Condenáveis: entrevista para a TV UVA

Fui convidado pela produção do Jogo Aberto, da TV UVA, para dar uma entrevista sobre “Condenáveis”, meu livro, lançado nesta semana. Além de ter sido ótimo voltar à faculdade em que estudei e reencontrar rostos conhecidos, também gostei de conversar com as pessoas que ainda não conhecia e se interessaram pela minha história.

1) O primeiro foi um senhor que não sei exatamente o que era, mas queria dicas sobre como escrever melhor. Fiquei sem graça, porque não posso ser referência para ninguém. Tenho só 22 anos, sou recém-formado, tenho muito a aprender ainda. Aconselhei-lhe a comprar uma gramática, mas ele queria algo mais específico, um manual de narração. Perguntava como havia sido o processo para escrever “Condenáveis”.

– Primeiro, escrevi os tópicos que queria abordar e organizei-os por capítulos, em ordem cronológica, como um esqueleto.
– Isso que eu queria saber!
– Mas isso foi uma escolha minha, que me deu mais segurança para escrever, sabendo por onde passaria e qual seria meu destino. Não é uma regra.
– É, não levo mesmo jeito para escrever…

Figuraça.
Depois, esse mesmo senhor me disse o que pensava da minha atitude de lançar um livro contando essa história específica. Ele falou que, com isso, eu estava mostrando que meu pai era importante pra mim. Gosto de ouvir esse tipo de interpretação, porque tenho como expressar minha discordância. Expliquei-lhe que, se lê-se, ele entenderia que não. “A ausência não pode ser importante. A história, sim, é importante”, rebati. Ele não pareceu se convencer, mas tudo bem. Toda obra é aberta.

2) O segundo caso interessante foi o apresentador do programa, aluno da faculdade, que infelizmente não me lembro o nome (sou péssimo para decorar nomes de primeira). Conversamos antes que a gravação começasse, enquanto os técnicos faziam os testes de som.

– Caraca! Você tem 22 anos, tá lançando livro e fazendo pós.
– Você tem quantos anos?
– 22 também. Mas comecei o curso tarde. Jogava bola antes.

Fiquei em dúvida se ele jogava profissionalmente ou havia passado os últimos anos jogando pelada. Perguntei.

– Não, profissionalmente, pô. Fui para São Paulo aos 17 anos e fiquei jogando alguns anos lá, mas não deu certo.
– Ah, mas não foi um tempo perdido. Se você não tivesse tentado, poderia ter se frustrado.
– Eu também penso assim! Talvez nem estivesse aqui. Pelo menos, tentei. Hoje em dia, conheço gente do Brasil todo, graças a essa experiência.

O cara era muito simpático, mas notei que, embora dissesse o contrário, aquilo era um problema para ele. Talvez porque estivesse estudando, aos 22, com pessoas de 17, 18 anos. Não sei. Mas achei uma bobeira (embora eu, com todo meu medo de ficar para trás, atrasado, seja a última pessoa indicada para avaliar o caso). Deixar a casa dos pais aos 17 anos e se mudar de cidade deve ter feito dele muito independente. Fiquei pensando nisso depois. Ele deve ter muitas histórias para contar, uma vida riquíssima.

Sempre apoiarei quem corre atrás dos seus sonhos, seja jogar futebol, cantar, vender pastel na feira, dar aulas, qualquer coisa. Quando eu era pequeno e sonhava muito alto, como ainda acho que deve ser, minha mãe fazia o possível para realizar ou me ajudar a realizar cada sonho desses. Ela dizia exatamente isso: não queria que eu me frustrasse. Levo isso pra vida. Às vezes o medo do fracasso faz com que sequer tentemos conquistar o que queremos. Prefiro quebrar a cara, mas me arriscar, como o apresentador fez 😉

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