apreciava antes. Acho que todo mundo, né?

Nesse contexto, fui parar na Planet Music – local que se autointitulada como “a casa de show underground mais bombada do Rio” – no sábado (24/11). Vários parênteses merecem ser abertos aqui. O lugar está longe de ser uma casa de show. Está mais para um inferninho, do tamanho de uma sala residencial grande, sem ventilação, mas com goteiras e infiltrações. O som é péssimo, mas os adolescentes (público predominante) não reclamam. As bandas de abertura até questionam os problemas técnicos, mas são pressionadas a encararem as dificuldades sob pena de perderem tempo de show (quanto mais demoravam tentando ajustar o inajustável, menores eram suas apresentações). Esse, aliás, é outro problema: a casa empurra ouvidos abaixo do público cinco bandas antes da atração principal: Trinka, Albuquerque, Dalí, Diário de Dalia e Click F13. Dizem, aliás, que outras tocaram antes da minha chegada.

Fechados os parênteses, Esteban subiu no palco por volta das 23h e cumpriu com decência a função de vocalista (ainda que abuse do artíficio de botar o microfone para a plateia), tocando teclado a maior parte da apresentação, à frente de uma banda de quatro músicos. Ao contrário do que esperei, não foram todas as músicas do CD solo que integraram a setlist do show. Como ele acabou de sair da Fresno e até “mudou de nome”, imaginei que sua turnê evitaria o trabalho anterior e talvez apostasse em alguns covers redirecionares. Mas ele canta, sim, músicas do seu trabalho com a banda.

A Fresno, na verdade, é um fantasma que permeia toda a apresentação (algo incômodo para quem, como eu, curte só a nova fase do Tavares). Um fantasma daqueles com pendências na Terra, desinformado de sua morte. A cada intervalo, o público gritava por uma música chamada “Milonga” (do álbum “Redenção”, de 2008), mas Esteban fingia não ouvir e conseguiu fechar a noite sem atender o pedido. Apesar disso, como disse, ele cantou Fresno, representada por “Porto Alegre” (do CD “Revanche”, de 2010). Antes de entoá-la, ele disse algo como “Vamos relembrar a melhor época da vida de vocês”, para delírio da moçadinha. O público era, sem dúvida, de fãs remanescentes da banda, que hoje em dia devem acompanhar os dois projetos. Cantavam todas, fossem quais fossem. Mas o clima de celebração não durou muito.

Em um dos raros discursos, Esteban agradeceu a homenagem que a Fresno fez para ele em uma das músicas do disco novo – “Infinito” (2012) – mas reclamou que não levou os créditos por outra faixa, supostamente co-escrita por ele. Foi algo como “Somos amigos. Obrigado pela homenagem, mas preferiria os meus créditos no CD”. Foi rancoroso, ríspido e rock ‘n’ noll. Achei divertido, mas os fãs ficaram divididos. Na verdade, o show ganharia mais se não houvesse esse momento, mas, repito, foi divertido.

A apresentação foi satisfatória, dentro do possível, mas poderia ter sido melhor conduzida para reposicionar Rodrigo Esteban Tavares no mercado. Tanto seu público quanto ele próprio ainda estão muito atrelados à Fresno, que parece ter sido deixada para trás apenas simbolicamente. Ou ele se impõe com seu novo trabalho e evita muitas menções à banda ou correrá o risco de ser, para sempre, um “ex-Fresno”. A hora é agora e acho que ele tem capacidade para isso.

*A foto e os vídeos não são meus. Foram encontrados por aí.

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