Quatro anos depois, o retorno ao colégio

Voltei ao colégio onde estudei por 12 anos para levar meu livro (que você pode comprar aqui) a uma antiga professora. Moro a quatro quarteirões da escola, mas não entrava lá há cerca de quatro anos. Situação delicada. Não por saudosismo, mas porque é sempre complicado voltar a cenários remotos de minha vida. Os lugares, antes como lares, se tornam estranhos – porque não fui só eu que segui com minha vida, os locais, à sua maneira, também. São como pessoas.

O segurança, cujo rosto conheço há muito tempo, me encheu de perguntas antes de liberar minha entrada. Além de não se lembrar de mim, não acreditava nas minhas boas intenções. Tive que dar o número da minha identidade e usar um crachá de visitante para entrar. Antes, não tinha essa burocracia toda. “Pós-chacina de Realengo?”, pensei. Senti-me um ET.

Distanciei-me da porta rumo à escada principal, percebendo que o cenário continuava o mesmo, exatamente igual. Talvez eu estivesse errado sobre os lugares seguirem sua vida. As paredes molho rosê, o verde das árvores, os mesmos funcionários (públicos), os mesmos cantinhos, os mesmos uniformes saltitantes. Só eu que não, não mais o mesmo.

Fui abordado pelos inspetores, tão ouriçados como o segurança com a presença de um estranho. Queriam saber o que eu desejava/fazia ali. Quis ter meu uniforme de volta, aquela calça azul marinho e aquela blusa social branca que me tornavam invisível, parte do cenário, como um passaporte para a inclusão. Expliquei que fui falar com uma professora e foram chamá-la. Ficou subentendido que eu não devia sair dali. A locomoção não me era mais permitida.

Embora eu não identificasse a cara de nenhum aluno, o fato é que eles estavam todos ali. Estudantes são sempre estudantes, reclamando dos professores, querendo matar aula e doidos para que o dia termine logo. Não há individualidade ali. Não há nome e sobrenome. Todos são substituíveis. Todos são cabides de uniformes. E todos se sentem especiais – todos.

No fundo, aquele lugar – o colégio – não havia, como eu pensava, seguido sua vida, mas sim parado no tempo. Os alunos consistiam na única mudança, mesmo assim irrelevante, como se fossem todos uma nova temporada da “Malhação”, que muda o elenco, mas não a história. Um uniforme era tudo o que eu precisava para não parecer uma mosca no macarrão. Mas, no meu corpo, seria uma fantasia.

2 respostas para Quatro anos depois, o retorno ao colégio

  1. Muito tenso retornar a escola, um misto de alegria e depressão. Também voltei esses dias a minha escola, depois de 6 anos, onde estudei o colegial… um local que sempre amei e amo, algumas das minhas melhores lembranças foram vividas lá, alguns dos meus melhores amigos foram feitos lá, acho que lá vivi a melhor época da minha vida escolar. Fui buscar uma segunda via do histórico escolar, que a faculdade fez o favor de perder e precisava para liberar o diploma. Aqui no interiorrr não rola essas coisas de máxima segurança nas escolas, na verdade nem tem segurança, hahaha… entrei de boa pela secretaria e logo comecei a ver os rostos conhecidos, mas ninguém me reconheceu… aliás, minha professora de história, que era uma das minhas mais queridas, ficou me olhando muito, de um jeito estranho, com certeza estava tentando lembrar de que turma eu era, mas ñ disse nada e eu tb ñ disse nada, vergonha reciproca, mas foi bom vê-la de qualquer forma. A inspetora de alunos, essa passou por mim sem nem “tchum”, acho que nem fez idéia que eu estudei lá e também éramos muito próximas na época da escola, hahaha… fiquei triste, mas é totalmente compreensível, saí de lá a 6 anos… é muito tempo e como vc disse, alunos são totalmente descartáveis e renováveis mesmo, para eles, infelizmente, é inviável lembrar de todos. A escola também continua exatamente igual, talvez uma pinturinha diferente aqui, outra alí, mas tudo igual… impressionante, é uma cápsula do tempo, uma sensação estranha. Qdo foram pegar a listagem da sala, pra achar meu histórico, pude ver lá, todos os nomes, por ordem de chamada do “3ºA”, tirei até uma foto meio escondido, hahaha… bom pra matar as saudades, foi emocionante. São 6 anos, mas ao entrar lá, parece que foi ontem, de verdade. O tempo passa muito depressa.

    ps. eu ainda tenho meus uniformes, hahahaha.

  2. Sensação assustadora MESMO!!! Lembrei exatamente da última vez que fui tentar buscar meu diploma (sem sucesso) na escola onde estudei no ensino médio. Nunca senti tanta falta daquele jaleco horroroso da FAETEC. rsrs

    RESPOSTA DO LÉO – Me arrependi de ter jogado o uniforme fora. Podia ter guardado de lembrança.

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