What the fuck is Marcelo Camelo?

Costumava ter preconceito com Marcelo Camelo por causa de Anna Júlia, dos Los Hermanos. Não respeito a galera que acha que é cult e alternativa e tem em casa um CD com essa música. O fato de ele ter escolhido As quatro estações para cantar no último CD de Sandy & Junior pouco colaborava. Mas aí, há algum tempo atrás, assisti a Apenas o Fim. O filme tinha uma música da banda (Pois é) na trilha sonora. Comecei a repensar a minha posição aí.

Baixei o segundo CD solo dele, Toque dela, alguns dias após o lançamento oficial e estou, desde então, tentando arrumar um tempo para compartilhar a minha opinião sobre tudo o que eu ouvi. Li algumas críticas neste curto período entre o desejo de escrever e a iniciativa de abrir o Word. As pessoas tão dizendo que este álbum é paulista, enquanto que o antecessor era carioca. Não tenho a menor ideia do que isso signifique.

Este disco não é feito para ser ouvido em amplificadores. Cai melhor com um fone de ouvido, de preferência com o volume baixinho. As músicas se arrastam, como que pedindo timidamente autorização para existirem. As letras são simples, mas fortes. Geralmente, a segunda metade da música repete a estrutura da primeira (quando não estrofes inteiras). A impressão que fica é que Marcelo Camelo é um bom poeta.

A maioria das músicas fala de solidão e faz referência a lugares longínquos. É o caso da quinta faixa, Três dias, que diz “Se você ficar sozinho / Pega a solidão e dança / Se faltar a paz / Se faltar a paz, Minas Gerais”. Esse negócio de dançar também é bastante presente, como se o eu-lírico estivesse reagindo a esse estado deprimente. “Tudo que eu fizer vai ser pra ver aos olhos dela / Vai sobrar carinho se faltar estrada ou carnaval / E vai dançar até / Vai dançar até a verdade”, diz o primeiro single, Ô ô.

Na sétima música, Vermelho, ele confessa que, se está reagindo, não é por iniciativa própria. “As vezes eu só quero descansar / Desacreditar no espelho / Ver o sol se pôr vermelho / Acho graça / Que isso sempre foi assim / Mas você me chama pro mundo / E me faz sair do fundo de onde eu tô de novo”. Talvez seja este o toque dela, o reflexo do namoro com uma mulher 15 anos mais jovem. “Posso até me acostumar / Da gente se divertir” e “Dava para sentir / Você dançando só pra mim” diz Acostumar, a quarta do álbum.

As músicas mais animadinhas – a quem interesse – são o próprio single, Pra te acalmar e Pretinha. Mas não exija muito dele. De qualquer forma, são exceções às arrastadas. A sonoridade do disco, no geral, é bastante interessante. Definitivamente, Anna Júlia foi uma má apresentação. Mas não é a primeira impressão a que necessariamente fica. Isso é balela.

2 respostas para What the fuck is Marcelo Camelo?

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