Branca de Neve: dos irmãos Grimm às releituras cinematográficas contemporâneas

Talvez o conto de fadas mais conhecido e adaptado, “Branca de Neve”, compilado pela primeira vez pelos irmãos alemães Jacob e Wihelm Grimm no século XIX, ganhou duas releituras cinematográficas neste ano. De “Branca de Neve e os Sete Anões”, da Disney, até “Espelho, Espelho Meu”, dirigido por Tarsem Singh, e “Branca de Neve e o Caçador”, do Rupert Sanders, são exatos 75 anos. Mesmo assim, os dois filmes têm que lidar com o peso da referência da animação, que rendeu um Oscar a Walt Disney pelo reconhecimento da “significante inovação no cinema”.

“Espelho, Espelho Meu”, aliás, começa a narrar a clássica história se apropriando da linguagem animada, que depois é substituída pela atuação de Julia Roberts (Rainha Má), Lily Collins (Branca de Neve) e Armie Hammer (Príncipe). Os atores usam figurinos típicos de contos de fadas, coloridos e tradicionais, e caminham por cenários toscos e digitalizados. A famosa floresta para onde a protagonista foge é pouco crível de tão artificial e lembra o set de “Xuxa Abracadabra” (2003).

Já o filme de Rupert Sanders opta por externas, que dão mais credibilidade à história, e inova já nos figurinos. Os vestuários, assim como os ambientes, são escuros e pouco lúdicos. Kristen Stewart (Branca de Neve) usa armadura, escudo, facas e espadas, assim como Chris Hemsworth (Caçador) e Sam Claflin (projeto de Príncipe, em uma narrativa que não há espaço para ele). Neste caso, a trama se masculiniza e amadurece, se transformando em um épico de guerra, onde a protagonista luta para destronar a Rainha Má (interpretada belissimamente por Charlize Theron).

“Branca de Neve e o Caçador” e “Espelho, Espelho Meu” resultam completamente diferentes, apesar de originarem do mesmo texto. Enquanto um é sombrio, o outro é alegre. A Branca do épico de guerra convive com a miséria humana, enquanto a segunda se entristece com um povo que “não dança e não canta mais”. São propostas distintas e destinadas a públicos igualmente distintos. O filme de Sanders traz porradaria, mortes, alcoolismo, sangue e muita ação. O de Singh traz duelos coreografados (parecem danças), narrativa teatralizada e muito bom humor (Julia Roberts diverte!). O primeiro, que inovou, é recomendado para maiores de 12 anos, o segundo, que atualiza a fábula, é livre para todas as idades.

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