Resenha: Fito Páez – HSBC Brasil (São Paulo)

Fui a São Paulo especialmente para assistir ao show do Fito Páez, na última quinta (26/7). Já o vi ao vivo em Buenos Aires em 2010 e queria repetir aquela experiência (lamento nunca ter podido ouvi-lo cantar no Rio de Janeiro, mas tudo bem). O show faz parte da turnê de comemoração dos 20 anos de lançamento do CD “El Amor Después Del Amor”, que ainda detém o título de álbum de rock argentino mais vendido da história. Não é qualquer bobeira não. Sem citar meu envolvimento pessoal com tudo isso.

A apresentação ocorreu no HSBC Brasil, com poucos ingressos vendidos, mas muita animação por parte dos presentes. Foram 25 músicas ao todo, com o show dividido em duas partes: na primeira, Fito cantou o CD na íntegra; na segunda, outros hits. Ainda houve bis. “Tumbas de la Glória”, “A Rodar Mi Vida”, “Ciudad de Pobres Corazones” e “Mariposa Tecknicolor” foram as que mais deixaram a plateia ensandecida. Eu, particularmente, tive momentos catárticos com “Dos Días en la Vida”, “Creo”, “Un Vestido y un Amor” e “Al Lado del Camino”.

Fito ainda fez um cover de “Vaca Profana”, que foi bem simpático, mas dispensável. Suas letras são o melhor do show. Há duelos de guitarras, exibição ao piano, projeções de clipes e participações da Fabiana Cantilo, Charly Garcia e Andrés Calamaro no telão, e isso tudo é muito divertido na maioria das vezes, mas o melhor são, sem dúvida, as letras. Tão simples e tão singulares. Geniais. É uma pena que poucas pessoas conheçam seu trabalho aqui, uma pena que estivesse tão vazio. Porque vale tanto a PENA! 😉 Eu quero mais.

Fito Páez Setlist HSBC Brasil, São Paulo, Brazil 2012

Condenáveis: novidades da semana [4]

Oi queridos!

Antes que eu esqueça: “Condenáveis” está em promoção na AGBook até o dia 29 (domingo). Em vez de R$30, a loja tá cobrando R$23,97. É a hora de comprar, pessoal! Liquidação \o/ Clique aqui para comprar.

Com o recado mais importante dado, revelo: são poucas as novidades nesta semana, porque não tive muito tempo para me dedicar à divulgação. A verdade é essa. Mas vamos ao que temos!

Estou em São Paulo e trouxe alguns exemplares para os amigos que pediram. Também vou entregar o livro para a vencedora da promoção do Dia do Amigo. Vou tentar me lembrar de tirar uma foto para depois postar aqui 🙂

Na quarta (25/7), respondi uma longa entrevista (longa mesmo!) por e-mail para o blog Jornalismo na Alma. Acho que o resultado vai ficar bem legal, porque foram perguntas que eu ainda não havia respondido. Não sei quando postarão, mas aviso aqui, como sempre.

Também estou enviando o e-book para os blogueiros interessados em resenhá-lo. Já fechei com alguns, mas não tenho previsão para a divulgação das críticas, porque eles, na maioria dos casos, tem uma fila grande de livros para avaliar. Se você é blogueiro, gosta de escrever resenhas literárias e se interessou por “Condenáveis”, me envia um e-mail.

Fora isso, mais dois blogs divulgaram o livro. Os Bastidores do Amor fez um post bem útil, com todos os links do livro, e o Blog da Nanda também falou sore “Condenáveis” em um post de lançamentos.

Por hora, é só. Sempre que surgirem novidades sobre o projeto, virei aqui compartilhar 🙂

Retrospectiva: um ano sem (?) Amy Winehouse

O primeiro aniversário de morte da Amy Winehouse é hoje. Mal dá para acreditar que já se passou um ano. A minha impressão é que ela ainda não conseguiu dormir em paz. A indústria fonográfica investiu tão pesado na sua voz, no seu nome e na sua imagem nos últimos 365 dias, que ela parece ainda estar viva, entre nós – trabalhando mais do que nunca.

Desde que ela morreu em 23 de julho do ano passado (você lembra onde estava quando recebeu a notícia? Eu lembro…), ela não deixou de ser noticiada sequer um mês, pelos mais diferentes motivos. Agora, pelo menos, eles são profissionais, em sua maioria. É a produção póstuma, cada vez mais em alta. Vamos fazer um retrospecto?

AGOSTO DE 2011
Amy Winehouse é capa das maiores revistas mensais de cultura (a maioria ressaltando sua entrada no “clube dos 27”), enquanto a perícia ainda investiga as razões de sua morte. Em homenagem à cantora, Bruno Mars faz um cover de “Valerie” no Video Music Awards (uma gafe, pois embora a música fizesse parte do repertório dela, trata-se de um cover dos The Zutons). Também neste mês, pipocam boatos sobre filmes que contariam a história da cantora – alguns chegam a dizer que Lady Gaga estaria interessada no papel.

SETEMBRO DE 2011
A família da cantora inaugura a Fundação Amy Winehouse no dia do aniversário dela e Tony Bennet lança o clipe de “Body and Soul”, uma das últimas músicas gravadas por ela. A faixa faz parte do CD “Duets II”, que estreou em 1º lugar na Billboard 200 (em parte graças ao sucesso deste primeiro single).

OUTUBRO DE 2011
O laudo médico confirma os rumores sobre a morte da Amy: abstinência alcóolica seguida de overdose acidental. Nenhuma droga foi encontrada no corpo da cantora (chupa, sociedade!). Aproveitando a divulgação do relatório, Mitch Winehouse, o pai, anuncia que lançará uma biografia focada em sua relação com a filha (“Amy Winehouse: My Daughter”).

NOVEMBRO DE 2011
Músicas inéditas da Amy – a maioria faixas demo ou versões inacabadas, escolhidas para o primeiro CD póstumo dela – vazam na Internet um mês antes do lançamento.

DEZEMBRO DE 2011
O aguardado CD póstumo “Lioness: Hidden Treasures”, prometido pela gravadora quando o corpo da Amy mal havia esfriado, é lançado mundialmente e estreia em 5º lugar na Billboard 200 e em 1º lugar na parada britânica, se consagrando como o lançamento mais bem sucedido da cantora. O álbum trazia uma versão de “Garota de Ipanema”. Neste mês, também, o pai da cantora veta o uso de suas músicas em qualquer cinebiografia, inviabilizando os projetos neste sentido.

JANEIRO DE 2012
A afilhada musical da Amy, Dionne Bromfield, vem ao Brasil participar do Summer Soul Festival, evento que trouxe a cantora ao país um ano antes. Em Paris, o estilista Jean Paul Gaultier homenageia Amy Winehouse em desfile de moda.

FEVEREIRO DE 2012
Amy Winehouse ganha um Grammy póstumo pelo dueto com Tony Bennett em “Body and Soul”. Seus pais vão à premiação receber o troféu e lamentam a morte de Whitney Houston, morta na véspera.

MARÇO DE 2012
Através da Fundação Amy Winehouse, a família anuncia o interesse de apadrinhar um novo artista e financiar seus estudos na Sylvia Young Theatre School, onde a cantora estudou no início da carreira.

ABRIL DE 2012
Rumores dizem que Mitch Winehouse se comunica com a filha através de sessões espíritas – prato cheio para a mídia especializada em celebridades. Com mais conteúdo, Patti Smith promete homenagear Amy Winehouse em seu novo CD, com uma música escrita no dia de sua morte (“This Is the Girl”).

MAIO DE 2012
A casa na qual Amy Winehouse morreu é colocada à venda em Londres. No mesmo mês, o produtor Mark Ronson, do álbum “Black to Black”, resolve fazer fofoca e, durante uma entrevista, diz que ela estava chateada com o sucesso da Adele, cantora declaradamente sua fã. “Ela gostava da Adele, mas seu sucesso estava deixando Amy competitiva, incansável”, falou ao jornal The Village Voice. Amy Winehouse, mesmo morta, continuava sendo pauta das colunas de fofoca.

JUNHO DE 2012
O cantor Usher, durante a divulgação do seu CD novo, revela que tinha planos de trabalhar com Amy Winehouse em uma música. No mesmo mês, Mitch Winehouse anuncia que a autobiografia que escreveu trará cartas pessoais escritas pela filha.

JULHO DE 2012
O rapper Nas, que participou do álbum “Lioness: Hidden Treasures”, lança um novo dueto com Amy Winehouse. A música se chama “Cherry Wine” e é disponibilizada na Internet. Aproveitando o gancho, o pai da cantora avisa aos fãs: ainda há muito material inédito, suficiente para mais CDs póstumos.

Condenáveis: novidades da semana [3]

Oi, tem alguém aí?

Felizmente, essa semana trouxe muitas novidades felizes para “Condenáveis” – esse projeto ao qual venho me dedicando como posso desde junho (parece muito mais tempo!).

Desde sexta passada (13/7), quando publiquei o último retrospecto, muita coisa aconteceu. A promoção aqui no blog é uma delas. Acaba hoje à noite e, infelizmente, pouquíssimas pessoas participaram. Não por falta de divulgação, mas acho que todo mundo fica com preguiça de pensar em respostas criativas hahaha Tudo bem, tudo bem… ainda dá tempo de participar!

Fora isso, tem duas parcerias novas: com o blog Vem ler comigo! (clique aqui) e com o blog Perdidas na Biblioteca, que publicou a primeira resenha do livro. Ficou curtinha, mas já é alguma coisa, né? A jornalista Natalia Eiras escreveu que “muitos filhos irão se reconhecer. A história é leve, de leitura fácil (eu terminei em uma noite!!) e as situações apresentadas ocorrem na maioria das famílias hoje em dia (infelizmente)”.

O blog Belbellitae, da amiga Lívia (saudade de te ver várias vezes na semana!), também divulgou o livro. Aliás, tenho que agradecer a todos meus amigos, de um modo geral, que ajudam a divulgar o livro no boca-a-boca e nas redes sociais. Vocês são demais! Mesmo.

E, agora, os acontecimentos mais legais da semana. Por meio de um grupo de novos escritores do Facebook, conheci o Sergio Carmach e a Nicole Weiss. Os dois também são autores e me entrevistaram para seus respectivos blogs. Ambas as entrevistas foram ótimas, com perguntas que me fizeram pensar ou repensar um pouco toda essa história. Vejam aqui a entrevista para o Sergio e aqui a entrevista para a Nicole. Para quem está acompanhando todo esse processo, vale a pena. Ficaram muito bacanas.

Para a semana que vem, pela primeira vez, não tenho nada encaminhado, porque vou fazer uma viagem rápida a São Paulo (para ver o show do Fito Páez). Mas vamos ver o que acontece. Estou tendo alguns problemas com as vendas dos livros (primeiro com encomendas, depois com compradores), então devo tirar alguns dias para resolver tudo isso.

No mais, pensemos grande, para alcançar grande 😉

OBS: Uma seguidora do Twitter, chamada Izadora, comprou o livro para se autopresentear no aniversário. F-o-f-a.

Por que “Lola” fracassou nos EUA – e provavelmente repetirá o feito no Brasil?

Demi Moore (“Margin Call – O Dia Antes do Fim”) e Miley Cyrus (“A Última Música”) tentaram unir duas gerações para o lançamento da comédia dramática “Lola” (LOL), remake norte-americano do francês “Rindo à Toa” (LOL, 2008). Não deu certo. O longa, escrito e dirigido por Lisa Azuelos (do original), não agradou nem a crítica nem o público nos EUA, registrando uma bilheteria ínfima, rapidamente retirado de cartaz. O que houve de errado, então?

O filme tem todos os elementos necessários para uma trama teen: romance, descobertas sexuais, drogas, música e conflitos sociais-estudantis. Os personagens clichês – a descolada que na verdade é virgem, o melhor amigo que vira namorado, o nerd feio, a piranha do banheiro, o professor gostoso, a loira deslumbrante, os garotos da banda, a cota afro e a cota latina – também estão todos lá. Apesar de se repetirem exaustivamente em outros filmes, os ingredientes sempre funcionam. Além disso, Azuelos aposta nos dramas familiares e em comportamentos contemporâneos (a.k.a. sexo virtual) para tornar a história única.

Mesmo assim, ele não emplacou. Eu achei fofinho – cheguei a dar três estrelas, de cinco, no meu perfil do Facebook – mas o filme tem, de fato, vários problemas. Os diálogos são mal escritos e pouco convincentes, o que prejudica o desempenho dos atores (é a única explicação para todo o elenco estar… ruim!), e o ritmo é totalmente arrastado. O diário da protagonista (Cyrus) ofusca os laptops, celulares com Internet e webcams, conscientemente inseridos na narrativa para dar um ar de modernidade. Ela não deveria ter um blog? Um arquivo .doc? Que seja. O problema maior é que as cenas são mostradas e depois se repetem quando ela se tranca no quarto para narrá-las por escrito. Empaca.

Outro ponto que não gostei – e esse é extremamente pessoal – é a representação do Brasil na história. Logo no início, a protagonista fica nua no banheiro, na frente da mãe (Moore), que se horroriza ao ver o formato da depilação pubiana da filha. “O que é isso? Moda brasileira? Você virou atriz pornô?”. Não ri da piadinha, apoiad em um estereótipo tão batido. Ainda mais saindo da boca da estrela de “Striptease”. Convenhamos.

O Facebook e a visita cruel do tempo

Jennifer Egan, uma autora que descobri com o livro “A Vida Cruel do Tempo” (e com quem já vivo uma relação de amor e inveja), disserta com bastante propriedade sobre a interferência da Internet nos relacionamentos contemporâneos. Não aceitamos perder ninguém de vista e deixar simplesmente o tempo passar.

No livro, a autora fala mais de uma vez sobre como qualquer pessoa é encontrável no Google. Sobre as redes sociais, ela diz que incentivam questionamentos como “o que terá acontecido com [fulano]?”. Um trecho específico diz que “os reencontros levarão à descoberta mútua de que ter feito um safári juntos 35 anos antes não significa que se tenha muita coisa em comum”. O mesmo vale para colegas do jardim de infância, companheiros antigos de esporte ou vizinhos que nem sabemos mais de onde eram. Todos ficam reunidos na mesma lista de contatos, lado a lado, como um álbum da vida.

O problema é a constância do álbum, como se o tempo deixasse de passar com todos aqueles rostos te olhando diariamente pela tela do computador. Afinal, não passa disso: uma maneira de não deixar a vida seguir adiante. Você não precisa conversar com nenhum deles, mas é inadmissível não tê-los adicionados no Facebook. Mesmo aquele garoto que você detestava na época do colégio e que, seguindo o rumo natural dos acontecimentos, nunca mais voltaria a ver está adicionado. As redes sociais tornam todos amigos. “Amigos”.

Ter 787 pessoas adicionadas – é esse o meu número exato de contatos no Facebook – não expressa popularidade, mas vivência. Já conheci muita gente ao longo da vida, mas quem não? Tê-los todos ao alcance de um clique é uma ilusão, porque não comparecem mais de 20 pessoas nos meus aniversários. Não passa de uma maneira de impedir que certas épocas passem definitivamente e que a vida faça sua seleção natural.

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