Sem Título

São quase duas horas da manhã e eu já deveria estar dormindo, porque amanhã (ou hoje, como você preferir) acordarei cedo. Mas eu não estou com sono. Geralmente, não sinto vontade de dormir quando devo – e passo o resto do dia bocejando. É, é sempre assim. Tenho que mudar isso. Vou colocar na minha lista de projetos.

Ah, a minha lista… ela está grande demais no momento. Eu deveria parar e analisar o que é realmente importante para o meu crescimento, e excluir todo o resto. Mas não. Prefiro viver nessa ilusão de que conseguirei estudar, trabalhar (meus planos incluem vários empregos), escrever livros, atualizar sites, blogs e ainda ter tempo para viajar e namorar – o que está intimamente relacionado, no meu caso.

Penso em todos os meus projetos sempre que me deito. Eles me tiram o sono. Às vezes, deprimo, porque percebo que alguns planos não vingarão. Meus pensamentos chegam a um futuro tão distante, que consigo visualizar o fracasso de algo que nem existe. Consequentemente, me pego arrasado. Eu sofro por antecedência – puxei isso da minha avó.

Mais de uma vez, quero desistir de algo que ainda não tentei, com medo de dar errado. É, estou assumindo uma fraqueza publicamente. Sou meio covardão. Preciso que alguém me incentive a seguir em frente e me arriscar (felizmente, tenho essa pessoa).

Eu não sei lidar com o fracasso. Aquela história de cair e levantar é bem triste na prática. Eu me levanto, mas passo a me arrastar. Não gosto de tombos. Eles me deixam com os joelhos ralados. Não gosto de errar, não gosto de críticas. Me estresso, me irrito, me arraso. Para mim, as críticas são sempre destrutivas.

Acho que é um trauma de infância. Quando eu era criança, minha mãe fazia os deveres de casa comigo, quando eu ainda nem sabia escrever (não lembro que trabalhinhos eram esses, que não exigiam minha escrita, mas eles existiam). Se eu errasse algo, ela gritava e me chamava de burro. “Nem parece meu filho!”.

Ela não fazia por mal. Essa época não durou muito (no resto de minha vida, ela foi só elogios), mas me marcou bastante. Virei perfeccionista. Não queria errar, não queria decepcioná-la. Eu cobro muito de mim, talvez mais do que o saudável. Também é difícil lidar com erro dos outros – mas é melhor que o erro seja do outro do que meu. Quando eu tirava nota baixa, eu dizia para mamãe que a turma toda tinha ido mal.

Mas eu cresci. Não dou mais satisfações a ela. Não comento vitórias, para não ter que comentar derrotas também. Ela diz que eu a excluo da minha vida, o que é verdade. Seria melhor que não fosse assim, mas é. Eu prefiro desse jeito. Não gosto de compartilhar os maus momentos, não gosto de ser consolado, porque não acredito em nada do que ouço. Sou estranho.

Acho que falei demais. Vou terminar esse texto assim, bruscamente, para não soltar mais monstros. A madrugada é perigosa.

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