“O que vai acontecer, ninguém sabe”

Tenho profunda admiração por professores que chegam em sala de aula e esbanjam conhecimentos. Mesmo. Assim, no plural. Há profissionais multidisciplinares, que sabem um pouco de um monte de coisa. Acho fascinante.  Em toda a minha vida, tive apenas dois assim: Manhães e Senna.

O primeiro me deixava realmente fascinado com a sua capacidade de segurar a atenção de adolescentes por horas, falando de conteúdos obviamente fora da pauta da avaliação. Quando deveria falar, por exemplo, de Teorias da Administração, Manhães nos ensinava técnicas de primeiros socorros (imagine 30 alunos de ADM aprendendo a fazer respiração boca-a-boca e a perceber o pulso). Ou falava sobre o estudo que permite desvendar a personalidade de uma pessoa por meio de sua caligrafia (embora ele nunca tenha cedido ao nosso pedido de nos dizer quem nós verdadeiramente éramos). Às vezes, ele falava também do restaurante que estava montando – “Comida é o melhor negócio. Todo mundo tem que comer” – ou matava aulas – justamente para administrar esse negócio paralelo. Mas a gente tolerava.

Já o Senna eu conheci este ano. Entende-se que ele deveria nos dar aulas de Poética. Mas ele vai além. Hoje, por exemplo, ele me convenceu de que nós somos uma transição dos humanos para os homens-máquina. Me esqueci a palavra… Mas nós estamos em um estágio no qual a tecnologia ainda é externa a nosso corpo, mas somos totalmente dependentes dela. O próximo passo é introduzi-la em nosso corpo. “O que vai acontecer, ninguém sabe. Quando esses robôs se derem conta de que existem..” Ele também debate sem problemas sobre questões religiosas, filosóficas e sociais.

Essas aulas costumam me deixar esgotado, porque exigem total concentração (até para conseguir identificar o que é passível de ser cobrado, mas não só por isso, claro), mas são também as mais prazerosas. Gosto de quem sabe de coisas que eu não sei. E compartilha. E de quem tem teorias absurdas (como essa de que estamos em um processo de transição) e a argumenta convincentemente. Me sinto um apóstolo.

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