Dica: cueca não se empresta

Tive um réveillon especialmente globalizado. Foi a segunda vez em que comemorei com a família japonesa de uma amiga. São legítimos descendentes do recente centenário da imigração. Mas dessa vez houve também a visita de uma comunidade portuguesa, vinda do outro lado do Atlântico.

Ok, não exatamente uma comunidade. Uma família pequena: pai, mãe e dois filhos. Um japonesinho se apaixonou por uma portuguesinha e aí rolou a aproximação das famílias. Bonitinho, né? Muito anos 2000. Eu acho.

O irmão da portuguesinha tinha 16 anos, me disseram. Inventou de mergulhar na hora da virada. Quando voltamos para a casa onde estávamos, tomou um banho e gritou:

– Mãe! Mãe! Não tenho cueca (na verdade, ele dizia “boxer”, com um sotaque que tornava a palavra incompreensível). Pede uma emprestada?

Tensão na sala. Cueca emprestada? Todo mundo achou que tinha entendido errado. Os portugueses eram os únicos que não viam a situação com maus olhos. “Não é só lavar?”. Adeptos do “lavou, tá novo”.

O garoto conseguiu uma bermuda emprestada como um cala-boca. Queriam abafar o caso. Mas me aproximei dele e questionei.

– Aqui no Brasil, a gente não empresta roupa íntima. É tipo escova de dente, sabe?
– hehe
– Se não tem, fica sem. É assim.
– hehe
– Lá em Portugal vocês se emprestam?
– Err…
– Não. Sério. Tipo, entre os amigos?

Eu hein.

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