‘Seria ótimo quebrar esse tabu’, diz Rodrigo Andrade sobre beijo gay na TV

Assim como Marcos Damigo, Rodrigo Andrade também está torcendo para que seu personagem em “Insensato Coração”, Eduardo, dê o primeiro beijo homossexual masculino em uma novela brasileira. “Seria ótimo quebrar esse tabu e com certeza seria muito bom para a minha carreira”, disse o ator em conversa com o SRZD.

Nos últimos capítulos da novela, o casal Hugo e Eduardo já foi a uma boate e passou a noite junto. De ressaca, Eduardo não quis contar a sua mãe, Sueli, como tinha sido sua noite e mentiu. “Todos querem que eles fiquem juntos. Já existem campanhas no Twitter como #SaiDoArmarioEduardo e #BeijaEdu. Me divirto muito”, contou.

Segundo ele, as cenas dos dois estão sendo bem aceitas pelo público, até mesmo pela audiência mais conservadora. “As pessoas estão torcendo pelo casal. O assunto está muito em pauta. As pessoas estão cada vez mais saindo do armário e querendo ser felizes. Eu tenho muita sorte de poder dar vida a um homossexual no horário nobre nos dias de hoje”, diz Rodrigo, que acredita estar contribuindo de forma positiva para a sociedade.

Mas o ator admite que ainda há quem se incomode em ver a homossexualidade na novela e, por isso, “Insensato Coração” tem mostrado cenas condenando a homofobia. “Algumas atitudes são ridículas. As pessoas tem o direito de não gostar, mas tem que respeitar. Respeito para ser respeitado”, conclui.

Por Leonardo Torres
Publicado no SRZD
http://www.sidneyrezende.com/noticia/135946+seria+otimo+quebrar+esse+tabu+diz+rodrigo+andrade+sobre+beijo+gay+na+tv

Jim Carrey atrai famosos para pré-estreia

A pré-estreia de “Os Pinguins do Papai” no Rio de Janeiro foi concorridíssima, graças à presença do protagonista do filme, o ator Jim Carrey, que está no Brasil desde domingo (26/6) para promover o lançamento. Várias celebridades brasileiras compareceram ao Cinépolis Lagoon nesta terça-feira (28/6) para conferir o astro norte-americano.

O canadense chegou ao cinema cercado de seguranças, mas logo dispensou-os para atender os fãs que estavam na entrada. Ele deu autógrafos, falou com os indefectíveis repórteres-humoristas da TV, tirou fotos e acenou para os que estavam distantes. Estava bastante animado e brincou com os fotógrafos e convidados que gritavam seu nome.

Quem chegou pouco antes dele foi o amigo, Rodrigo Santoro (“O Golpista do Ano”). Segundo o brasileiro, os dois almoçaram juntos no mesmo dia, mas ele ainda não tinha assistido ao filme. “Tô louco para ver. Deve ser muito bacana, porque ele só se enrola com coisa legal”, disse o ator, que assumiu preferir os filmes mais antigos de Jim.

Para Rodrigo Santoro, o melhor filme da carreira do colega é “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” (2004), de Michel Gondry. “As pessoas gostam muito dele pela comédia. Mas ele é ótimo no drama. Na verdade, o Jim é um mestre em todos os gêneros”, elogiou.

O português Ricardo Pereira (“Mistérios de Lisboa”), que estava acompanhado da mulher, concordou com Rodrigo. “Apesar do Jim ser um ator de comédia, o filme dele que eu mais gosto é este drama. Eu estou aqui pelo ator que Jim é. Eu o admiro muito”, disse.

Mas apesar dos famosos, as crianças eram a maioria entre os convidados. “Sou fã, mas meu filho é mais”, assumiu Julia Lemmertz (“Amor?”).

Além dela, Herson Capri (“As Mães de Chico Xavier”), a apresentadora Patria Poeta (“Fantástico”( e Susana Werner também levaram os filhos para conhecer o ator. “Eles gostam muito de ‘O Máscara’. Além do Kauê e da Giulia, eu trouxe o primo deles, o Roger, porque ele sim é o maior fãzão ”, contou a mulher do jogador Júlio César.

O trio de outrora atrizes mirins Isabelle Drummond (“Se Eu Fosse Você 2”), Livian Aragão (“O Guerreiro Didi e a Ninja Lili”) e Bruna Marquezine (“Xuxa e o Fantástico Mistério de Feiurinha”) disseram que amam o ator. “Sempre gostei dos filmes do Jim Carrey, desde criança. Apesar de não serem infantis, acabam agradando muito as crianças. Acho isso muito legal”, disse Bruna.

Para quem não pôde estar na pré-estreia, “Os Pinguins do Papai”, de Mark Waters, chega às salas de cinema no Brasil na próxima sexta-feira (1º/07). A comédia, roteirizada por Sean Anders, John Morris e Jared Stern, conta a história de um homem que recebe de presente do pai uma caixa com vários filhotes de pinguins, que ele passa a criar em seu apartamento.

Por Leonardo Torres
Publicado no Pipoca Moderna
http://pipocamoderna.mtv.uol.com.br/?p=91820

Confusões na Cidade (da) Luz

Bate-papo entre atendentes da livraria Saraiva neste domingo:

– Ela tá toda metida porque vai a Paris.
– É a Cidade Luz né.
– É. Quer dizer… não é Nova York a Cidade da Luz?
– Ih, agora fiquei em dúvida.
– Acho que é Nova York hein.
– Eu acho que a Cidade Luz devia ser Las Vegas. Nunca vi tanta luz lá. Tem até no chafariz.
– É verdade! Mas é Nova York..
– Não é Paris?
– Ah, é. Paris. Isso.

#CalaBocaRitaLee: tem que ver isso aí…

Tenho andado bem afastado do Twitter – por uma série de questões, entre elas o desinteresse em divulgar doses homeopáticas da minha pouco interessante vida (mas um dia eu volto!) – mas procuro saber o que tá rolando. A hashtag #CalaBocaRitaLee foi a sensação do sábado, se tornando TT mundial. E aí você se pergunta: o que leva milhares (milhões, talvez) de internautas a mandar uma artista sexagenária se calar?

“A cantora Rita Lee provocou fãs de Luan Santana, Restart e Justin Bieber neste sábado”, diz o G1. Não é totalmente engraçada a ideia de uma senhora de cabelo vermelho andar por aí, hum, provocando criancinhas? Eu, pelo menos, esbocei um sorriso ao ler essa frase. Ainda mais por essa ser a justificativa para ela ter que calar a boca. Onde anda o respeito aos mais velhos?

Continuei lendo a notícia e me perguntando “o que será que Rita Lee falou dessa vez?”. Porque muita gente já falou mal de Luan Santana, Restart e Justin Bieber e causou alvoroço no Twitter, mas não chegou a ser TT mundial. Lobão, por exemplo, já foi até bastante desrespeitoso: “Restart é outra aberração da natureza. Luan Santana é uma coisa horrorosa”.

Imaginei que Rita, com toda a sabedoria de mais de 50 anos de carreira, tinha pegado realmente pesado com os artistas da nova geração da música brasileira (aceite…). Mas não. Ela foi totalmente light. Uma pessoa, talvez já mal intencionada, perguntou para ela: “Tia, o que faço com minha irmã que só escuta Luan Santana, Restart e Justin Bieber? Matar não é opção”. A cantora respondeu:

“Tranque a menina no congelador”.

É para tanto? Não sei não. A impressão que me deu é que não se pode mais falar nada, porque tudo tem réplica, às vezes, desproporcional. Todo mundo tem que fingir que gosta dos artistas infanto-juvenis? Quem não gosta tem que se calar? Estranho, muito estranho. Tenho medo dessa geração que vem por aí.

Ela é muito intensa. Essas pessoas que mandam a Rita Lee calar a boca por fazer uma brincadeirinha são as mesmas pessoas que ameaçam Selena Gomez de morte por namorar Justin Bieber (que, naturalmente, deve ficar solteiro, já que não é “seu”). Claro que elas não vão matar ninguém, mas não é assustador que elas falem isso tão passionalmente? Eu acho.

Esses adolescentes e pré-adolescentes nasceram no mundo digital (eu, já velho, ainda lembro da indecisão entre comprar um computador ou dar uma festa de aniversário), onde as pessoas se escondem atrás de uma tela e falam tudo o que pensam fiadas no anonimato e na impunidade. Isso não é exatamente o que eu chamo de democracia. A liberdade de expressão está atrelada a arcar com as consequências do que é dito.

Antigamente, para protestar, as pessoas iam às ruas, se expunham, faziam, no mínimo, um abaixo-assinado (que hoje em dia é virtual, cheio de assinaturas falsas). Sair de casa para mandar a Rita Lee calar a boca era motivo de segunda ou nenhuma relevância. Mas o que custa mandar um tweet? Nada. Assim, causas sem importância repercutem de maneira desfreada. E Rita Lee tem que se calar, coitada.

 

Não respeito

Não respeito quem faz propaganda de cerveja

Não respeito quem tem orgulhoso de dizer que estoura os cartões de crédito todo mês. Respeito menos ainda quem está sempre reclamando do namorado, mas não toma a atitude de se separar. Não consigo respeitar também quem está todo dia no bar, seja para comemorar ou afogar as mágoas. E, definitivamente, não respeito quem faz propaganda de cerveja. Não mesmo.

Também não merece meu respeito quem tem filho, mas não responsabilidade. E quem acha que ‘onde comem cinco, comem seis’. Não respeito, de forma alguma, quem não sabe lidar com o diferente. Não respeito fundamentalistas nem quem faz passeata para lutar contra o direito dos outros. Não respeito quem se incomoda com beijo gay em novela. Não respeito quem não se dá ao respeito.

Sabe Nicole Bahls? Não respeito. Também não respeito ex-BBB que sai da casa direto para a redação da Playboy. Ou quem é capa da G Magazine vestido. Menos ainda quem deixa sex tape vazar na Internet. Não respeito quem entra no bate papo UOL para ‘ver qual é’. Nem homem casado que sai com travesti. Não respeito.

E garotinha que faz ensaio sensual? Não respeito

E garotinha que faz ensaio sensual? Não respeito. Também não respeito quem critica Bruna Surfistinha e perdeu a virgindade com uma prostituta. Não dá para respeitar quem tem teto de vidro. Não respeito quem vê A Fazenda e não assume. Nem quem assiste comédia romântica escondido e finge entender os filmes cults. Não respeito quem diz que homem não chora.

Não respeito quem acha que Britney Spears ainda é a princesa do pop. Ou quem é maior de idade e ouve Luan Santana e Restart. Não dá para respeitar, por mais que eu me esforce, quem vê Hannah Montana e acha graça. Ou quem faz piada sem graça e ri de si mesmo (conheço um monte!).

Não respeito quem culpa os outros pelos seus erros. E quem não sabe pedir desculpas. Não respeito quem é solto dos presídios por bom comportamento. Nem bandido disfarçado de policial. Ou de político. Não respeito quem se faz de cego para viver. Não respeito quem acha que sua vida vale muito.

Não respeito universitário que cola na prova e se acha esperto. Não respeito quem está acostumado a ser levado nas costas. Também não respeito quem usa todas as faltas que têm direito e ainda tenta mais uma com atestado médico. Não respeito mais quem deixa a vida de lado para seguir artista, principalmente se for adulto.

Não respeito quem come arroz e feijão e arrota caviar. Não consigo respeitar quem presta vestibular todo ano e, quando finalmente passa, descobre que aquele não é o curso da sua vida. Não respeito quem muda de opinião toda semana. E muito menos quem não muda nunca.

“Meia Noite em Paris” é encantador

            Estava em um misto de ansioso e receoso quanto a Meia noite em paris, o novo longa de Woody Allen. Isso porque o último filme dele, Você vai conhecer o homem dos seus sonhos, foi bastante decepcionante para mim. Mas, mesmo assim, acho quase uma gafe perder uma estreia do diretor. E que bom que eu não perdi.

            O filme começa com alguns takes de Paris e uma música de fundo (a trilha sonora é um show à parte! Baixei e estou escrevendo este texto escutando Let’s do it). No início, é encantador. Mas aquilo cansa antes mesmo de chegar à metade dos takes. Comecei a ficar mais receoso que ansioso.

            O medo passou quando Owen Wilson apareceu em cena com Rachel. Desde o primeiro instante, ficou claro o acerto de Woody Allen na escolha do ator. Owen está incrível, a encarnação do diretor. É o melhor trabalho que eu vi dele, com toda certeza. E Rachel está insuportável como a personagem pede (essa atriz é bastante boa também, embora não tenha tido papéis consistentes até hoje).

            Os dois interpretam um casal americano de passagem por Paris, acompanhados dos pais da noiva (eles estão prestes a se casar). De cara, percebe-se que os dois não tem nada a ver. Owen é Gil, um roteirista de cinema que está abandonando Hollywood para se dedicar à literatura. É apaixonado por Paris dos anos 20 e se mudaria para a cidade, ainda que no tempo presente, se a noiva aceitasse. Mas Rachel é uma socialite fútil em busca de um casamento de sucesso. É apaixonada pela boa vida – e quer morar em Malibu.

Gil se apaixona por Adriana, uma mulher dos anos 20

            Como não poderia deixar de ser, cada um curte a viagem a sua maneira. Gil passa a ter passeios ao passado todas as meia-noites. Em um determinado canto da cidade, um carro funciona como portal: o busca e o leva à Paris dos anos 20, como ele sempre sonhou. O argumento é bastante fantasioso, mas funciona. Então, Gil passa as madrugadas interagindo com Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Gertrude Stein, Luis Buñuel, entre outros artistas.

            Enquanto ele passa as noites mostrando seus manuscritos para Gertrude e se apaixonado por uma mulher do passado, a sua noiva sai para dançar com um amigo da faculdade (ou do colégio? Não me lembro bem…), que coincidentemente está na cidade. Claramente, esses delírios (apesar de críveis, delírios) têm implicações decisivas na vida do personagem principal. A mensagem que fica é para que aproveitemos o presente, porque desde que mundo é mundo existe nostalgia pelo passado, que não volta. A Era de Ouro é agora.

            Mais detalhes não conto senão vira spoiler. Mas saí da sala do cinema encantado com o filme – e com Paris. Um grande problema que eu acho que Woody Allen tem – e eu não devia estar falando isso, porque não tenho qualquer qualificação para criticá-lo – é com os desfechos de seus roteiros. Mas em Meia noite em Paris isso nem ficou evidente. Eu senti quando ia acabar, quando a missão estava comprida. Definitivamente, é um ótimo filme.

Rio de Janeiro em obras

Ruas esburacadas e barulhentas no que estão chamando ironicamente de Operação Asfalto Liso. Do Maracanã, só restou a carcaça. O Sambódromo, também destruído: metade das arquibancadas viraram pedregulhos. Na Cidade Nova, uma estação de metrô pouco discreta. Na Avenida das Américas, a Cidade da Música não passa, há anos, de um trambolho cinzento. O Canecão, um galpão abandonado. E ainda vem TransCarioca e rodoviária nova por aí.

Se fazer obra em casa já é um transtorno, eleve isso à décima potência quando se trata de uma cidade inteira. Para onde olho, há placas de reparos, obras e interdições. Está tudo destruído, tudo esburacado. Tudo diferente. Por um momento, tive um insight e não encontrei o maravilhoso que dizem que a cidade tem.

Pensei: só se for de cima (a vista que se tem do Corcovado é um dos poucos orgulhos que tenho por ser carioca e morar no Rio de Janeiro). Mas lembrei que vi na TV outra dia uma imagem de helicóptero e o Maracanã depredado era quase tão deprimente quanto visto aqui de baixo.

O progresso da bandeira nacional chegou à cidade, parece. Em 2014 (esse ano já é um clichê nos meus ouvidos), tenho a impressão de que o Rio será outro. E não dá mais tempo para se despedir do Rio antigo. Ele já não existe. Já estamos na empoeirada e cinzenta transição. É o progresso, ainda que desordenado.

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