Resenha: Noel Gallagher – Show no Rio de Janeiro / Vivo Rio

Todo artista que sai de uma banda de sucesso para seguir carreira solo passa por aquele dilema: cantar ou não cantar as músicas do trabalho anterior? Noel Gallagher, a cabeça do Oasis, optou por saciar o desejo do público. O compositor, guitarrista e cantor – mais ou menos nesta ordem de importância – abriu o show no Vivo Rio, na quinta (3/5), pontualmente às 21h30 (no meu relógio, 21h29), com duas músicas de sua antiga banda. Assim, de cara, como quem quer logo cumprir com uma missão.

O músico conseguiu mesclar bem as músicas do seu novo trabalho – “High Flying Birds”, lançado em 2011 – com as do Oasis, mantendo o show animado. Se revezando entre violão e guitarra, Noel contou com o apoio de um super baterista (Jeremy Stacey), um tecladista e uma dupla de baixista e guitarrista, que também fazia as vezes de backing vocals.

O público, formado por jovens adultos, que encheram a casa de shows em um dia de semana, sabia cantar todas as músicas novas, mas não disfarçava a paixão pelas antigas. Foram “Supersonic”, “Half The World Away”, “Whatever”, “Little By Little” e “Don’t Look Back in Anger” os pontos altos do show, nos quais a plateia cantava com mais intensidade e entrega. Em alguns momentos, os fãs do gargarejo faziam reverência ao cantor. Até ele, com sua fama de mal, deu uns sorrisinhos de realização ao ouvir os coros (ao menos, eu acho que deu, porque os telões estavam desligados, me impedindo de analisar melhor suas expressões faciais).

Aliás, seu comportamento é um show à parte. Ele entra no palco como quem não quer nada, começa a tocar e só interage com o público antes da quinta música, em inglês. Nada de aprender palavrinhas em português ou dizer que somos a melhor plateia do mundo (ele falou, no entanto, que estava feliz de estar de volta e prometeu regressar). Noel faz um show técnico e contagiante pela música. Carismático ele não é e nem tenta ser. Os fotógrafos, por exemplo, foram vetados de registrar as três primeiras músicas, como é de costume, e tiveram que fotografar dos camarotes, à distância. Excentricidade?

Lá pro meio, o público – que levou bexigas verdes-e-amarelas e gritou “Olê Olê Olê Olê Noel, Noel!” a cada pausa – conseguiu quebrar o gelo. Ele chegou a conversar com os fãs que estavam na grade, se esforçando para entendê-los. Carregou para o backstage, sem olhar, alguns presentes que jogaram para ele. Mas logo se cansou da tietagem e lançou um “Have you finished?” (Terminou?) antes de “A.K.A… Broken Arrow”.

No bis, quase todo com músicas do Oasis, ele voltou ao palco animadinho, batendo palma junto com o público e fazendo passinhos enquanto a plateia cantava. Não atendeu aos pedidos de músicas de fora do setlist, mas agradou com as escolhas que ele mesmo fez, e saiu do palco distribuindo acenos agradecidos, mas sérios. Afinal, ele tem que manter sua fama de mal.

Setlist

01- (It’s Good) To Be Free (Oasis)
02- Mucky Fingers (Oasis)
03- Everybody’s On the Run
04- Dream On
05- If I Had a Gun…
06- The Good Rebel
07- The Death Of You And Me
08- Freaky Teeth
09- Supersonic (Oasis)
10- (I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine
11- A.K.A… What a Life!
12- Talk Tonight (Oasis)
13- Soldier Boys and Jesus Freaks
14- A.K.A… Broken Arrow
15- Half The World Away (Oasis)
16- (Stranded On) The Wrong Beach
BIS
17-Let the Lord Shine a Light On Me
18- Whatever (Oasis)
19-Little By Little (Oasis)
20- Don’t Look Back In Anger (Oasis)

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