Filme Xingu, construção da hidrelétrica Belo Monte e a causa indígena

O fim de semana de feriadão trouxe a feliz estreia de “Xingu”, que entra em cartaz em 200 salas nacionais, concorrendo pelo público com “Espelho, Espelho Meu”, “Jovens Adultos”, “Santos, 100 Anos de Futebol Arte” e os blockbusters “Fúria de Titãs 2” e “Jogos Vorazes”, líderes de bilheteria da semana passada. O longa de Cao Hamburger é lançado cheio de expectativas pelos cinéfilos, após exibições limitadas no Festival de Berlim e no Festival do Amazonas.

O momento, no entanto, é propício. “Xingu”, que tem produção do Fernando Meirelles, retoma a discussão sobre o patrimônio indígena e os interesses progressistas do governo. O filme não toca no assunto, porque se limita a recontar a história dos irmãos Villas Bôas (interpretados por Caio Blat, Felipe Camargo e João Miguel) e a fundação do Parque Indígena do Xingu, mas é inevitável a reflexão sobre a Hidrelétrica de Belo Monte, prevista para ser a segunda maior do Brasil.

Para quem não sabe, a construção da nova usina, no rio Xingu, é um projeto antigo do governo Lula, que via a obra, que já está ocorrendo, como fundamental para o fornecimento de energia elétrica no país nos próximos anos. Com financiamento do BNDES, o orçamento do projeto é estimado em R$ 26 bilhões e as prefeituras das cidades às margens do rio apostam no crescimento e progresso dessas áreas. A criação de empregos era uma das principais bandeiras levantadas pelos defensores de Belo Monte, mas a verdade é que 80% dos operários estão em greve desde o fim de março, denunciando más condições de trabalho, após a morte do operador de uma motosserra.

O assunto, porém, é ainda mais delicado e desperta discussões apaixonadas entre governo e ambientalistas. Para a instalação da usina, uma área de 640km² será inundada e mais de 20 mil famílias terão que ser transferidos para outras regiões, inclusive os índios, que consideram a terra sagrada. O cineasta americano James Cameron, de “Avatar”, já se posicionou publicamente contra o projeto. No seu filme, que detém o título de maior bilheteria da história, os humanos tentam explorar arbitrariamente os recursos naturais do planeta Pandora até o seu esgotamento. A metáfora é interessante.

Voltando a Belo Monte, sua instalação afetará direta ou indiretamente, de acordo com o site Xingu Vivo, 60 terras indígenas, “a medida que o Xingu e sua fauna e flora, além do seu entorno, fossem alterados pela usina”. Comunidades inteiras podem ficar isoladas, perdendo o direito ao transporte fluvial e à pesca, além do temor das secas, enquanto outras sofreriam a chamada “civilização” – compulsória.

Nesse ponto, “Xingu” consegue ser extremamente atual ao se voltar para o século passado e analisar a criação das primeiras cidades no oeste brasileiro, a inauguração da primeira base militar na área e a construção da Transamazônica. Os projetos governamentais sempre tenderam ao descaso com a causa indígena, como se eles fossem humanos de segunda categoria, sem direito a preservar a sua cultura. Em nome do progresso, milhares de índios morreram e o pior de tudo é que a história tende a se repetir. Progresso… mas a bandeira do país também pede por “ordem”.

Uma resposta para Filme Xingu, construção da hidrelétrica Belo Monte e a causa indígena

  1. Renan

    Olá Leonardo adorei o texto sobre a Hidrelétrica de Belo Monte estou fazendo uma pesquisa de escola e citei trechos de seu texto, mas claro dizendo que foram retirados do seu site.

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