Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual é nota 10

“Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual”, ao contrário dos últimos filmes a que assisti, me incentivou a vir aqui no blog e escrever as minhas impressões sobre ele. Talvez porque esse não seja um blockbuster e eu queira incentivar uma ou duas pessoas a assistirem ao longa também (está em apenas três salas no Rio de Janeiro!). São boas as minhas intenções.

A trama acompanha Mariana (Pilar López de Ayala, de “Lope”) e Martín (Javier Drolas, de “El Mural”), vizinhos de prédio que não se conhecem, ainda que se cruzem nas poucas vezes em que saem de casa. Os dois têm muito em comum: são personagens solitários, frustrados e deprimidos após o fim de seus relacionamentos – sem saber como se readequar à vida em sociedade. Contemporâneos.

Do namoro de Mariana, restaram só as fotos digitais – que ela exclui do computador lá pro meio do filme. Do de Martín, ficou de lembrança uma cadelinha linda, que o obriga a sair diariamente para levá-la para passear. Se não fosse o animal, ele viveria na frente do computador: é ali que ele trabalha, se relaciona com desconhecidos, tem sexo virtual, faz compras, se diverte, enfim, vive.

Ele tem fobia de avião; ela, de elevador. Amor não faz parte da vida de nenhum dos dois, é apenas uma lembrança. O sexo faz: ele é adepto de encontros às escuras; ela “transa” com um manequim de loja em determinada cena (ela é decoradora de vitrines). É uma cena bem triste. Os dois não se envolvem afetivamente com ninguém e protagonizam cenas de impotência.

Desde o início do filme, fica claro que eles foram feitos um para o outro, seja para o bem, seja para o mal. Mas não se trata de uma história de amor. Está para mais para o anti-amor, o desamor, o oposto do romance. Simplesmente porque eles não interagem, tão presos em suas caixas de sapato, em suas vidas vazias.

Ao contrário. Ao que se assiste são Martín e Mariana em “primeiros encontros” com outras pessoas – sempre tentativas frustradas, desinteressadas, desanimadas e desconfortáveis, pouco importantes na narrativa (mas ainda assim tentativas). O encontro deles só é possível quando falta luz na rua e eles são obrigados a viver fora de suas bolhas. É uma crítica direta ao modo de vida online, que se propõe a conectar as pessoas full time, ao mesmo tempo em que as afasta fisicamente. O roteiro (obra de Gustavo Taretto, que também assina a direção) é incomum, ousado e adorável.

2 respostas para Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual é nota 10

  1. marina

    você tinha me recomendado esse filme há um tempo, não tinha? ou inventei? XD enfim, acabei de assistir pra uma aula da faculdade e estou apaixonada. Amei, cada detalhe, referências modernas, humor, sensibilidades, ironias, desencontros…demais.

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