A Redenção de Gerard Butler

Estava ansioso para assistir ao filme que rendeu ameaças de morte a Gerard Butler (“Caçador de Recompensas”). “Machine Gun Preacher” – no Brasil, “Redenção” – despertou a intolerância religiosa de algumas pessoas, segundo o Daily Record, o que forçou o ator a contratar guarda-costas extras. Tenso. Não sou chegado a filmes que funcionam como pregação religiosa, mas é o Gerard. E no Gerard eu sou chegado.

“Redenção” é a adaptação cinematográfica da autobiografia do americano Sam Childers, um ex-criminoso drogado, que encontrou Jesus, mudou de vida, abriu uma igreja protestante e viajou ao Sudão para trabalhar como voluntário. Ele se envolveu com a guerra civil local, fundou um orfanato e passou a lutar pelo resgate de crianças sequestradas pela LRA, um grupo militar-religioso anti-governamental, que viola totalmente os direitos humanos. Mais detalhes no Google (vale a pena se inteirar).

O filme tem uma carga dramática forte, beirando o sentimentalismo e o sensacionalismo, mas funciona como denúncia, alerta. É envolvente, justamente por ser parcial, e não poderia ser de outra forma para ser eficiente. É uma guerra, então há todas aquelas cenas fortes de pessoas decepadas, feridas, carbonizadas. Um quê de Tarantino, mas justificado. Ali você não tem a certeza de que é tudo de mentirinha. O diretor é o Marc Foster, do último James Bond (“007 – Quantum of Solace”), mais satisfatório dessa vez.

Mas é Gerard Bulter que guia a trama, em sua própria redenção após os fiascos “Caçador de Recompensas” (2010), “Gamer” (2009) e “A Verdade Nua e Crua” (2009). Sua atuação está bastante crível e, quando a câmera foca em seu rosto desesperado e horrorizado, de alguma forma, o público se sentirá representado. O contraste com a insossa Michelle Monaghan (“Contra o Tempo”) trabalhou a seu favor.

As razões espirituais que levam o LRA a agir com o terror poderiam ser melhor abordadas. O grupo é certamente o vilão da história, mas sem embasamento. Há uma cena em que um garoto é obrigado a matar a mãe, senão matarão ele e o irmão. O filme privilegiou o trauma que isso causou na criança – o que foi válido – mas ignorou as causas do ato, o que deve ter a ver com o fundamentalismo de rituais religiosos questionáveis.

A religião só se faz presente pelo cristianismo, apresentado como a salvação e solução de todos os males. Em alguns momentos, tanta fé se torna cansativa, porque soa como pregação e ninguém está assistindo ao filme para isso. As cenas de igreja são excessivas, o que limita consideravelmente o público do filme. Mas o momento em que Sam Childers – ou Gerard Butler – questiona os fundamentos e a existência de Deus, revoltado com o mundo, essa questão é amenizada e desculpada, pelo tratamento sensível que recebe. “Redenção” é válido, mas vão dizer o contrário.

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