Madonna e MDNA Tour: Eu tenho muita sorte com promoções!

Faltam poucos dias para o show da Madonna e eu estou sem ingressos. Eu tinha, mas não tenho mais. Essa é uma longa história, que não vale a pena ser contada. Quero falar das entradas que não tenho, e não das que algum dia tive. Limite-se a saber que esse foi o presente de Dia das Mães que eu dei à minha, mas agora está em suspenso. Nós vamos ao show, sim, não tenho dúvidas, mas… estou tentando não ter que pagar por isso.

Você sabe como é: os ingressos estão caros e, paralelamente, existe uma distribuição farta de cortesias, como ocorreu com a Lady Gaga (para a qual consegui duas entradas para amigas em uma promoção). Então, estou neste processo. Até o dia do show, há esperança de entrar gratuitamente – e com a minha mãe a tiracolo, afinal esse é seu presente. Caso não consiga, pago, sem problemas. Entendido?

Então, ouvi sobre uma promoção na rádio hoje, enquanto voltava para casa. Um par de ingressos para a Pista Premium, que é o melhor setor. Eu nem queria tanto. Qualquer setor está bom, mas se há a possibilidade de ser o melhor, ótimo. Sem créditos, porque sou pobre (caso contrário já teria os ingressos), esperei chegar em casa para ligar. Nesse intervalo entre me inteirar do sorteio e fazer minha inscrição, eu 1) fiz carinho no meu gato, que vai me receber na porta; 2) dei atenção para minha mãe, que estava acordada e queria conversar; 3) respondi mensagens no Facebook e tweets no Twitter (tweets não poderiam ser em outro lugar, obviamente); 4) comi chocolate. Quando minha mãe me deixou em paz, liguei.

– Rádio Mix. Quem fala?
– Leonardo.
– De quê?
– Torres.
– Telefone?
– Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito.
– …oito, anotado. Já está participando da promoção.

(Tão fácil assim? Não tenho que falar nada? É a única promoção que existe? Ok)

– Obrigado.
– Quer pedir alguma música?
– Não.
– Tá bom. Vou escolher uma bem legal aqui para você.
– Valeu.

Tum tum tum. Passada meia hora e encerrada a sessão de músicas sem pausas (como eles chamam isso mesmo?), o locutor – que tinha a voz muito parecida com o atendente – informou:

– LEONARDO TORRES…

(Hey, esse sou eu!)

– …é o vencedor e vai levar um par de ingressos para…

(Madonna! MDNA Tour!)

– …a boate 021 Prime. Passa aqui na rádio, na rua…

(Hã? WTF?)

Resenha: Esteban Tavares – Planet Music

Não sou nem nunca fui fã da Fresno, aquela banda gaúcha que estourou no cenário nacional em 2006 com o rótulo de “emo”. Mas me encantei pelo álbum solo do Rodrigo Tavares, baixista que abandonou a banda neste ano e agora atende pelo nome de Esteban. “Adiós, Esteban!”, o CD, traz letras com as quais me identifico demais e foram a trilha-sonora da minha vida nos últimos meses. Cheguei ao material por acaso, por meio de um download gratuito, e desinformado que Esteban e Tavares se tratavam da mesma pessoa. Aprovo a mudança de nome, aliás, porque eu dificilmente teria me interessado pelas músicas novas do baixista de uma banda que não apreciava antes. Acho que todo mundo, né?

Nesse contexto, fui parar na Planet Music – local que se autointitulada como “a casa de show underground mais bombada do Rio” – no sábado (24/11). Vários parênteses merecem ser abertos aqui. O lugar está longe de ser uma casa de show. Está mais para um inferninho, do tamanho de uma sala residencial grande, sem ventilação, mas com goteiras e infiltrações. O som é péssimo, mas os adolescentes (público predominante) não reclamam. As bandas de abertura até questionam os problemas técnicos, mas são pressionadas a encararem as dificuldades sob pena de perderem tempo de show (quanto mais demoravam tentando ajustar o inajustável, menores eram suas apresentações). Esse, aliás, é outro problema: a casa empurra ouvidos abaixo do público cinco bandas antes da atração principal: Trinka, Albuquerque, Dalí, Diário de Dalia e Click F13. Dizem, aliás, que outras tocaram antes da minha chegada.

Fechados os parênteses, Esteban subiu no palco por volta das 23h e cumpriu com decência a função de vocalista (ainda que abuse do artíficio de botar o microfone para a plateia), tocando teclado a maior parte da apresentação, à frente de uma banda de quatro músicos. Ao contrário do que esperei, não foram todas as músicas do CD solo que integraram a setlist do show. Como ele acabou de sair da Fresno e até “mudou de nome”, imaginei que sua turnê evitaria o trabalho anterior e talvez apostasse em alguns covers redirecionares. Mas ele canta, sim, músicas do seu trabalho com a banda.

A Fresno, na verdade, é um fantasma que permeia toda a apresentação (algo incômodo para quem, como eu, curte só a nova fase do Tavares). Um fantasma daqueles com pendências na Terra, desinformado de sua morte. A cada intervalo, o público gritava por uma música chamada “Milonga” (do álbum “Redenção”, de 2008), mas Esteban fingia não ouvir e conseguiu fechar a noite sem atender o pedido. Apesar disso, como disse, ele cantou Fresno, representada por “Porto Alegre” (do CD “Revanche”, de 2010). Antes de entoá-la, ele disse algo como “Vamos relembrar a melhor época da vida de vocês”, para delírio da moçadinha. O público era, sem dúvida, de fãs remanescentes da banda, que hoje em dia devem acompanhar os dois projetos. Cantavam todas, fossem quais fossem. Mas o clima de celebração não durou muito.

Em um dos raros discursos, Esteban agradeceu a homenagem que a Fresno fez para ele em uma das músicas do disco novo – “Infinito” (2012) – mas reclamou que não levou os créditos por outra faixa, supostamente co-escrita por ele. Foi algo como “Somos amigos. Obrigado pela homenagem, mas preferiria os meus créditos no CD”. Foi rancoroso, ríspido e rock ‘n’ noll. Achei divertido, mas os fãs ficaram divididos. Na verdade, o show ganharia mais se não houvesse esse momento, mas, repito, foi divertido.

A apresentação foi satisfatória, dentro do possível, mas poderia ter sido melhor conduzida para reposicionar Rodrigo Esteban Tavares no mercado. Tanto seu público quanto ele próprio ainda estão muito atrelados à Fresno, que parece ter sido deixada para trás apenas simbolicamente. Ou ele se impõe com seu novo trabalho e evita muitas menções à banda ou correrá o risco de ser, para sempre, um “ex-Fresno”. A hora é agora e acho que ele tem capacidade para isso.

*A foto e os vídeos não são meus. Foram encontrados por aí.

American Music Awards 2012: em ano de musicais descartáveis, assista aos 5 melhores

Há pouco terminei a cobertura do American Music Awards para o POPLine, o site para o qual trabalho, e não posso esconder meu pesar. Dos vencedores deste ano às apresentações supostamente ao vivo, o que se viu foi um amontoado de músicas e “artistas” descartáveis. Pouco ou nada do que foi mostrado ficará para a história – justo no ano em que o evento comemora 40 anos. A premiação foi um verdadeiro culto à efemeridade.

De verdade, lamentei a visibilidade que alguns produtos de baixa qualidade conquistaram, sem merecimento, graças à força das companhias musicais. Costumo dizer que, se a pessoa faz tanto sucesso, é porque há um mínimo de talento. Mas o fato é que produtos massificados pela indústria ocupam todo o espaço e impedem que artistas geniais brilhem. Foi isso o que pensei: enquanto essa sujeita de peruca faz playback em uma premiação DE MÚSICA, onde estarão os verdadeiros cantores? Que injustiça.

Ao receber o prêmio de Artista Masculino Pop/Rock, Justin Bieber, também eleito o Artista do Ano, fez um discurso que me fez pensar mais um pouco. “Quero dizer isso a todos os haters que falaram que eu duraria só um ou dois anos: sinto que estarei aqui por muito tempo”. Eu realmente acho que ele evoluiu bastante desde seu início e que tem seus méritos, antes que questionem o contrário. Mas a questão não é quanto tempo ele(s) consegue(m) permanecer em evidência, mas se sua música perdurará.

O culto à celebridade torna o artista mais importante que sua obra e isso é um dos maiores riscos para um compositor e/ou intérprete vaidoso. Carly Rae Jepsen, The Wanted, Nicki Minaj, Ke$ha, Pitbull, etc., podem permanecer, a trancos e barrancos, por 50 anos ou mais na indústria, mas qual o valor do que produzem? O grande feito do Michael Jackson, mais dos que as décadas de carreira, foi ter tornado suas músicas eternas. O mesmo com Whitney Houston, The Beatles, Rolling Stones e, para citar alguém mais recente, Amy Winehouse. As atrações do American Music Awards foram pelo caminho contrário: apostaram em trabalhos descartáveis para manter sua imagem vendável viva. Não foram todos assim, mas a maioria. Duvido que aquelas músicas serão lembradas no futuro.

Poderia fazer um ranking aqui das 10 piores apresentações, mas estou disposto a ser um cara positivo e listarei as cinco melhores da noite, na minha opinião:

01) Stevie Wonder – You Can Feel it All Over e My Cherie Amour (Tributo ao Dick Clark)

02) Pink – Try

03) Taylor Swift – I Knew You Were Trouble

04) Linkin Park – Burn It Down

05) Kelly Clarkson – Miss Independent; Since U Been Gone; Stronger (What Doesn’t Kill You); e Catch My Breath

“Momentos são esses que não vão voltar”

Eu sou bem focado e neurótico com relação ao meu futuro – acho, aliás, que, de todos os ambientes que frequento, sou a pessoa que mais pensa nisso – mas também remoo minha história como ninguém. Gostaria de dizer que só olho para frente e que “quem vive de passado é museu”, mas não poderia estar mais longe da verdade. Youtube, para mim, é uma ferramenta perigosa, por exemplo.
– Voltou ao passado? – minha mãe pergunta quando me pega viajando no tempo.
– Voltei.
Quando revejo vídeos ou fotos antigas, de momentos especiais da minha vida, consigo sentir exatamente a mesma emoção do instante imortalizado. Rio, choro, sinto desespero e me apaixono de novo. O arrepio é na pele e na alma. De certas situações, o distanciamento não chega nunca. Tenho a sorte de, antes dos 18, ter vivido muitas experiências inesquecíveis e emocionantes. Quando volto ao passado, não tenho dúvidas sobre a época mais feliz da minha vida. Foi aquela.
Às vezes, me pergunto se já vivi o melhor que eu tinha para viver. É duro seguir em frente sem a certeza de que os dias mais felizes serão superados. Mas, também, é satisfatório saber que, pelo menos, tive a felicidade de ter sentido tudo o que senti. Aquelas experiências não caberiam hoje, mas couberam naquela época. Preencheram uma lacuna e me marcaram para sempre. Até as tristezas eram bonitas.
Com certeza, sou uma pessoa melhor hoje do que ontem, mas sinto falta de antigas características minhas. Sei que nunca mais serei ingênuo e apaixonado daquela maneira, o que é triste. O amor devotado, que não pedia nada em troca, foi exclusivo daquela fase. Hoje em dia, todo amor quer reciprocidade. Devoção pede devoção. Por isso falo em ingenuidade.
Fui feliz. Não é maravilhoso que a minha nostalgia não tenha a ver com escola quando eu penso em infância e adolescência? Não penso em recreio, eu penso em viagens. Não penso em turma, penso em grupo. Não penso em provas, penso em aventuras. Tive sorte. Só não digo que sinto saudade, porque ainda carrego tudo no meu coração.

Resenha: Joss Stone – Citibank Hall

A luz do local apaga e as pessoas já começam a aplaudir. Nunca entendi isso de pater palmas pela presença do artista, sem que ele tenha dado qualquer amostra do seu talento, mas também aplaudo para não ficar de fora. A banda – de dez integrantes, contando os três backing vocals – entra primeiro e em seguida vem ela: Joss Stone.

O dia é de chuva – chata, fraca, mas permanente – e o Citibank Hall está cheio mesmo assim. Lotado não, cheio. A galera do gargarejo vibra, com cartazes, aplausos e gritinhos. A maioria do público é adulto, formado por casaizinhos, mas as pessoas lá da frente são típicos fãs, apaixonados e felizes. Alguém joga um sutiã no palco.

Surpreendo-me com a roupa da cantora. Do seu repertório, só conheço o último álbum, de regravações de clássicos da soul music (“The Soul Sessions Vol. 2”), mas seu vestuário não combina com isso. Não imagino Aretha Franklin vestida assim. Joss Stone está de minishort e uma camiseta preta de frente única. Tudo o que penso é: piriguete.

Mas aí ela grita e começa: “For God’s sake, gotta give more power to the people”. Canta muito – e eu gostaria de dizer que esse foi o único pensamento que me ocupou desde então, mas estaria mentindo. Também comentava comigo mesmo o quanto ela é mais bonita pessoalmente. Ela é linda, meu Deus. Linda demais. Faria sucesso na balada (a roupa dela é propícia). Ela tem namorado?

O primeiro sucesso vem – “You Had Me” – e todo mundo sabe cantar, menos eu. Gostaria de saber também para participar daquele momento de animação e comunhão. Mas eu danço, me sacolejo e sinto a vibração, para não perder a boa vibe. Todos aplaudem entusiastas, entusiasmados, extasiados. Aplaudo também, com mais vontade e merecimento que na entrada. Bonita e talentosa. Que injusto. Espero que seja burra.

Resenha: Sandy – Vivo Rio (+ 4 vídeos)

“Apesar de ser tão claro
Eu não consigo entender
E apesar de ser tão imenso
Cabe em mim
O mundo que você me deu”
(Sandy Leah / Lucas Lima)

Sandy voltou ao Rio de Janeiro com o show da turnê “Manuscrito” no domingo (11/11) e, pelos meus cálculos, esse é o terceiro ano seguido em que ela se apresenta na cidade com o mesmo show, sem tirar nem pôr. Nas outras duas vezes, fui animado. Nesta, titubeei. Comecei a desconfiar de que ela estava se acomodando à ideia de que os fãs pagariam para vê-la independentemente do que estivesse fazendo (no caso, nada novo).

Isso vindo de mim, a pessoa que assistiu com prazer a infinitos shows das mesmas turnês nos últimos dez anos, é engraçado. Eu sei. Meu histórico não permite que eu fale muito, e já entendi que não adianta tentar escondê-lo, porque a maioria dos meus leitores me conhece há tanto ou mais tempo (o que é lindo!). Mas eu falo mesmo assim. Não tem jeito. Achei, de verdade, que Sandy só queria garantir o dinheiro dos presentes do Natal com esse show. Decidi não ir. :O

Logo depois, no entanto, foram lançados a música “Aquela dos 30”, já comentada aqui, e o EP “Princípios, Meios e Fins”. A expectativa era que ela incluísse as músicas novas no show (de fato, ela cantou duas delas). Repensei minha decisão de não ir assistir à Sandy e verifiquei que os melhores ingressos estavam esgotados. Desanimei. Não lembro a última vez que assisti um show dela de longe.

O assunto ficou engavetado até o último fim de semana (antes, estava focado no show da Lady Gaga, que também já postei a resenha aqui), quando comecei a sentir aquela coceirinha. “A quem você quer enganar? Como assim você não vai no show da sua ‘ídola’?” Percebi que essa opção, na verdade, não existia. Nunca existiu. Nunca optei por não ir a um show dela; nunca deixei de ir, de fato. Não existe a menor possibilidade dela cantar e eu ficar em casa assistindo à TV.

No domingo, lá estive eu. Como já disse, Sandy só cantou duas das músicas novas. De resto, a setlist permanece praticamente intacta desde 2010 (senti falta do cover de “Por Enquanto”). Mas, como eu sempre falo, um show nunca é igual ao outro, nem que seja no mesmo dia, em sessões seguidas. Com esse, não foi diferente, e toda minha indecisão anterior pareceu boba quando estava lá, ouvindo-a cantar. Para se ter uma ideia, ela se emocionou durante “Perdida e Salva” – a canção que abre esse post – e, bem, Sandy não é o tipo de artista que perde o controle assim. Como eu poderia deixar isso passar?

Sem brincadeira, Sandy ainda é a voz que eu mais gosto de escutar. Amo os gritos da Adele, a ginga da Amy Winehouse, a suavidade do Jamie Cullum, a inteligência do Fito Páez, enfim, há uma lista grande de cantores que admiro, mas fã eu só sou dessa mulher de Campinas. Ela me emociona, me deixa arrepiado, me deixa feliz. Tenho certeza que muito disso tem a ver com o imaginário do que ela representa para mim, mas tudo isso começou graças ao talento dela, que ainda me comove, mesmo depois de tanto tempo.

– Gostou do show?
– Bom demais.

Quando não é?

Lady Gaga no Brasil: “Você me marcou para sempre, Rio”, diz cantora em show para 40 mil pessoas

Dizer que Lady Gaga fez um show de duas horas e meia, embaixo de chuva, no Rio de Janeiro não é suficiente. Não traduz o que aquelas 40 mil pessoas vivenciaram no Parque dos Atletas, na sexta (9/11). A “Born This Way Ball Tour” não é apenas um show, é um musical de primeira linha, digno da Broadway. Mas isso também não é tudo. A popstar foi além e criou uma conexão forte e intensa com o público: o que sempre sonhou. “Você me marcou para sempre, Rio. Nunca vou te esquecer”, falou.

O espetáculo contou com tudo que os fãs esperavam: o cenário de castelo, que abre e fecha; os megahits (na ponta da língua dos little monsters); as coreografias dos clipes; 12 trocas de figurino; dançarinos afiados e uma superbanda (clique aqui para ver 30 fotos do show). Lady Gaga, na contramão de muitas, canta ao vivo – e toca guitarra e piano. Para completar, as palavras em português, que a plateia adora ouvir, também fizeram parte da noite. A cantora aprendeu a falar “oi galera”, “eu te amo”, “feminino” e “masculino” em “Brazilian”.

Tudo isso impressiona, é claro. Mas o que mais cativa é sua relação com o público. Nada passa despercebido para a cantora de cabelo rosa desbotado, que acena, joga beijos e escolhe fãs para subirem no palco e cantarem com ela – os momentos mais emocionantes (em “Hair” e no bis). Ao vê-los chorarem de emoção por realizarem seu sonho, ela se comove. “Não tinha noção do amor que me esperava aqui. Nunca fui tão feliz quanto nesse momento. Não dizem que os sonhos se realizam? Essa é a cara de alegria por um sonho realizado. Não há preço para esse amor de vocês”, se declarou, entre lágrimas, em uma cena aparentemente muito genuína e espontânea.

Gaga é agradecida aos fãs, fantasiados e com as coreografias decoradas, por permitirem que ela seja a popstar que sempre quis. Em outro momento, se diz grata aos que pagaram caro pelos ingressos, que chegavam a R$ 750 inicialmente. “Sei o quanto é caro estar aqui”, falou a americana, que, no bis, vestiu uma blusa em propaganda à UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), possivelmente o único equívoco da apresentação. Ela diz que o “Rio conhece a paz”, mas uma fã foi estuprada na cidade nas vésperas do show. História para gringo ver é diferente – Gaga não tem culpa.

Os little monsters presentes desfrutaram de cada minuto. Gaga é a porta-voz deles, ao mesmo tempo em que os incentiva a se encontrarem como pessoas. O musical – assumindo que se trata disso – fala sobre a busca pela liberdade. Há referências claras ao casamento gay, à legalização da maconha, ao reconhecimento das identidades de gênero e, no meio disso tudo, à fé. Gaga, agora a personagem, se liberta de sua prisão conforme extravasa. É no que ela, a artista, acredita.

No palco, Gaga conseguiu deixar para trás as piadas sobre as baixas vendas dos ingressos, as comparações com a Madonna, e todas as críticas dos haters. A apresentação foi uma ótima estreia para a passagem da sua turnê pelo Brasil, que contará ainda com shows em São Paulo (11/11) e em Porto Alegre (13/11). Mas, por hora, a popstar está vidrada na Cidade Maravilhosa. “O Rio de Janeiro é meu lugar favorito do mundo inteiro! Não se esqueçam disso”.

Publicado no POPLine
http://popline.mtv.uol.com.br/lady-gaga-no-brasil-voce-me-marcou-para-sempre-rio-nunca-vou-te-esquecer-diz-cantora-em-show-para-40-mil-pessoas

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