Não sou nada especial, mas acredito que sim

Antes do “Fala, Leonardo!”, eu tive outro blog, chamado “Não Sou Nada Especial”, cujo título bem humorado era uma tentativa de autoconvencimento que nunca funcionou por completo. Não sei se por ter assistido demais à Xuxa ou às Chiquititas, mas eu sempre acreditei que era, sim, especial e predestinado a uma vida maravilhosa. Isso era mais intenso na infância, mas ainda se mantém minimamente.

Quando criança, eu desfrutava do prazer de saber de antemão que seria muito feliz, faria muito sucesso, ganharia muito dinheiro e superaria todo e qualquer problema no futuro. Era como um spoiler da minha própria vida, fornecido pela segurança de ter sido enviado à Terra apenas para desfrutar dos privilégios mundanos. Eu tinha certeza que Deus, o destino, o universo, os duendes, como você queira chamar, guardavam algo maior pra mim. Às vezes, eu vazava essa informação, mas todos me achavam tolo, embora torcessem por mim. Na maioria do tempo, eu guardava esse segredo. “Enquanto vocês não sabem o que será da vida de vocês, eu sei que vou brilhar” – pensava, da maneira mais ingênua possível.

Como disse, essa crença ainda existe dentro de mim, com algumas doses a mais de realidade. Se na infância, achava que havia nascido pobre para aprender a dar valor ao dinheiro quando o tivesse, hoje eu acho que meu sucesso ainda não chegou porque antes tenho que trabalhar duro para valorizá-lo. Autoconsolo? Ilusão? Talvez. Mas são esses pensamentos que me motivam. Se as fadas, os deuses e os gênios da lâmpada não me predestinaram ao que há de melhor na vida, talvez se convençam de que eu mereça ao verem meu esforço.

Eu achava, sim, que as conquistas seriam mais fáceis e que me tornaria uma espécie de Eike Batista aos 25 anos (ainda há tempo!). Mas já entendi que não nasci merecendo nada – como achava – e faço o que posso para ser digno das minhas vitórias. Hoje eu entendo o olhar preocupado da minha mãe ou da minha avó quando eu verbalizava meus delírios. Elas temiam que eu me frustrasse, porque já conheciam a “dura realidade da vida”. Os adultos, em geral, me pareciam todos muito amargos. Viver é perder pouco a pouco a nossa doçura, eu acho. Mas de uma coisa eu não abro mão: acreditar em finais felizes, no meu particularmente. Senão de que adianta seguir em frente?

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