Kristen Stewart prova seu talento em Corações Perdidos

Estou satisfeito, mas não surpreso com tudo o que vi em “Corações Perdidos” (“Welcome to the Rileys” no original). Eu estava já há algum tempo tentando assistir a este filme – na verdade, desde que soube que Kristen Stewart (“A Saga Crepúsculo”) interpretava uma garota de programa. Meu desejo só aumentou, e se tornou imensurável, quando soube que Melissa Leo (mais do que respeitada após “O Vencedor”) estava no elenco (e aí já não importava nem fazendo o quê).

Todo mundo torce o nariz para “Crepúsculo” (2008), inclusive eu. Mas sempre achei injustas as críticas à Kristen. Ao Robert, não. Mas à Kristen… Parece que ninguém entende que ela fazer cara de desarranjo significa dar o seu melhor à personagem (no caso, a introspectiva e estranha Bella, que se apaixona por um vampiro). Para mim, ela faz jus ao livro (é, eu li): Bella é babaca e sem graça.

Assisti também a “The Runaways – Garotas do Rock” (2010), no qual Kristen interpreta ninguém menos do que Joan Jett, então sei do que ela é capaz. Ela não é má atriz (apesar de não estar exatamente impressionante neste filme, dá para fazer comparativos interessantes com a Bella).

Mas é “Corações Perdidos” o verdadeiro cala-a-boca. A atriz – que é constantemente confundida com a personagem que a consagrou, por ser tão ou mais voltada para dentro – dá vida à personagem mais exposta do roteiro (“desde quando minha vagina é parte íntima?”). Ela é Allison, uma adolescente que perdeu a mãe aos quatro anos e atende pelo nome de Mallroy, dançando e se prostituindo em uma boate de Nova Orleans.

Ela é desbocada, frustrada, revoltada e sozinha, até que conhece Doug (James Gandolfini, da “Família Soprano”), um homem mais velho com quem se envolve afetivamente (e não sexualmente, o que causa estranhamento a ela, pouco acostumada a relações de amizade). Doug passa a cuidar de Alisson, porque vê nela a filha que ele perdeu em um acidente de carro (fato que o distanciou da sua mulher – Melissa Leo – a tal ponto que não seria exagero dizer que o casamento morreu junto).

A partir daí, uma série de situações se desenrolam – e eu não vou contá-las, porque quero que você assista ao filme – mas posso dizer que Doug, Alisson e Melissa passam a trazer um aos outros de volta à vida e à dignidade, ajudando-se mutuamente a colocar os males para fora. Às vezes, tudo que se precisa é falar.

A construção dos três personagens é incrível e, embora eu não menospreze o trabalho do roteirista (Ken Hixon, de “O Último Suspeito”) e do diretor (Jake Scott, que já desenvolveu clipes do U2 e R.E.M., por exemplo), dá para notar que os atores desempenharam papel fundamental nisso.

Na minha opinião, Kristen podia trocar todos os milhares de prêmios teens e de credibilidade questionável que recebeu por seu trabalho na franquia “Crepúsculo” por apenas um troféu de verdade por sua atuação em “Corações Perdidos”. Ela, enfim, provou que não é só uma cara de paisagem.

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