Bruna Surfistinha + Deborah Secco ≠ livro

            Esse evento midiático que foi o lançamento de Bruna Surfistinha, do estreante Marcus Baldini, com Deborah Secco como carro chefe, na semana passada, me levou de volta há seis anos atrás, quando o boom era ainda maior com o ineditismo. Se o filme foi visto por 400 mil pessoas no fim de semana de estréia, o livro ficou meses consecutivos na lista dos mais vendidos no Brasil (com direito a traduções e exportações).

            A história todo mundo já conhece: à grosso modo, a da garota de programa que ficou famosa (e rica – isso é importante!) ao contar seu dia a dia em um blog, que posteriormente virou livro (best seller, como já mencionado). Se a publicação foi polêmica em 2005, isso ganhou dimensões ainda maiores com imagens protagonizadas por Deborah Secco. “É um filme pornô com Deborah”, alguém me disse, me enchendo de vergonha alheia.

            Ansioso e cheio de expectativas, assisti ao filme. Adorei as primeiras cenas, quando Bruna Surfistinha ainda não existe e é apenas Raquel Pacheco, a menina que se sente um estranho no ninho no lar (que a adotou, no sentido judicial da palavra) e na escola. Deborah Secco conseguiu convencer como uma garota novinha (achei que essas cenas seriam as mais constrangedoras para ela, já com seus 30 anos) e me lembrou os tempos de Confissões de adolescente. Ponto para ela e para o filme.

            Pontuação zerada em seguida, quando essa parte do filme é precocemente terminada e as cenas começam a acontecer no bordel da cafetina interpretada por Drica Moraes (ótima!). Com menos de meia hora de história, eu já estava decepcionado. Todo o drama familiar que ajuda a construir a personagem no livro foi tratado tão superficialmente no longa, como que com pressa de chegar logo às cenas de sexo e, assim, não decepcionar a galera que quer ver o “pornô com Deborah Secco”. Triste optar por fazer uma pornochachada moderna.

            Mas continuei assistindo. No segundo momento do filme, esse em que ela começa se prostituir, Deborah ainda me agrada (assim como as atrizes que interpretam suas colegas de puteiro; Fabíula Nascimento dá show). Mas, novamente, ele é acelerado para o momento em que ela vai trabalhar por conta própria em um flat – e cria o tal blog. Entendo que a linguagem cinematográfica é diferente da de um livro, mas este roteiro abusa da superficialidade.

            Nesse terceiro momento, a história se desenrola com mais facilidade: o “sucesso”, as drogas, a overdose, o começo de um namoro (outra licença poética do filme: o marido de Bruna é apresentado na história como o primeiro cliente da vida dela, quando, na verdade, não foi assim que aconteceu), enfim. Mas é justamente aí que Deborah começa a me incomodar: ao interpretar a figura pública. A Bruna de Deborah não tem nada a ver com a que a gente conhece (pelas entrevistas televisivas).

            Li que a atriz (que eu adoro e torço para que cada trabalho dê certo!) não se importou em conhecer Raquel Pachecho – o nome verdadeiro da ex-garota de programa – antes das filmagens. Ela quis ter liberdade criativa para fazer a sua própria Bruna. Erro – e ponto negativo para Deborah. Se ela vai interpretar alguém que existe, o mínimo que ela deve fazer é tentar ser fiel à pessoa. Como ela sequer tentou, não conseguiu. Sua Bruna é boa, sim. Mas peca ao não ser a Bruna da Raquel.

            Aí a história termina – com uma mensagenzinha positiva qualquer – e outra questão me incomoda (quantos pontos negativos o filme já tem comigo mesmo?): notei um tom de panfletagem – a última coisa que poderia acontecer com este filme. Como se todo mundo que fosse garota de programa pudesse chegar lá (independente do que o ‘lá’ signifique), o que é uma bobagem. Raquel/Bruna é uma exceção – e por isso virou longa-metragem. Para mim, o roteiro errou a mão. Mas quem quer ver um pornô com Deborah não vai se importar.

10 tweets representativos desse tema:

@RafaelMesquita2 Hj eu vii o filme da Bruna Surfistinha tipo é mo nada ver mais a Deborah secco é gostosa kkk !

@BSurfistinha Sei que sou suspeita, mas o filme está lindo!!! Adorei ver a reação do público ao sair das salas. Muitos elogios! #brunasurfistinha

@edsonflorentino Assisti ao filme Bruna Surfistinha! Sem dúvida, o pior filme brasileiro dos últimos 50 anos!

@mmweickert #BrunaSurfistinha mto forte, chocante!! @dedesecco arrasou num grau, sem palavras..

@flaviotavares_ Assisti Bruna Surfistinha (cri cri) ainda estou formando uma opinião… tudo muito intenso que não deu tempo de pensar no roteiro (roteiro?)

@dedesecco Muito feliz! “Bruna Surfistinha” já passou de meio milhão de espectadores! Muito obrigada pelas msn carinhosas e pelos elogios!!!

@RafaelCFranco Vi “Bruna Surfistinha” hoje… gostei.

@calabresadani @fabiunascimento Vc tá maravilhosa no filme!!! o cinema todo riu muito com vc..e ainda cobiçaram tuas nádiiiga!rs PARABÉNS Fabiula!!! =)

@69NoBanheiro deborah secco nua foi um dos pontos que me levou a gostar do filme EUHEUHEU tinha um velinho do meu lado que quase teve um ataque cardiaco

@dariopianosilva Assisti o filme “Bruna surfistinha”. Puta filme…

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2 respostas para Bruna Surfistinha + Deborah Secco ≠ livro

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