Mais uma Página, novo CD de Maria Gadú, é cru e quente

Ouvi pela primeira vez o “Mais uma Página”, novo álbum de estúdio da cantora Maria Gadú, e não sabia dizer se havia gostado ou não. Algumas músicas me conquistaram de cara, mas o conjunto era questionável. Com 14 faixas, o segundo disco da paulista-com-um-quê-de-carioca-e-muito-de-baiana segue a linha do primeiro, sem deixar muito claras as suas intenções. Há vários singles de potencial, mas nenhum conceito.

A impressão é que Maria Gadú está perdida, sem ninguém para guiá-la e atirando para todos os lados. Além de composições próprias e de amigos, o CD traz um excesso de covers (“Oração do Tempo”, “Anjo da Guarda Noturno”, “Amor de Índio”) e músicas em outros idiomas (“Like a Rose”, “Extranjero” e “Long Long Time”), o que revela um objetivo internacional. Definitivamente, o segundo trabalho de estúdio não é o lugar para tanta farofa.

As músicas, isoladas, funcionam absolutamente bem, porque tudo parece ficar ótimo na voz dela (principalmente ao vivo), mas juntas parecem uma colcha de retalhos. Não há muita diferença entre “Mais uma Página” e álbuns póstumos lançados pelas gravadoras, com canções gravadas com intervalo de anos, talvez décadas, e sem nenhuma relação uma com a outra.

Essa impressão fez com que eu me lembrasse de uma coletiva de imprensa de maio do ano passado, quando Gadú disse que estava pensando em gravar seu segundo álbum, porque, em outras palavras, não aguentava mais cantar as mesmas coisas (seu CD de estreia saiu em 2009). Na ocasião, ela garantiu que não havia pressão da gravadora (o que duvidei) e revelou que faria uma viagem para os EUA buscando inspirações sem compromisso.

Sete meses depois, o disco saiu. E ela ainda tenta me enganar que não tinha pressão. Nunca ouvi falar em escolha de repertório, gravação, mixagem e lançamento em um espaço de tempo tão curto. Acho que nem com o RBD, um grupo extremamente comercial, que gravava nos intervalos da novela, oficialmente às pressas, era assim. Apressado come cru e quente. O mercado é quente. A arte é crua.

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