Festival do Rio: Top 10 Melhores Filmes

Vamos falar de coisa boa? No último post, listei os cinco piores filmes aos quais assisti no Festival do Rio 2012. Neste, quero falar dos dez melhores – excetuando os já comentados no esquenta do evento (“Argo” certamente estaria neste Top 10, caso contrário). Lembrando: o ranking se refere apenas à minha opinião e à lista dos filmes que eu assisti (e, sim, eu vi “O Som ao Redor”). Certamente, muita coisa boa ficou de fora da minha programação. Mas vamos lá, em ordem alfabética!

A Buscade Luciano Moura, vencedor do festival por voto popular. A Busca é um thriller dramático. No fim de semana que completaria 15 anos, Pedro viaja mas não volta. Seu pai – o médico Theo – cai na estrada seguindo pistas desconcertantes. A viagem – que era para resgatar o filho – acaba transformando o pai.

Começo a desconfiar que tenho simpatia por road movies. Adorei esse filme, que conta com um elenco incrível: Wagner Moura, sempre bem, Mariana Lima e, na reta final, Lima Duarte, mostrando como se faz. A história é muito envolvente e a maneira como o personagem do Wagner, o pai, vai se definhando para se transformar é esteticamente atraente.

Atrás da Porta (The Door)De István Szabó. Na Hungria dos anos 1960, Magda é uma escritora em busca de reconhecimento profissional. Ela acaba de se mudar para uma nova casa com seu marido e procura alguém para realizar as tarefas domésticas. Após algumas indicações, ela chega à misteriosa Emerence, uma idosa que vive na vizinhança. No início, Magda estranha o jeito rude da nova empregada, que é muito reservada e não permite que ninguém entre em sua casa, o que gera alguns boatos na vizinhança. À medida que o tempo passa, porém, as duas acabam desenvolvendo uma inesperada relação.

O filme é protagonizado por Helen Mirren, que dá um show de interpretação, com uma personagem completamente diferente de “A Rainha” (2006), mas também digna de um Oscar. Aqui, não há nenhum vislumbre de glamour. O longa já valeria só por sua atuação maravilhosa, mas também ganha pontos ao mostrar diferentes maneiras de se amar e se preocupar.

As Sessões (The Sessions)De Ben Lewin, premiado no Festival de Sundance. Aos 36 anos, Mark O’Brien vive paralisado desde a infância, vítima da poliomielite. Ele decide, então, que finalmente é hora de perder sua virgindade. Com o apoio de sua cuidadora Vera e de um excêntrico padre, Mark contrata os serviços de Cheryl, uma terapeuta sexual. Eles iniciam uma série de sessões que o ajudarão a ingressar na vida sexual. Ao mesmo tempo, Mark e Cheryl se tornarão cada vez mais próximos um do outro, numa relação que transcende o meramente físico. Baseado numa história real.

Quando li essa sinopse, imaginei uma comédia esdrúxula à la “O Virgem de 40 Anos”, mas o filme está longe, muito longe, disso. A história tem humor, sim, mas está mais para o drama. Tudo é muito sensível e delicado. O protagonista John Hawkes está incrível. Imagina o quanto deve ser difícil atuar utilizando o corpo só do pescoço pra cima! Outro que mereceria uma indicação o Oscar do ano que vem (Helen Hunt, a coadjuvante, também está cotada, mas não me impressionou). Também gostei do contraponto sexo x religião, apresentado de maneira natural, sincera e realista, mas também irônica.

Dentro de Casa (Dans la Maison)De François Ozon, premiado pela crítica no Festival de Toronto. Claude é um adolescente discreto que toma seu colega Rapha como inspiração para sua escrita. Apesar de tímido, ele consegue se aproximar e ter acesso à casa dele, se tornando particularmente atraído pela mãe de Rapha. Seu professor de Literatura, Germain, vê em Claude um grande talento, uma descoberta que faz reavivar nele o desejo de ensinar. Ele o estimula a continuar com seus métodos de observação, mas a intrusão de Claude começa a passar dos limites e aos poucos a vida do próprio Germain se tornará objeto do olhar voyeurista de seu pupilo.

A-M-E-I. O tal do Claude é perturbador, de uma maneira irresistível. A história desse filme é evidentemente fadada a um fim desastroso, mas isso, ao contrário do que poderia ter acontecido, não afasta a atenção do espectador. Pelo contrário, é hipnótico, principalmente porque a narrativa não permite saber o que é verdade e o que é ficção nos textos do Claude. Repito: perturbador.

Dores de AmoresDe Raphael Vieira. Vamos falar de amor. Um típico casal. Ela e ele procuram em desespero um acerto para o amor e suas dores. Nas cartas do tarô, uma traição. O que você daria por amor?

Essa sinopse, divulgada pelo festival, como todas as outras usadas nesse post, não faz jus ao longa. A história é, na verdade, sobre a crise de ordem sexual de um casal, interpretado convincentemente por Fabiula Nascimento e Milhem Cortaz. O homem não sente mais desejo por sua mulher e ela busca maneiras alternativas de salvar a relação. Risadas garantidas, claro, mas o filme ultrapassa isso e levanta bons questionamentos e boas reflexões.

Electrick ChildrenDe Rebecca Thomas, exibido no Festival de Berlim. Em seu aniversário de 15 anos, Rachel, uma jovem rebelde para os padrões de sua família mórmon, descobre uma fita cassete proibida de rock n’ roll. Seu primeiro contato com o gênero se transforma em uma experiência milagrosa: em 3 meses Rachel aparece grávida e convencida de uma concepção imaculada, onde a música é apontada como provável responsável por sua misteriosa gestação. Em busca da verdade, Rachel irá à cidade mais próxima da comunidade fundamentalista em que vive no interior do estado de Utah: Las Vegas.

O contraste entre o núcleo de Utah e Las Vegas e a forma como os emigrantes da primeira quebram paradigmas quando chegam à segunda são muito interessantes. Mais o que mais me atraiu neste filme foi a descrença dos fieis fundamentalistas na possibilidade de um milagre contemporâneo. Irônico. Gosto de ironias.

Ferrugem e Osso (De rouille et d’os)De Jacques Audiard, exibido no Festival de Cannes e no Festival de Toronto. Ali descobre que precisará ficar com seu filho de cinco anos que mal conhece. Desabrigado, pobre e sem amigos, resolve ir morar com a irmã em outra cidade. Ela os acolhe e os abriga em sua garagem. Ele consegue um emprego em uma boate, onde numa noite, conhece Stephanie, uma linda e independente treinadora de baleias assassinas. Depois da tumultuada noite, ele a leva para casa e lhe dá seu número de telefone. A segunda vez que se veem é depois de uma ligação avisando que Stephanie sofreu um acidente. Completamente desiludida, ela é agora uma cadeirante que perdeu as duas pernas.

O filme é dramático, mas me impressionou a força dos personagens diante das adversidades. Os protagonistas Marion Cotillard e Matthias Schoenaerts estão deslumbrantes e devem chamar a atenção na próxima temporada de premiações. A direção também está impecável, com cenas angustiantes ou contemplativas.

Michael Jackson: Bad 25 (Bad 25)De Spike Lee, premiado no Festival de Veneza. Em 2012, o álbum Bad de Michael Jackson completa 25 anos de lançamento. Registros das gravações de canções do disco e imagens de arquivo filmadas por Jackson e nunca antes vistas pelo público mostram o perfeccionismo do artista no seu processo criativo. Depoimentos de pessoas diretamente envolvidas com Michael, como Martin Scorcese, que dirigiu o videoclipe de Bad, e Sheryl Crow, que cantava com Michael, se unem a nomes da nova geração, como Kanye West e Cee Lo Green, para avaliar a influência que Michael ainda exerce no cenário pop atual.

Mergulhar no desenvolvimento de um álbum 25 anos depois do seu lançamento permite também retratar seu impacto. Spike Lee cumpriu a missão com eficácia, baseado em depoimentos ímpares dos colaboradores do Rei do Pop e muito material de arquivo. Só me desagradaram algumas entrevistas inúteis com figuras renomadas, com Mariah Carey, que nada acrescentou além do seu nome nos créditos finais, com comentários muito superficiais. Mas isso é relevante. O documentário é emocionante e nostálgico.

PietáDe Kim Ki-Duk, premiado no Festival de Veneza. Kang-do trabalha cobrando empréstimos devidos a agiotas. Sem família, ele vive um cotidiano brutal e solitário, empregando métodos violentos para extorquir suas vítimas. Tudo muda quando ele é abordado por uma mulher que afirma ser sua mãe. Apesar da rejeição inicial de Kang-do, ela insiste pacientemente e ele aos poucos acaba aceitando-a em sua vida. Ele decide largar seu emprego e mudar de vida. Pouco depois, porém, sua mãe é sequestrada. A busca pelo sequestrador fará Kang-do se deparar com segredos que jamais deveriam ser revelados.

Filme duro, denso, agressivo, frio e até incômodo, mas, de alguma maneira, gostei desse desconforto. É admirável que um filme seja assim, mas passe longe do grotesco. Tem uma história muito bem escrita e amarrada, repleta de sentimentos intensos, por trás das cenas pesadas.

West of MemphisDe Amy Berg, exibido no Festival de Sundance. Apesar da falta de provas concretas, três adolescentes do Arkansas foram considerados culpados, em 1994, pelo assassinato de três meninos de oito anos de idade. Para muitos, este caso se tornou o exemplo máximo de erro do sistema judiciário. A atenção midiática dada à condenação fez com que eles ganhassem muitos apoiadores, como o cantor Eddie Vedder e o cineasta Peter Jackson. Depois de quase vinte anos esperando para ser executado, um dos rapazes, Damien Echols, tem a vida salva por um novo suspeito que entra em evidência com a ajuda de um ex-funcionário do FBI.

Esse filme tem duas horas e meia, mas cada minuto dele é justificável. A narração é feita com ares de suspense policial, de maneira interessantíssima e conquistadora, e se limita a mostrar os fatos, sem apelo para o sentimentalismo. Os questionamentos sobre a política, a justiça/injustiça e a impunidade ficam nas mãos do espectador. É revoltante e lamentável que seja um documentário, uma história real.

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