Como fui parar no show do Paul

Não é tarde demais para comentar né? Claro que não.

Não sei muito bem como que eu fui parar no show do Paul McCartney no Engenhão. Não tive pais que me faziam ouvir os Beatles nem nada parecido. Minha mãe ouvia Roxette e Madonna. E meu pai… Bem, não sei. Minha avó ouvia (e ainda é fã do) Kenny G. Certamente não foi uma influência familiar. Conheci os Beatles já tardiamente, na fase adulta de minha vida, por meio do meu atual namoro (que me trouxe uma série de outras influências) e não foi algo que me atraiu totalmente. Andei ouvindo, mas não me encantou (desculpa, gente!). Algumas músicas são ótimas, mas outras são muito bobas (segundo o meu LastFm, até o momento que escrevo este post, escutei a banda apenas 304 vezes).

Então, o que quero dizer é que não sou exatamente um grande fã de Paul ou qualquer outro (eu andei achando que gostava mais do John, mas descobri que não), mas, no ano passado, quando ele fez aqueles dois shows em São Paulo, eu fiquei com aquela sensação de “hmm, eu queria estar lá”. Eu sou assim. Há uma espécie de formiguinha que começa a me dar picadas quando eu acho que estou diante de oportunidades únicas e momentos históricas (a última turnê da Madonna, que passou pelo Maracanã, por exemplo). Minha maior frustração é não ter ido a um show do Michael Jackson.

Então, depois de ter feito algumas matérias sobre a volta de Paul ao Brasil e me envolvido com alguns personagens beatlemaníacos, a minha ida ao show, de repente, se tornou uma certeza. Por que eu ia? Não sei. Mas eu ia. O Nico passou algumas semanas dizendo que eu só queria “aparentar”, o que, obviamente, não é verdade. Comprei o meu ingresso (e só o meu, o que significava que eu estava me metendo nessa sozinho) na pré-venda para clientes de determinado cartão (que eu não tinha) e sócios do fã-clube (que eu não sou, mas mexi meus pausinhos). Fui um dos primeiros a comprar. O meu ingresso? O mais barato. Também não vamos exagerar.

No dia do show, fui lá eu para o Engenhão que, por sorte, é bem próximo da minha casa (e mesmo assim eu nunca havia ido). Cheguei uma hora antes do horário marcado para o início da apresentação, meio tímido, meio desconfortável por ter que passar tanto tempo sozinho olhando para ontem. E me deparei com uma fila enorme para entrar no meu setor. A hora passou e eu estava no mesmo lugar. Quando deu 9h15, as pessoas começaram a reclamar, alegando que “Paul é pontual”, e eu pensava “a minha sorte é que nem sou fã, senão estaria mais histérico com a possibilidade do show começar e eu estar do lado de fora”. Mas a organização do evento conseguiu acelarar o processo e todo mundo entrou a tempo. 9h30 eu estava dentro, admirado com o mar de gente (isso é algo que sempre me impressiona, mesmo depois de tantos shows) e barganhando um lugar para me sentar.

– Senhora, esse saco do Bob’s está marcando o lugar de alguém ou só ocupando espaço?
– Não, não tem ninguém não.
– Então obrigado. – jogando o saco para debaixo da cadeira.

E Paul entrou no palco, assim que acabou de tocar uma música qualquer. De repente, do nada, discretamente. Te juro: subiu um arrepio no meu corpo. E não é porque eu estava vendo o Paul McCartney, com todo o seu peso histórico. Porque, na verdade, o que eu via era um pontinho azul (do seu terno) no palco (eu só via Paul pelo telão). Acho que o arrepio foi por saber o que aquilo representava: um momento único (e eu sou fã dos momentos únicos). Ele começou com Hello, Goodbye. Eu sabia o refrão, ok?

O show foi todo lindo. Em alguns momentos, senti tédio e me sentei, não vou mentir. É típico de quem não conhece as músicas da setlist. Me senti poser quando via todo mundo cantando, mas não me importava. Havia algumas que eles também não sabiam, aparentemente (e eu, certamente). Achei Paul super animado, cheio de energia. Se não fosse aquele suspensório, não imaginaria que ele já tem o RioCard Senior. Ele é super brincalhão, parece um jovenzinho. E é a coisa mais fofa ele falando português (ele falou bastante!). Quando ele falava ‘valeu’, em vez de ‘obrigado’, eu achava super engraçado.

Fora que escutar ao vivo Le it be, Yesterday, Day tripper, All my loving e Hey Jude, que teve aquela homenagem dos fãs, é o tipo de coisas que dá graça à vida. A surpresa que o público preparou para Paul foi um dos pontos altos do show (o próprio cantor se rendeu em uma carta de agradecimento, que era desnecessária, porque sua felicidade no momento foi algo impagável). Já vi vários fãs tentarem se organizar para fazer surpresas assim, no meio de um show, mas sempre melou. Fiquei feliz e, confesso, emocionado quando tudo deu certo, mesmo sendo um estranho no ninho. Conclusão: não me arrependo de ter ido. Pelo contrário, fico satisfeito com minha própria iniciativa.

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