Oscar 2012 premia O Artista e o bom e velho bêabá do cinema

"O Artista" ganha os prêmios principais da 84ª edição do Oscar

A cerimônia do Oscar terminou sem grandes surpresas, como de costume, com a maioria dos prêmios divididos igualmente entre o O Artista, do diretor francês pouco conhecido Michel Hazanavicius, e A Invenção de Hugo Cabret, do aclamado Martin Scorsese. Cada filme levou cinco estatuetas, de pesos diferentes, com a balança desequilibrada, tendendo para a produção francesa. O Artista faturou os prêmios de Melhor Filme, Direção, Ator (Jean Dujardin), Figurino e Trilha Sonora. Já a adaptação do clássico Hugo levou as estatuetas técnicas de Efeitos Visuais, Mixagem de Som, Edição de Som, Direção de Arte e Fotografia.

Ambos os longas prestam homenagens à história do cinema, mas utilizam métodos diferentes para isso. Como se ouviu falar excessivamente nas últimas semanas, O Artista é um “filme mudo e em preto e branco” (mas não apenas isso!) e A Invenção de Hugo Cabret é um infantil filmado com as técnicas mais avançadas do 3D. As duas formas de se contar histórias semelhantes agradaram à Academia, mas seus membros preferiram a primeira, que soa mais atemporal, por incrível que pareça.

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É sabido que os votantes do Oscar são conservadores e tradicionalistas – algo reforçado com o terceiro e merecido prêmio dado à Meryl Streep (“A Dama de Ferro”) nesta edição – mas eles têm se esforçado para explicitar isso nos últimos anos. Assim como aconteceu com O Artista x Hugo, o barato Guerra ao Terror derrotou o milionário e inovador Avatar em 2010 e o épico O Discurso do Rei venceu A Rede Social, o filme sobre a criação do Facebook, no ano passado. Mas em 2012 o resultado do Oscar conseguiu coincidir até com o do Spirit Awards, a premiação indie de Hollywood: deu O Artista na cabeça.

A impressão é que os membros da Academia fecharam um complô contra as produções high tech, que quase sempre carecem de bons roteiros e boas atuações, e decidiram dar um passo para trás pelo bem do cinema. É como se quisessem lembrar que a sétima arte existe muito antes do computador e de seus programinhas poderosos/milagrosos. Mais: que os cineastas podem estar no caminho errado. A mensagem é a seguinte: você pode ganhar bilhões com produções mirabolantes e ocas que fazem sucesso no verão (aka “Transformers”), mas saiba que nunca levará um Oscar. Faça sua escolha.

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