Olha o passarinho!

Achei que estava arrasando. Sabe quando você passa a roleta do ônibus e percebe os olhares? E eu nem estava nos meus melhores dias. Lembrei que tinha uma superespinha na parte superior direita do rosto. Tentei escondê-la para que todas aquelas pessoas que resolveram me paquerar não percebessem que eu não valia a pena. Não estou precisando corresponder aos olhares, mas também não vamos jogar um balde de água fria com um vulcão facial.

Escolhi onde queria sentar e caminhei até lá, fingindo não perceber os olhares de ninguém. Me sentei e percebi que algumas pessoas ainda me encaravam. Achei que já estava ficando desagradável. Não gosto quando insistem tanto. Foquei na janela, olhando a paisagem e, às vezes, fechando os olhos (consequências de um ataque de rinite e uns comprimidos pra dentro). Só desviei meu olhar na hora de descer. Quando fui tirar a chave do bolso, percebi: o zíper da minha calça estava to-tal-men-te aberto. Então era isso. Ninguém reparou na espinha.

Os 20 melhores filmes que você NÃO VIU em 2011

Inspirado na lista dos 20 melhores álbuns que você não ouviu em 2011, do queridíssimo Zeca Camargo, decidi criar a minha lista dos 20 MELHORES FILMES QUE VOCÊ NÃO VIU EM 2011. Os critérios, claro, são totalmente subjetivos e passíveis de críticas (adoro comentários discordantes, se educadinhos). O pré-requisito para entrar na lista é ter popularidade baixa no Brasil.

1. Histórias Cruzadas (2011) – Exibição no Festival do Rio

País: EUA
Direção: Tate Taylor
Roteiro: Tate Taylor, baseado no livro de Kathryn Stockett
Elenco: Emma Stone e Viola Davis
Sinopse: Jovem jornalista decide escrever um livro denunciando o racismo sofrido pelas empregadas domésticas dos anos 1960, paralelamente aos movimentos pelos direitos civis.
Repercussão: Líder de bilheteria por 3 semanas consecutivas nos EUA; 5 indicações ao Globo de Ouro.
Porque assistir: A história é muito tocante e a atuação da Viola Davis está pra lá de premiável.

2. Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual (2011) – Exibição em circuito limitado

País: Argentina
Direção: Gustavo Taretto
Roteiro: Gustavo Taretto
Elenco: Javier Drolas e Pilas López de Ayala
Sinopse: Dois jovens solitários, vizinhos de quadra em Buenos Aires, que nunca se encontram.
Repercussão: Ótimas críticas.
Porque assistir: A forma como o roteiro aborda a solidão contemporânea, motivada pela digitalização e globalização, é inteligente e pouco óbvia.

3. Like Crazy (2011) – Sem previsão de exibição em solo nacional

País: EUA
Direção: Drake Doremus
Roteiro: Drake Doremus e Ben York Jones
Elenco: Anton Yelchin e Felicity Jones (além de uma ponta de Jennifer Lawrence)
Sinopse: Um americano e uma inglesa se conhecem e se apaixonam nos EUA, mas são obrigados a namorarem à distância por problemas com o visto dela.
Repercussão: Oito vitórias – de um total de oito indicações – em festivais internacionais.
Porque assistir: De namoro à distância, eu entendo, e esse filme aborda em pouco tempo todos os sentimentos e problemáticas que envolvem esse tipo de relação.

4. A Informante (2010) – Lançado diretamente em DVD

País: Alemanha / Canadá
Direção: Larysa Kondracki
Roteiro: Larysa Kondracki e Eilis Kirwan
Elenco: Rachel Weisz
Sinopse: Baseado na história real da policial Kathryn Bolkovac, que investigou, lutou contra e denunciou o tráfico de mulheres, forçadas à prostituição, na Bósnia pós-guerra.
Repercussão: Cinco prêmios em festivais internacionais e especulação sobre indicação ao Oscar de Melhor Atriz.
Porque assistir: Só a denúncia já bastaria, mas o roteiro é muito envolvente e a força da atuação de Rachel Weisz é impressionante.

5. Não Me Abandone Jamais (2010) – Exibição em circuito limitado

País: EUA / Reino Unido
Direção: Mark Romanek
Roteiro: Alex Garland, baseado no livro de Kazuo Ishiguro
Elenco: Carey Mulligan, Andrew Garfield e Keira Knightley
Sinopse: Crianças são criadas em orfanatos com objetivo de doarem todos os seus órgãos quando se tornarem adultas – compulsoriamente. A única salvação é um mito, que diz que os apaixonados têm direito a mais alguns anos de vida.
Repercussão: Prêmio de melhor atriz (Carey Mulligan) no British Independent Film Awards.
Porque assistir: Porque o roteiro é muito crível, apesar da temática surreal. É quase uma metáfora com a criação dos animais para serem abatidos.

6. 50% (2011) – Previsão de lançamento diretamente em DVD para 2012

País: EUA
Direção: Jonathan Levine
Roteiro: Will Reiser
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen e Anna Kendrick
Sinopse: Jovem de 27 anos descobre que está com câncer, se afasta da namorada e se aproxima da família.
Repercussão: Três indicações ao Spirit Awards e duas ao Globo de Ouro
Porque assistir: A história é emocionante, sem ser piegas, com ótimos momentos bem-humorados.

7. Meu País (2011) – Exibição em circuito limitado

País: Brasil
Direção: Andre Ristum
Roteiro: Andre Ristum, Octavio Scopelliti e Marco Dutra
Elenco: Rodrigo Santoro, Débora Falabella e Cauã Reymond
Sinopse: Morte do pai obriga empresário brasileiro residente da Itália a voltar ao seu país e enfrentar uma série de dramas familiares antes ignorados.
Repercussão: Quatro prêmios no Festival de Brasília
Porque assistir: Pela maravilhosa atuação de Débora Falabella, que sempre dá show.

8. Anderson Silva: Como Água (2011) – Exibição no Festival do Rio

País: EUA
Direção: Pablo Croce
Roteiro: Ramon Lemos, Lyoto Machida, Damaso Pereira e Ed Soares
Sinopse: Documentário sobre a preparação de Anderson Silva para sua grande luta no UFC.
Repercussão: Prêmio de Melhor Direção do 10º Festival de Cinema de Tribeca.
Porque assistir: Pela desmitificação do esporte.

9. Tomboy (2011) – Festival Mix Brasil

País: França
Direção: Céline Sciamma
Roteiro: Céline Sciamma
Elenco: Zoé Héran
Sinopse: Menina de 10 anos se muda para uma nova vizinhança, onde é confundida com menino e assume a nova identidade masculina.
Repercussão: Premiado no Festival de Berlim e no Festival Mix Brasil
Porque assistir: Pelo tratamento delicado dado ao tema e para o questionamento sobre as questões de gênero, tão pouco levantado.

10. O Garoto da Bicicleta (2011) – Exibição em circuito limitado

País: Bélgica / França / Itália
Direção: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Roteiro: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Elenco: Thomas Doret e Cécile De France
Sinopse: Garoto abandonado pelo pai não se conforma e quer reencontrá-lo a toda custa, se rebelando contra todos que querem cuidar verdadeiramente dele.
Repercussão: Premiado no Festival de Cannes, indicado ao Globo de Ouro e ao Spirit Awards
Porque assistir: Porque é um filme que mescla sensibilidade e agilidade, conduzidas pelo garotinho. Apesar da história ser conduzida por uma criança, soa tão madura. Só vendo. É bom pra caramba.

11. Inquietos (2011) – Exibição em circuito limitado
12. Entre Segredos e Mentiras (2010) – Exibição no Festival do Rio
13. Quebrando o Tabu (2011) – Exibição em circuito limitado
14. Drive (2011) – Exibição no Festival do Rio (estreia marcada para 2012)
15. Toda Forma de Amor (2010) – Lançado diretamente em DVD
16. Redenção (2011) – Exibição em circuito limitado
17. A Tentação (2011) – Exibição no Festival do Rio
18. Sudoeste (2011) – Exibição no Festival do Rio
19. A Novela das 8 (2011) – Exibição no Festival do Rio (estreia prevista para 2012)
20. Corações Perdidos (2010) – Exibição em circuito limitado

O dia em que tiraram o Taylor Lautner do armário

Não dá pra confiar em Internet. Num dia, matam o Sérgio Mallandro. No outro, engravidam a Sasha. Na ressaca de Natal, resolveram tirar o Taylor Lautner do armário. Uma capa fake da revista americana People virou webhit rapidamente com a seguinte manchete: “Assumido e Orgulhoso: Cansado dos rumores, o astro de ‘Crepúsculo’ comenta sua decisão de finalmente de se assumir. ‘Estou mais livre e feliz do que nunca’”. Só esqueceram de avisar que a capa era falsa.

Acho isso uma falta de respeito geral: 1) com o ator, que deve ter tido que se explicar à família na hora do almoço; 2) com as milhões de fãs, já que metade deve ter infartado desiludida; 3) com a comunidade gay, que ficou cheia de esperança dos sonhos eróticos se concretizarem. Porque a verdade é essa: mulheres querem dar para o lobisomem; gays querem dar e comer o lobisomem; e os homens heterossexuais querem ser o lobisomem. Não é não? ______________ [espaço para você dar a sua uivada]

Por isso, acredito que a “brincadeira” só possa ter partido de um homem heterossexual. Sim, meu espírito investigativo está aguçado hoje. Pensa comigo: mulheres e gays se masturbam vendo Taylor Lautner, não fazem montagens com capa de revista. Isso é coisa de heterossexual frustrado, que não pega ninguém e quer detonar o próximo. É essa mania de homem:

– Que cara lindo! – diz a namorada.
– É viado! – responde o cara, inseguro.

Para mim foi isso: um heterossexual frustrado, provavelmente vestindo uma camisa velha de Star Wars e usando um óculos herdado do avô, ganhou de Natal o CD original do Photoshop e o estreou fazendo merda depois de uns bons drinques. Em vez de buscar uma mulher para transar.

É, tô vulgar demais nesse post. Por isso, vou parar por aqui. Mas lembre-se: os atores gays de “Crepúsculo” só poderão se assumir no fim de 2012. É o que dizem por aí…

Climão na festinha de aniversário do menino do colégio

Todo mundo do colégio na casa de um amigo, comemorando seu aniversário. Estava rolando uma guerra fria entre nós e os seus vizinhos, que se sentiam mais amigos dele do que a gente. Nós pensávamos o contrário. Os achávamos babacas. A namoradinha dele do prédio era metida. A namoradinha dele do colégio era nossa amiga, pré-requisito para ser superlegal.

Da janela do playground, avistamos uma colega de classe passando do lado de fora do condomínio, meio perdida. Seu nome era Amanda. Nós não éramos muito amigos dela. Naquele momento, todo mundo se perguntou: “a deixamos perdida ou gritamos seu nome?” Vê-la passar direto, no caminho contrário da festa, seria divertido. Mas precisávamos de reforços na guerra fria.

– Amaaaaaaaandaaaaaaaaaaaaa!
– Amaaaaaaaaandaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
– Amaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaandaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Éramos muitos os gritões e, por mais que ela estivesse distante, nos escutou. Fizemos sinal de “é aqui!” e ela fez cara de quem não estava entendendo. Amanda era meio babaca, por isso não andava com a gente. Fizemos sinal de “espera aí!” e ela se aquietou. Avisamos o dono da festa que ela havia chegado.

– Sério que ela veio?
– Sim! Está lá na entrada do condomínio!

Ele foi correndo atendê-la, com cara de quem estava verdadeiramente surpreso. É o que eu sempre digo: se uma pessoa é convidada por consideração para uma festa, ela tem o direito de aparecer, conte com isso. Enquanto ele a recebia, nos distraímos fuzilando a trupe do prédio. Nisso, ele voltou… sozinho.

– Cadê a Amanda?
– Eu não convidei ela.
– E ela veio?
– Ela..
– Você a expulsou? – todos rimos, até a galera do prédio.
– Não! Ela não veio.
– Nós a vimos! Não era ela?
– Era. Mas ela só tava passando. Parece que mora aqui perto.

Climão.

Adolescência virtual

2h30 da manhã e eu não sinto um pingo de sono. Isso é atípico. Faz lembrar a minha adolescência, quando eu tinha férias de verdade e me deitava por volta das 4h/5h da manhã. Acordava às 14h, 15h. Uma vez, minha avó deixou que eu me levantasse às 17h30. Foi satisfatório, mas estranho. Não sabia se almoçava ou jantava.

Não sei se eu era mais ou menos nerd do que hoje. Mas eu acordava e dormia com a Internet, em uma época em que não existiam smartphones, o que significava que eu não saía de casa. Minha mãe, ao contrário das outras, me incentivava a sair com os amigos. “Você precisa viver! Se divertir! Vai perder a juventude aí nesse quarto!”. Eu não dava ouvidos. Ela não entendia.

Tenho algum tipo de bloqueio corporal, adquirido em alguma parte da minha infância, que me impede de dançar, por exemplo. Me impede também de ser descolado. Digo que isso surgiu na infância, porque me lembro de gostar de dançar antigamente. Eu colocava o rádio na janela e ia para a vila fazer coreografias na frente dos vizinhos. Hoje em dia, isso jamais aconteceria. Não consigo soltar o corpo. Sou travado. Prefiro assistir à Dança dos Famosos.

Estou dizendo isso porque, de repente, todo mundo passou a sair para dançar. Na época, eram as matinês, que serviam de desculpa para que a garotada “ficasse”. Eu não me sentia bem nesses lugares e terminava a noite pelos cantos, me sentindo excluído. Talvez me soltasse se bebesse. Mas não bebia. Não bebo. E também não queria me soltar.

Preferia viver o virtual, com amigos tão reais quanto fictícios – eu nunca iria saber, eu não queria saber – e tão deprimentes quanto eu. Conheci muita gente psicótica naquelas madrugadas e eu adorava todas. Gostava de salvar vidas, tentar trazer alegria para elas, ouvindo desabafos ou causando risadas. Lidei com potenciais suicidas, mulheres que amam demais, garotos enrustidos demais, gente descontrolada… demais. Algumas histórias cheiravam à mentira, mas era fascinante acreditar nelas. Eram mentirosos demais.

Mas, de repente, eles sumiam. Arrumavam um namorado – o primeiro ou um novo. Faziam amigos reais. Passavam a ter uma vida real e, embora prometessem que não, se conectavam cada vez menos, até desaparecerem. Se adequavam à sociedade. Eu não. Eu arrumava novos coleguinhas problemáticos. No fundo, eu sabia que todos eram passageiros, por mais que declarássemos amizade eterna. Intensos e fugazes.
Eram mais ou menos como amores de verão. Sabe quando você viaja para o litoral, faz amigos novos, se apaixona e chora a separação, tudo no curto espaço das férias? Era assim, só que sem a viagem e o cenário paradisíaco. Era tudo cibernético. Na volta às aulas, eu não estava bronzeado. “Mas os sentimentos são reais”, eu costumava dizer. Sim, eram. Mas e a vida?

Comecei a ter medo de envelhecer e não ter lembranças fotográficas. Imagens. Muitas histórias, muitos sentimentos, mas poucas imagens. No dia que eu morresse, minha vida inteira passaria em resumo e eu estaria sentado na cadeira, de frente para o computador, em todas as cenas. Ali, rindo, chorando, sofrendo, me divertindo com uma máquina. Deprimente. Talvez seja por isso que, até hoje, eu guarde os históricos do MSN: são as provas de uma subvida, mas a minha.

Ivete, Gil e Caetano fazem show ímpar no especial de Natal da Globo

Um das características que eu admiro na TV Globo é a valorização dos artistas brasileiros. O especial de fim de ano “Ivete, Gil e Caetano”, exibido na sexta (23/12), é uma prova disso, reunindo três ícones da música nacional em um só palco. Foi um momento de inspiração da emissora e uma folga para o público, cansado do mesmo show de sempre do Roberto Carlos (desconfio que exibam reprises disfarçadamente).

O programa iniciou com o trio declamando o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, o que foi totalmente descontextualizado, mas impressionou. Em clima bem descontraído, como se estivesse na sala de casa, Ivete Sangalo tomou as rédeas da apresentação – lembrando o extinto “Estação Globo” (2008) – e pediu para que começassem, com referências bem-humoradas ao diretor (Roberto Talma, o mesmo do último especial de Natal da Xuxa, que estava na seleta plateia formada por artistas da emissora e familiares).

“Toda Menina Baiana” e “Tá Combinado”, duas das primeiras músicas, revelaram o tom MPB do show, que sabiamente privilegiou a voz de Ivete Sangalo, a única de pé, e as composições de Gilberto Gil e Caetano Veloso, que justificaram suas presenças com instrumentos e sábias segundas vozes. Quanto às letras, as exceções ficaram por conta de canções de Chico Buarque, que foi convidado para participar, mas deu cano, pelo que entendi.

Do repertório da Ivete, só entrou “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim” (linda na voz do Caê!!!), uma de suas poucas músicas que se adequariam à proposta do especial (nada tira-o-pé-do-chão-poeira!-poeira!). Foi um dos momentos de maior coro da plateia, só perdendo para “Você é Linda”, tema das novelas “Eu Prometo” (1983), “Fera Ferida” (1993) e “Belíssima” (2006). A música do Caetano foi ovacionada nos primeiros assovios.

O show foi um máximo – vale aqui um parabéns para a direção artística, porque a cenografia estava linda – e parte disso foi graças à afinidade/intimidade entre Ivete, Gil e Caetano, que demonstraram também muita humildade todo o tempo, apesar do patamar que alcançaram. Foi bonito ver, logo no início, o Gil confessando ter errado a letra de sua própria música e, mais pra frente, os três se emocionando com “Atrás da Porta”, composição do ausente Chico.

A única crítica é quanto ao excesso de imagens da plateia, como se quisessem afirmar todo o tempo o estrelismo presente. O show era no palco, não na arquibancada (chegaram a focar o Felipe Dylon e sua mulher, cara…). Mas isso foi detalhe. Quando é que “Ivete, Gil e Caetano” saem em turnê? Seria bom hein.

SETLIST
1º Bloco
1. A Novidade (Gilberto Gil, Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone) – erro na letra, pedido de desculpa
2. Toda Menina Baiana (Gilberto Gil)
3. O Meu Amor (Chico Buarque)
4. Tá Combinado (Caetano Veloso)
5. A Linha e o Linho (Gilberto Gil)
6. A Luz de Tieta (Caetano Veloso)
7. Tigresa (Caetano Veloso)
2º Bloco
8. Você é Linda (Caetano Veloso)
9. Atrás da Porta (Francis Hilme e Chico Buarque)
10. Super-Homem – A Canção (Gilberto Gil)
12. Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim (Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle)
3º Bloco
13. Olhos nos Olhos (Chico Buarque)
14. Drão (Gilberto Gil)
15. Dom de Iludir (Caetano Veloso)
16. Amor até o Fim (Gilberto Gil)

Você aceita vender sua alma até que a morte os separe?

O Diabo queria que ele, com pouco mais de 40 anos, vendesse sua alma. Acreditava que o homem já tinha vivido demais e aproveitado tudo o que tinha para aproveitar. Um casamento fracassado, dois filhos e uma carreira estremecida com uma recente demissão estavam no histórico. Agora era o momento certo para colocar fim em tudo.

– Estou te avisando para depois não dizer que te enganei. Não quero saber de você saindo com os amigos. Se quiser se divertir, será comigo. Se não posso ir junto, não vai se divertir.

O Diabo assumia a forma de sua futura esposa, deixando claras as regras do suposto casamento.

– Se quiser sair com os amigos, será todo mundo acompanhado de suas mulheres. Eu hein.

O Diabo propunha onipresença.

– Sei muito bem como é isso. O álcool entra, chega uma piranha, os amigos fazem pressão.. “Olha lá, tá te dando mole!”. E rola. Não estou aqui pra isso.

Ele gostava dela. Mas também dos amigos.

– São péssimas influências, tudo alcóolatra. Homem que sai pra beber em pleno dia de semana, para mim, é alcóolatra. Não trabalha, não tem mulher. Não percebem para onde tão caminhando.

Ouvindo assim…

– É o quê? Pelo visto você não mudou nada. Vai ser assim ou não vai ser.

E ele vendeu a alma para um período de testes. Acontece.

OBS: Nada contra casamento. Acho lindo, quando saudável. Apenas queria compartilhar essa história.

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