Birthday Cake, Rihanna, Chris Brown e a polêmica

Rihanna acaba de lançar um single em parceria com Chris Brown, seu ex-namorado, que a agrediu em 2009, na noite do Grammy Awards, após uma crise de ciúmes dela. “Birthday Cake” surge exatamente três anos após o vazamento da foto que mostrava o rosto da cantora ferido e inchado. “Toda vez que eu a vejo, tudo volta à minha cabeça. Então não gosto de ver. É vergonhoso saber que foi por aquele tipo de pessoa que eu me apaixonei”, declarou a popstar de Barbados na época.

Mas tudo indica que os sentimentos mudaram. Em maio do ano passado, Rihanna voltou a seguir o cantor no Twitter – o que é muito significativo para a nossa geração – e, desde então, os rumores sobre uma reaproximação são constantes. A parceria musical é apenas o clímax dos tabloides, que já apontavam encontros secretos há um ano, desde que a Justiça liberou Chris Brown para chegar perto dela.

Não estou aqui para julgar nenhum dos dois. Eles são ricos e famosos, eles que se entendam. Mas Rihanna deve ter cuidado com os simbolismos que aplica a sua carreira. Nada carece de significado na indústria cultural, nem mesmo o marketing negativo. “Rihanna destruindo tudo o que já foi feito pelo feminismo em troca de fama. Parabéns”, twittou o jornalista Paulo Terron, da revista Rolling Stone brasileira.

É verdade. Incontáveis campanhas e ONGs lutam diariamente para diminuir a violência contra a mulher em todo o mundo, mas Rihanna, uma das vítimas mais conhecidas, resolveu fazer propaganda contrária. No Brasil, 90% das mulheres retiram as queixas no caso de lesões leves, acreditando no arrependimento do agressor, que elas amam. A maioria volta a apanhar. Esse é um dos maiores problemas enfrentados pelas associações de apoio à mulher. Por isso, a Lei Maria da Penha sofreu uma reforma, que dá ao Ministério Público o poder necessário para investigar e punir os agressores, mesmo que a vítima não o denuncie. Agora, qualquer um pode denunciar.

Nos Estados Unidos, 17,6% das mulheres declaram já ter sofrido algum tipo de agressão e, dessas, 54% tinham menos de 17 anos quando a violência aconteceu. Segundo dados da ONU, apenas 5% dos agressores passaram algum tempo na prisão. O quadro é grave, mas Rihanna, com seus 24 anos, achou que dava para usar a situação delicada, da pior maneira, para alavancar seu novo single. Afinal, Chris Bronwn, seu primeiro amor, pediu desculpas públicas. Sempre a mesma história.

Ela tem mais de 13 milhões de seguidores no Twitter, uma amostra do seu alcance e influência, mas nenhum escrúpulo. A cantora já havia brincado com o caso no clipe de “We Found Love”, no qual protagonizou cenas de romance com um sósia do Chris Brown. Em “Birthday Cake”, o próprio canta “Girl I wanna fuck you right now / Been a long time I’ve been missing your body”, entre outros versos ordinários.

Muita gente se irritou. Muito fã se decepcionou. Mas o problema não são os rumos que Rihanna escolhe para a sua vida pessoal (dizem que ela passou o aniversário ao lado do ex). Ela não foi a única mulher agredida por um namorado. Infelizmente, tampouco a última. Como figura pública, um pouco mais de sensibilidade e respeito com as outras vítimas seria de bom tom. Ela conseguiu dar a volta por cima e jogar tudo pro alto depois. Muitas não tiveram sequer essa oportunidade.

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