Não sei nada de futebol, igualzinho à seleção

Não tenho a menor afetividade por futebol. Lembro quando era criança e os outros garotos começaram a se interessar pelo esporte e eu não entendi o porquê. Me aventurei, como eles, dando uns chutes à gol, mas logo percebi que não era a minha praia (sou perna de pau).

Mas não gosto nem de ver. Assistir a uma partida é, para mim, tão tedioso quanto assistir ao programa do Raul Gil. É, por aí. Além de afetividade, também não tenho afinidade com o esporte. A gente não se gosta.

Foi por causa dele que, de repente, passei a ser o último escolhido para o time na aula de Educação Física (antes a minha popularidade infantil me tornava um dos favoritos). Foi por culpa do futebol também que eu e meu pai descobrimos nossas primeiras diferenças e decepções um com o outro.

Mas tudo bem. Tive uma fase de bastante aversão ao esporte (do último Mundial, por exemplo, não assisti a nenhum jogo do Brasil), mas hoje em dia ele já não me incomoda tanto. A gente se respeita. Continuo não assistindo e muito menos jogando, mas até dou uma olhada rápida nas fotos do caderno de esportes.

Sei que Neymar é o novo Pelé – mas não faz gol (tô sabendo da Copa América, meu querido…). Sei também que tem gente que aposta mais no Ganso. Tô sabendo que Ronaldinho se aposentou; que Romário virou político; que Deborah Secco namora o Roger; que o Fluminense tem aquele jogador que esqueci o nome… bem, eu me esforço. E o técnico do Brasil? Não sei quem é. Pelo menos, estou a par que o Messi é o melhor do mundo. “Ah, o Messi…”

Isso faz com que eu volte – mais uma vez nesse post – à minha infância. Vamos dizer que eu nasci fadado a não entender o que é um impedimento ou um tiro de meta. Essas coisas acontecem. Sempre admiti essa minha limitação.

Na 2ª série, a professora de Matemática estava ensinando frações e, certa vez, pediu para que nós escrevêssemos uma receita infalível para fazer a seleção vencer a Copa. Era 1998. A criançada começou a fazer o trabalhinho, listando meia dúzia de ovos, farinha, sal, açúcar, frutas e sabe-se lá mais o quê. Esses itens, claro, não passaram pela minha cabeça.

Fiquei preocupado. Como eu não conhecia nada de futebol, não poderia saber o que ajudaria os jogadores. Foi a primeira vez que me deparei com o problema dos “conhecimentos gerais”. O que eu ia colocar na minha receita? Pensei, pensei, pensei e, por fim, fui criança. Escrevi coisas como “11 óculos para fazê-los enxergar melhor; uma bola com controle remoto, para que o técnico a direcione até o gol; 11 chuteiras motorizadas, para que eles possam correr mais rápido; 1/2 kg de sal para jogar no olho dos rivais”…

Entreguei o meu trabalho meio envergonhado. Logo depois, a professora me chamou à mesa. Pensei: fiz tudo errado. Mas ela disse que estava encantada, que havia amado o meu trabalho. Pediu para que eu o lesse para a turma. Eu li, meio glorificado. A galera não entendeu muito a minha proposta, mas tudo bem. Ela nunca me devolveu a “receita” – pediu para guardar de lembrança. Deixei. Foi o meu gol.

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