Audrey Hepburn, a mulher

Já há algum tempo que eu queria vir aqui e comentar a biografia de Audrey Hepburn escrita por Donald Spoto (presente do Nico! Obrigado!) , que eu li nesse início de ano. Humanizou a minha visão com relação à atriz. Confesso: para mim, ela era perfeita. Agora, ela é mais uma das pessoas que considero perfeita em suas imperfeições. O que já é muito. Te explico.

Audrey é sublime, é elegante, é engraçada, é comovente, é humanitária, é convicente, é angelical. Tudo isso o livro me confirmou. Mas Donald me mostrou um lado pessoal da vida dela que eu não conhecia (e que, na verdade, nunca tinha me interessado – talvez eu preferisse mantê-la mitificada no meu imaginário). Audrey traía os maridos (assim, no pretérito imperfeito mesmo, sugerindo um hábito de quem já morreu).

Tudo bem que ela e o primeiro marido, Mel Ferrer, apenas mantinham as aparências de um casamento já fracassado. Mas eu não a idealizava dessa forma. Ela o traiu mais de uma vez com colegas de trabalho (vez ator, vez diretor… sempre se apaixonando, é bem verdade) e, se fosse hoje em dia, isso seria notícia para a imprensa especializada em fofoca. Audrey se vivesse nos tempos atuais poderia ter a fama que Deborah Secco, Adriane Galisteu e Danielle Winits têm. Se safou dessa.

O segundo marido dela, o italiano Andrea Dotti, era um homem com a justa fama de mulherengo. Audrey se casou com ele acreditando que o transformaria (grande erro do ser humano), mas ele não conseguiu abandonar as festas e as mulheres fáceis, causando constrangimento público para a atriz. Mais uma vez, ela comeu pelas beiradas e teve seus affairs até decidir se separar dele (ela sempre lutava para manter os casamentos, pelos filhos).

Fora esse lado infiel da atriz, outro que me impressionou – agora positivamente – foi a forma com a qual ela encarava a sua carreira. O trabalho de atriz nunca foi a sua prioridade. Ela entrou nessa apenas para ganhar dinheiro, fazendo uma pontinha aqui outra ali, depois de se frustrar com o ballet, que era a sua paixão. E foi assim que ela conduziu a carreira a vida toda. Ela gostava de atuar, sim, mas gravar os filmes não era o que a fazia feliz. Seu sonho era montar uma família. Sua felicidade era cuidar do(s) marido(s), acompanhá-lo(s), cuidar dos filhos, do jardim, da casa. Se ela entrou em sets de filmagem depois do nascimento do primeiro filho foi por muita insistência de Mel (ou de Dotti, que adorava a fama dela), por consideração a algum diretor ou, mais uma vez, para ganhar dinheiro. Afinal, era ela que sustentava a mãe, o pai (que a abandonou quando ela era menna), e os filhos.

Prova disso são os intervalos entre seus últimos filmes, uma opção dela, já que sempre lhe choveram convites (ela recebia os roteiros, lia-os e os devolvia-os desculpando-se por não poder aceitá-los). São nove anos entre Wait until dark (1967) e Robin and Marian (1976) e oito anos entre They all laughed (1981) e Always (1989).

Depois que os filhos cresceram, ela encontrou a felicidade como embaixatriz da Unicef. Me parece que ela se dedicou com muito mais entrega a este trabalho – viajando horas em aviões pouco confortáveis para visitar países miseráveis, dando dezenas de entrevistas diárias para divulgar os problemas e arrecadar fundos para ajudar as crianças – do que ao trabalho de atriz, que ela desempenhou tão bem. E aí este lado de sua vida, que eu pouco conhecia, mas o livro expõe tão detalhadamente, foi a redenção caso eu pudesse vislumbrar pôr o caráter dela em dúvida.

Comecei a ler o livro profundamente apaixonado por essa atriz e cheguei à última página amando essa mulher. Ela pode ter cometido seus erros morais como todo e qualquer ser humano, dependendo da interpretação que cada um faça dos casos, mas concertou tudo em vida, se dedicando com tanto amor a causas tão nobres. Queria ter conhecido-a.

OBS: De quebra, descobri que ainda há muitos filmes dela que eu não assisti. E, ao contrário do que poderia acontecer, não tenho vontade de correr atrás deles e assisti-los imeadiamente. Não. Quero deixar um pouquinho de Audrey por toda a minha vida. Ir descobrindo-a mais e mais pouco a pouco. Sou assumidamente fã.


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Uma resposta para Audrey Hepburn, a mulher

  1. Olá Leonardo, tudo bem? Me chamo Lorena e também gostaria muito de tê-la conhecido. Eu achei muito legal o que você falou lá na observação. Que pena que a Audrey foi tão cedo. Um abraço.

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