Secret Diary of a Call Girl, monogamia e sentimentos

Acabo de assistir às quatro temporadas da série inglesa “Secret Diary of a Call Girl”, indicada e gravada por uma amiga. O programa acompanha a vida de uma garota de programa e sua tentativa de manter um relacionamento monogâmico e estável. Tentativa.

É curiosa essa história da monogamia. Fidelidade. Traição. Palavras tão batidas, tão pesadas e tão dolorosas. De verdade, considero evoluídas as pessoas que mantém relacionamentos alheios a esses rótulos. Não por serem frias ou desapegadas, mas por não sentirem ciúme, outro termo carregado de negativismo.

Na série, Belle, a protagonista, vivida por Billie Piper, namora dois homens cientes de sua profissão – um de cada vez, é claro. Eles pretendem encarar a barra de ter uma namorada que passa os dias e as noites transando com outros homens porque supostamente a amam muito. É isso ou nada.

No caso, não há traição nem infidelidade, porque tudo está acordado. A monogamia, no entanto, é estabelecida. Ela sai com outros homens enquanto trabalha, mas fora isso, não mantém uma vida pessoal promíscua. Se o fizesse, aí sim… traição! O mesmo vale para eles. Racional demais, né? Mas é assim que acontece.

Muitos acreditam que o ciúme e a exigência de monogamia estão associados ao sentimento de posse. Já pensei assim também, mas não mais. Acredito que tudo o que queremos é nos sentir especiais para alguém. Como se valêssemos a resistência e a abdicação da poligamia. Queremos valer a pena.

Por isso, no caso dos namorados de Belle, eles conseguem lidar relativamente bem com o atendimento de seus clientes. Eles pagam para estar com ela. Não são ameaças ao sentimento de especial. “Eles pagam, mas ela escolheu a mim”. Mais ou menos isso. Não há sentimento de posse, percebe?

O ciúme tem muito mais a ver com o egocentrismo do que com possessão. Não é “eu tenho”, mas “eu sou” e o medo de “não ser”. É muito mais sobre como nos sentimos. Isso explica também mulheres lindas que saem com caras horrorosos e vice-versa. O que importa é se sentir especial para alguém que não seja a nossa mãe

2 respostas para Secret Diary of a Call Girl, monogamia e sentimentos

  1. Nicolás D' (@nicod_)

    Nunca ves las series que yo te recomiendo y sí la de los otros…

  2. Mais do que sentir-se especial, talvez o ciumes ande por lados mais obscuros; como sentir-se como alguém que não é especial, nem para si mesmo e nem para o próximo. Daí vem as neuroses de sentir-se sempre ameaçado por um terceiro. Não acredita-se no como o outro o está a enxergar e acaba-se por se afogar nos dramas da auto-imagem.

    Eu assisti aos primeiros episódios da serie, mas não me comprou. Assim como havia tentado ler o livro antes e achei chato. Talvez por ter buscado o livro/a serie graças a empolgação que CHÉRI me gerou. Mas, depois de ler os dois livros da serie Chéri, Belle não me ganhou.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s