Joseph Gordon-Levitt: vamos prestar atenção nesse trintão?

Vejo Joseph Gordon-Levitt como um desses talentos injustiçados por falta de reconhecimento em vida, o que o torna ainda mais interessante (não foi assim com Van Gogh?). Ele já tem 30 anos e trabalha na TV desde criança, mas até hoje não ganhou nenhum prêmio relevante. Joseph tampouco tem um dos cachês mais altos de Hollywood, apesar de uma carreira consolidada. Mas isso pode mudar no ano que vem, porque ele recebeu uma indicação ao Globo de Ouro por sua atuação em “50%” (50/50).

Prêmio esse que ele dificilmente conquistará. Joseph está indicado a Melhor Ator de Comédia ou Musical, concorrendo com Jean Dujardin (“O Artista”), Brendan Gleeson (“O Guarda”), Ryan Gosling (“Amor a Toda Prova”) e Owen Wilson (“Meia-Noite em Paris”). “50%” acompanha a descoberta e o tratamento de um câncer na coluna de um jovem introspectivo. Soa cômico para você? É música para os seus ouvidos?

Tudo bem que o filme tem ótimas tiradas, mas a carga emocional o impede totalmente de ser uma comédia. Mesmo assim, o humor fica quase exclusivamente por conta do co-protagonista Seth Rogen (“O Besouro Verde”). Há uma cena ótima, em que Adam (Joseph) se submete a uma cirurgia de vida-ou-morte e sua família e o melhor amigo (Rogen) o aguardam ansiosamente na sala de espera. A terapeuta de Adam (Anna Kendrick) chega e todos começam a se explicar, imaginando o que o paciente teria contado a ela. “Ele disse que eu sou um babaca? Porque eu não sou!”

Mesmo assim, não é uma comédia. O melhor do filme é o comportamento retraído de Adam, que não coloca seus sentimentos para fora, fingindo que está tudo bem. Joseph interpretou maravilhosamente, de uma maneira tão pouco óbvia, conseguindo externar a introspecção do personagem de maneira muito sensivelmente. Há uma cena muito comovente, em que ele grita dentro de um carro, pela primeira demonstrando seu desespero. Alô, isso é dramático.

A indicação à categoria errada certamente prejudicará Joseph, mas valeu pela lembrança. O Spirit Awards, o Oscar do cinema independente, por exemplo, o ignorou, ainda que o filme tenha garantido três indicações. Mas é tão injusto que Anjelica Houston (a bruxa, lembra?), que interpreta sua mãe, seja nomeada e ele não, sendo que a atriz só aparece em umas três cenas!

Joseph merece reconhecimento. É inaceitável que o grande público sequer saiba dizer o seu nome, sequer saiba que ele tem um nome. É ótimo ser indie, mas é melhor ainda ter uns troféus na prateleira do escritório (ele foi premiado no Festival de Hollywood neste ano, mas quem liga para esse festival de merda nível B?). Fico na esperança de um Oscar – ao menos uma indicação, para dar um up no seu cachê. Falei.

Uma resposta para Joseph Gordon-Levitt: vamos prestar atenção nesse trintão?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s