Quarta-feira

Toda quarta-feira é igual (para mim, pelo menos, que não sou Maria e fico milionário na terça-feira à noite). É o pior dia da semana. No sábado e domingo, mal ou bem, eu consigo dormir o mínimo de oito horas necessárias para a saúde do ser humano. Chega segunda e esse tempo é reduzido a seis. Na terça, a cinco. Na quarta, sou um zumbi.

Acordo às 6h30 para estar na faculdade em uma hora. Sempre chego dez ou quinze minutos atrasado, mas raramente o professor já começou a aula. Geralmente, ele bebe aquela garrafa de 600ml de Coca inteira (!!!) antes de se levantar da cadeira. Passo a manhã tentando me concentrar o máximo que posso nas aulas e me esforçando para ser agradável com as pessoas quando, na verdade, quero explodir uma a uma (ou, ao menos, descobrir onde fica o botão MUTE delas).

Na hora do almoço, me estresso com a lanchonete. Às vezes, levam 40 minutos para fazer um PF idiota. Sono e fome não é uma combinação feliz. Tento manter a calma e jogar conversa fora enquanto minha comida é preparada, se houver alguém sentado comigo à mesa (geralmente tem).

Em seguida, estágio. Seis horas de provação dos meus limites. Lê nota, escreve nota, edita nota, corta foto, sobe foto, muda título, põe link, muda chamada. Ah, se fosse só isso… Finge que não ouviu aquela piada sem graça, ri de compromisso daquela outra, finge que concorda com o que é dito para não ter que desenvolver uma conversa, reune forças para ir ao banheiro e beber água, senta de novo, escreve mais, olha pro relógio.

Quando chega o fim do dia, tudo que eu quero é me jogar na cama. Não quero jantar, nem tomar banho, nem ler meus e-mails. Só quero me jogar na cama e relaxar. Não digo nem dormir, porque esta já é uma ação que exige concentração demais. Mas eu não faço isso. Eu tenho mãe (e um gato que começa a miar disputando com ela a minha atenção). Uma mãe superprotetora, que quer saber de tudo e contar todo o seu dia. Exatamente como fazíamos, por prazer, quando eu tinha seis anos. Cansado, é tortura.

– Mãe, não quero conversar.
– Ih, tá nervoso! O que aconteceu?
– Nada.
– Alguma coisa te aborreceu?
– Por enquanto, não.
– Não fica assim não. Você tá muito irritado.
– Só estou cansado.
– Mas eu fiz alguma coisa?
– Eu não quero conversar.
– Só fala se eu fiz.
– Não, mas eu tô cansado! Não quero conversar! Não estou com paciência para você!
– Eu só quero seu bem…
– Bem demais é mal!

Depois me perguntam porque quero morar sozinho. A delícia de chegar em casa e, finalmente, não ter que socializar.

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