CD de James Blake é um ar fresco para a música

            James Blake foi apontado por dez entre dez críticos musicais, antes mesmo de lançar seu primeiro CD, como a grande promessa de 2011. Seu álbum de estréia, que leva seu nome no título, vai ser lançado na segunda-feira, dia 7. Mas já vazou na Internet. E todo mundo que tem um mínimo de curiosidade já ouviu. Eu escutei também. O disco é super minimalista e experimental. Talvez – e apenas talvez – revolucionário. Em alguns momentos, soa música ambiente. Em outros, é inquietante. Se eu estivesse ‘no mundo da lua’, diria que James sacaneou todo mundo e fez um álbum bem louco. “Vamos ver se elogiam isso aqui também”. Mas, por sorte, hoje estou com os pés no chão.

            O primeiro single do álbum foi Limit to your love, lançado ano passado. Chegou ao 39º lugar nas paradas britânicas, de onde vem o moço. Posição pouco impressionante, eu sei. Mas serviu para chamar a atenção para ele. Limit to your love é agradável e, escutando as outras canções do álbum, posso dizer que foi uma decisão acertada para primeira música de trabalho (apesar de ser uma versão de Feist). Baseada nesta música e nos seus EPs anteriores, seu estilo vem sendo classificado como dubstep, estilo eletrônico que mescla jazz e drum’n bass (?).

            Em Limit to your love, se destaca a voz gostosa de Jake e a letra fácil: são 16 versos, dos quais metade diz ‘there’s a limit to your love’ e um é ‘your love, your love, your love’. Mas ele se supera ao longo do disco. Em I never learnt to share, ele repete ‘my brother and my sister don’t speak to me, but i don’t blame them!’ do início ao fim da música. Ousado e destemido, como se espera de um artista de 22 anos (você não é ousada, Lady Gaga!). Ficou bom, em vez de pobre. Jake é um ar fresco.

            Segundo o português Ípsilon, o cantor recusou um produtor para o seu álbum. Ele compôs, produziu e gravou tudo sozinho e está apenas comercializando o resultado pela Atlas/R&S Records. É interessante essa transparência e autoridade já no primeiro trabalho. Geralmente, é com mais tempo de carreira que um artista resolve chutar o balde e não aceitar mais influências externas na sua arte. Ponto para ele.

            Um produtor dificilmente teria deixado Unluck acontecer. Esta é a primeira faixa do álbum. Ela não permite que você faça outras coisas que não escutá-la com 100% de atenção. É estranha e tem uma ‘batida cardíaca digital’ atormentadora ao fundo (voltei ao ouvir depois e o resto do álbum me preparou melhor para ela: já não me deixa tão inquieto). Jake já abre o álbum impressionando, não exatamente positivamente. Em The wilhelm scream, é o momento música ambiente (que, ao contrário da maioria das pessoas, adoro).

            O álbum tem longos silêncios, acordados apenas por teclas do teclado, como em Lindisfarne I (Lindisfarne II já consegue ser mais radiofônica), e brincadeiras vocais, como em I Mind, algo parecido com o que Ed Mota faz por aqui. Às vezes, a sensação é a de estar alucinado, resultado dos jogos sonoros de alguém que se apresenta também como DJ. A impressão final é a de que Jake merece respeito apenas por ter conseguido lançar algo tão diferente. Ele ser bom é um plus.

            Se você quer ouvir apenas uma música desde cantor, opte por Measurements, a mais normal de todo o álbum. Ela não te assustará e pode te levar a baixar outras. Mas o melhor é ouvir o CD inteiro para entender o que James Blake significa no cenário atual e porque repercute tanto.

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