A Árvore da Vida é filme com completa ausência de texto

Quando o filme acabou, eu já tinha olhado o relógio duas vezes. Meu pé direito estava sendo sacudido sobre a minha perna esquerda, na tentativa de impedir novos bocejos. “Não fala mal. Eu adorei. Todos os filmes do Malick são ótimos”, disse uma crítica ao meu lado. Alguém atrás da gente respirou fundo. Não consegui perceber se isso de satisfação ou cansaço. Algumas pessoas ficaram lendo os créditos. Eu levantei e fui embora. Depois de mais de duas horas, “A Árvore da Vida” tinha finalmente terminado.

Esta foi a minha primeira experiência com Terrence Malick (diretor de, entre outros, “Além da Linha Vermelha”). O filme, vencedor da Palma de Ouro, conta a história de um relacionamento conflituoso entre pai (Brad Pitt, de “Bastardos Inglórios”) e filho (Sean Penn, de “Milk”, e Hunter McCracken).

Bem, “conta a história” é boa vontade minha. O longa exige certo esforço da plateia, que deve perceber falas e ações em cenas com carência delas. Tudo é muito mais do que subjetivo e o que parece um flashback contextualizador é, na verdade, toda a história.

Mas o que mais me irritou foram as entre-cenas com imagens oceânicas, vulcânicas, atômicas, astronômicas e desérticas – há quem diga que era uma referência ao Big Bang. No início, tentei dar sentido àquilo tudo e até estabeleci um roteiro pessoal (que logo percebi que não batia com o de Malick). Depois, desisti.

Na primeira hora de filme, pensei que aquilo era cult demais para o meu intelecto e que eu devia estar perdendo algo importante. Na segunda, achei chato mesmo. O elenco está todo ótimo (até Sean Penn – a meu ver, mal aproveitado – com cenas totalmente lacônicas), mas a história me pareceu um grande nada. Uma ausência exagerada de texto.

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7 respostas para A Árvore da Vida é filme com completa ausência de texto

  1. Concordo com o Arhur Lima.
    Não vou ser pretensioso de dizer que entendi o filme no seu todo, acredito que cada vez que assistir Árvore da Vida vou tirar uma nova interpretação, pois o que compreendi é que o filme se encaixa em algum momento da sua vida: infância, adolescência, idade adulta ou velhice; de alguma forma passa a mensagem que precisamos naquele momento.
    Para quem não entendeu, achou chato ou não gostou, normal.
    Mas para quem conseguiu tirar alguma coisa do filme, é uma experiência ótima.

    Para mim, o filme conta sobre o contato da família com a espiritualidade e a relação desta com a vida de cada um, suas escolhas, suas ações e as consequências…

  2. Arhur Lima

    Leonardo, acho que você é ainda muito novo. Se a vida lhe sorrir, assista a este filme novamente daqui a uns 20 anos. Isto se nestes 20 anos você não tiver sido irremediavelmente intoxicado pelos blockbusters e Mc Donalds da vida. Como antídoto, você pode tentar doses de Wim Wenders, Gus Van Saint, Kurosawa, Fellini e Bergman. Não garanto que vá funcionar, afinal, os dentes e estômagos da sua geração não estão preparados para isto.

  3. Leandro

    Têm pessoas com tão baixo nível critico psicológico que não consegue ver o que está na sua fuça… incrível o seu baixo nível de intelecto. você deve ser péssimo em interpretação de texto… leia mais Freud, Bruer…. Quem sabe seu nível não aumenta!

  4. merry

    É um porre de filme. Pretensioso ao extremo…se o objetivo do diretor foi dar assunto pra pseudo-intelectuais elaborarem teses e gastarem horas de “masturbação mental”, ele conseguiu. Mas na verdade ele enrolou e muito pra passar mensagens e e questionamentos primários e exagerou na estética power point. Um porre. Mas tem quem goste e ache genial…numa era de gente deslumbrada com pouca coisa é compreensível.

    RESPOSTA DO LÉO – Adorei “estética power point”.

    • Leandro

      Deslumbre seria assistir Capitão América e achar aquilo fantástico… O cinema está caminhando pra era pobre, estamos precisando do renascimento, assim vamos poder marcar novamente a humanidade com belas histórias e poucos efeitos, o que se dá valor hoje em um filme é a montagem, a fotografia, booom, já eras, vai assistir Matrix e larga o filme Cache de lado, ok? acredito que se você assistir este filme não vai entender nada. Assista e veja a fotografia dos filmes do Brian de Palma como, Dália Negra, Femme Fatale. Sou Psicanalista, assim compreendo muito bem a história deste filme, A Árvore Da Vida.

      Abraço.

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