Festival do Rio: Top 5 Piores Filmes

O Festival do Rio 2012 chegou ao fim nesta semana (mas ainda tem a repescagem!) e, assim também, minha maratona. Mais do que todos aqueles filmes, a experiência das últimas semanas valeu pela correria, pelos encontros inesperados, pelos desencontros, pelas amizades fortalecidas, pela mentalidade aberta, pelas reflexões, pelas noites mal dormidas, e até pelo estresse causado pela desorganização do evento (afinal, falar mal é algo que eu gosto de fazer).

Neste post, no entanto, quero me limitar a falar sobre os longas-metragens aos quais assisti. Alguns filmes realmente me impressionaram – o nível da programação deste ano esteve particularmente bom (com exceção da Premiére Brasil, que achei meio fraca) – e quero deixar isso registrado aqui, como dica para o leitor. Vou citar os dez que mais gostei, ok? E, também como dica, falarei dos cinco que menos curti. Como disse que gosto de falar mal, começarei por esses. Lembrando que o ranking se limita os filmes aos quais eu assisti.

TOP 5 DE FILMES A SEREM EVITADOS

(por ordem alfabética)

Apenas o Vento (Csak a Szél)De Benedek Fliegauf, premiado no Festival de Berlim. Quando uma família cigana é morta no interior da Hungria, ninguém clama pela prisão do assassino ou se preocupa em entender as razões que causaram a tragédia. O silêncio em torno do crime é motivo suficiente para uma família romena voltar a conviver com seus medos reprimidos. Essa fatia poderosa de realismo social segue esta família em suas atividades diárias, onde uma atmosfera cada vez mais ameaçadora está sendo construída. Baseado em ataques reais a casas ciganas na Hungria, ocorridos entre 2008 e 2009.

Todo mundo gostou desse filme, mas ele foi, talvez, o que eu mais detestei. Bocejei a sessão inteira, morto de tédio com a suposta tensão que as pessoas disseram sentir. Nada acontecia. O longa se passa, basicamente, durante um dia inteiro e tive a impressão de passar 24 horas dentro da sala. O roteiro é muito arrastado. Funcionaria melhor como um curta, na minha opinião.

ColegasDe Marcelo Galvão, premiado no Festival de Gramado. Stalone, Aninha e Márcio são três jovens com síndrome de Down que se comunicam basicamente através de frases célebres de cinema. O código é resultado dos anos em que trabalharam na videoteca do Instituto Madre Tereza, local onde vivem. Um dia, inspirados pelo filme Thelma & Louise, o trio resolve fugir no carro velho do jardineiro em busca de seus sonhos: Stalone quer ver o mar, Márcio quer voar e Aninha busca um marido para se casar. Uma abordagem inocente e poética sobre as coisas simples da vida.

Esse aqui merece o troféu Vergonha Alheia. Só a intenção do filme presta, sinceramente. Todo o resto – roteiro, (grande parte do) elenco, direção, tratamento – beira o ridículo. Isso que digo não tem nada a ver com os atores com síndrome de Down, aliás. Eles são o melhor do projeto, que, nas palavras de um amigo, é o “encontro dos filmes da Xuxa com os filmes dos Trapalhões”. Não engoli também o mau aproveitamento do Lima Duarte.

Nós e Eu (The We and the I)De Michael Gondry, exibido no Festival de Cannes e no Festival de Toronto. Com o fim do ano letivo, alguns alunos de uma escola nova-iorquina do Bronx sobem no ônibus para realizar o último trajeto juntos antes das férias de verão. Alguns gostam de debochar, outros são vítimas de bullying, alguns são apaixonados, outros são objeto de paixão. Um garoto acaba de perder o pai, uma garota foi abusada por garotos de seu bairro. Aos poucos o ônibus se esvazia e as relações lá dentro se transformam. Ao se tornarem mais íntimos, facetas ocultas da personalidade de cada um se revelam.

O legal desse filme é que o elenco é formado por não-atores, que conseguem interpretar relativamente direitinho. Mas o filme careceu de uma boa direção – e sei que é complicado falar isso sobre um vencedor do Oscar. O longa é conduzido sem rumo o tempo inteiro, soando como uma bobeira, e a esperança do espectador é que no final aquilo tudo ganhe algum significado, mas isso não vem. Gondry quis mostrar como a atual geração de adolescentes é idiota e fez um filme igualmente idiotizado.

O GorilaDe José Eduardo Belmonte. O ex-dublador Afrânio é um homem solitário e atormentado por lembranças de sua infância. Em seu pequeno apartamento, buscando uma forma de se integrar à sociedade, ele cria um heterônimo: O Gorila. Sob a sombra de sua criaça, Afrânio, que é possuidor de uma bela e sedutora voz, passa a telefonar para almas solitárias, em geral mulheres, estimulando fantasias e se alimentando das histórias delas. Durante a ceia de Natal, Afrânio se torna vítima de um misterioso telefonema e se vê obrigado a enfrentar o mundo exterior para impedir um suicídio.

O filme é pequeno, mas eu tinha a certeza de ter ficado mais de três horas na sessão quando ela terminou. Cansativo, confuso e desproposito são adjetivos que ajudam a defini-lo. O que salva é o elenco de peso, formado por Otávio Müller (prêmio de Melhor Ator da Premiére Brasil), Alessandra Negrini (prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante), Mariana Ximenes e Milhem Cortaz.

Paul Williams Ainda Vive (Paul Williams Still Alive)De Stephen Kessler. Nos anos 1970, Paul Williams foi um prolífico compositor por trás de canções como Rainy Days and Mondays, do The Carpenters, e Evergreen, vencedora do Oscar de melhor canção original pelo filme Nasce uma Estrela (1976). Williams também ficou conhecido como o autor das canções do seriado The Muppets e como ator de cinema e TV. Determinado a descobrir o que aconteceu com seu ídolo de infância, o cineasta Stephen Kessller vai atrás de Williams. Apesar da desconfiança inicial, o cantor acaba vencido pela insistência e fala sobre sua carreira, o envolvimento com drogas e sua vida atual.

Trata-se de um documentário que se perde em seu objetivo. O filme se propõe a acompanhar a vida atual do Paul Williams, mas muda de rumo diversas vezes, problematicamente quando o cineasta se insere na narrativa. Vamos combinar que Stephen Kessler não é nenhum Spielberg, então em nada interessa ao espectador, para que ele se inclua tanto no longa. Pareceu um projeto pouco profissional, para satisfazer o fanatismo do diretor.

TOP 5 DE FILMES QUE VOCÊ NÃO PODE PERDER

No próximo post…

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