Sem limites: Tupac, morto em 1996, fazendo show em 2012 – onde vamos parar?

Esqueça tudo o que você já ouviu falar sobre materiais póstumos de ídolos da música. CDs com faixas inéditas, samples, duetos desautorizados com artistas contemporâneos, tudo, absolutamente tudo. Tupac, morto em 1996, quebrou todos os paradigmas ao aparecer no palco do festival americano Coachella no último domingo (15/4). Isso é o que chamo de ressuscitação pós-moderna.

Graças a um holograma, criado pela Digital Domain, responsável pelos efeitos especiais de “O Curioso Caso de Benjamin Button”, e projetado pela AV Concepts, Tupac voltou à vida e fez um dueto com Snoop Dogg. O resultado, que custou entre R$ 180 mil e R$ 740 mil, reluzia muito real, como se ele realmente estivesse ali no palco, e agradou tanto que agora já cogitam uma turnê norte-americana.

A digitalização parece não ter mesmo limites. Não se pode mais morrer em paz. O deslocamento geográfico, sem sair do lugar, proporcionado pela Internet, não satisfaz mais. O holograma do rapper indica um novo caminho: o rompimento cronológico. A aparição de Tupac mesclava, em um só momento, o passado, o presente e o futuro. É possível vislumbrar até um retorno dos Beatles, com todos seus integrantes. Ou uma performance do Elvis Presley com… Justin Bieber, afinal todo advento tem seu ônus. Você não tem a impressão de viver em um filme de ficção científica?

A própria decisão de sair em turnê com um Tupac virtual e irreal, apesar de impressionantemente progressista, é também um desrespeito. Vai saber se ele teria aprovado isso. Mas quem se importa? Em entrevista ao MTV News, o presidente da AV Concepts, Nick Smith, disse que os hologramas são uma oportunidade de ver os artistas mortos fazendo novos shows e cantando músicas que não cantaram antes. É como uma máquina do tempo com poder de interferência no passado (que deixa o artista morto sem autonomia).

Já sabemos que a tecnologia é capaz de trazer Tupac e quem mais for desejável de volta à vida, o que é considerado emocionante ou/e mórbido por quantidades similares de pessoas. Mas agora é necessária uma reflexão para que isso não se banalize e se torne um terror. Whitney Houston escapou, mas poderia ter cantado no próprio funeral. Imagine. Isso teria sido bom ou ruim?

UPDATE 18/04/2012 13:35

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