Um caso “parecido, quer dizer, não parecido, mas…”

– Eu me lembro dele. Usava aquela roupa especial…
– Uma fantasia.
– É, uma fantasia.

Antes das entrevistas, rola uma espécie de pré-entrevista, na qual os repórteres e produtores tentam deixar o entrevistado confortável, enquanto sondam e veem o que será possível extrair dele. O entrevistado ultimamente tenho sido eu, em uma curiosa troca de posição.

Ontem fui à redação do Conexão Jornalismo dar uma entrevista para a webrádio deles (segundo me informaram, será disponibilizada entre quarta e quinta, mas eu divulgo o link quando sair). Gostaria de ter tirado algumas fotos para colocar aqui. Cheguei a levar a máquina, mas acabei me esquecendo de tirá-la da bolsa na hora. Ok, vai um post sem ilustração. Sem problemas.

Quero falar de uma história contada pelo jornalista que me entrevistou, enquanto preparavam os microfones para a gravação. Não me lembro do nome dele (tenho esse problema para gravar nomes…), mas ele devia ter uns 40/50 anos, pelos comentários e referências. Ele me disse que, ao saber do meu livro, se lembrou imediatamente de um caso “parecido, quer dizer, não parecido, mas…”.

Há alguns anos, ele foi procurado por um rapaz que havia escrito a monografia da faculdade sobre um homem – não me lembro agora se policial ou não – que era acusado de uma série de crimes, repercutidos pela mídia. Ele o recebeu e, durante a entrevista, percebeu que o garoto era muito apaixonado em sua defesa. Perguntou se havia algo mais ali. O cara confessou: era filho do acusado. Climão. O garoto queria provar que o pai era inocente, mas o jornalista, bem informado, sabia que as acusações eram todas verdadeiras (posteriormente, o pai foi condenado) e disse isso ao rapaz. “Tudo que estão falando é verdade”. Baque para o menino.

Compreensível que a minha história lembre a desse cara, apesar das diferentes posturas assumidas. Nós dois escrevemos e nos expusemos, por causa dos nossos pais. Fiquei pensando nisso… e não cheguei a nenhuma conclusão. Talvez não tenha nada mesmo a ser concluído. Mas é interessante a similaridade das ocorrências. Tenho a impressão de que existe um leque de opção extremamente limitado para histórias de vida – com um detalhe ou outro diferente, uma combinação ou outra para dar uma pitada de personalização, mas, no fim, as narrativas se repetem.

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