Cadê o manual?

Quando eu vejo casais como Tarcísio Meira e Glória Menezes, que desconfio serem descendentes diretos de Adão e Eva, ou ainda os pais de amigos meus, casados há no mínimo uns 20 anos, paro para pensar qual é o segredo dessas relações. Tolerar ou ceder?

Sempre acreditei que fosse toletar, que é o mais parecido com o que as mães fazem a vida inteira. Não é o amor materno o mais estável e confiável? Mães amam os filhos antes de mesmo de conhecê-los e, a cada nova descoberta, fazem o exercício da tolerância. Elas toleram os gostos, as atitudes, as escolhas. Mães são pura tolerância. E este é um relacionamento de amor que dá certo, dessa forma.

Tolerar é aceitar o outro como ele é. E o grande erro das pessoas é acreditar que pode mudar o parceiro. Quando o conheci, ele era cafajeste, mas comigo vai ser diferente. Não vai, gente. Não conte com isso. Um namoro – ou casamento (as pessoas ainda se casam hoje em dia, acredite) – que começa confiando nisso está fadado ao fracasso.

Mas aí tem a questão de ceder. Não sou muito simpático a esse verbo. Se o exercito, me sinto anulando a mim mesmo. As pessoas não deveriam nos aceitar como somos? Não foi assim que elas se apaixonaram? Não é isso que diz a regra de tolerar, aplicada a ambas as partes? Não sei. Não sei quanto os relacionamentos duradouros tem de ceda de ambas as partes. Tenho desconfiado que muito.

Desde o início, se cede. Na sua casa ou na minha? Lua de mel na França, que é meu sonho, ou no Hawaí, que é o seu? Mc Donald’s ou Burger King? Vamos pro cinema, que é a minha vibe, ou pra balada, que é a sua? O problema está quando apenas uma pessoa cede, porque, neste caso, ela está mesmo se anulando (e uma hora vai se sentir sufocada ao ponto de querer gritar, ou melhor, terminar).

Talvez a questão seja mesmo tolerar e ceder ao mesmo tempo (o que, cá entre nós, é uma missão bem infeliz). Ou talvez eu esteja viajando e não exista regras ou um manual quando o assunto é amor, como dizem todas aquelas comédias românticas. Vai saber. Ainda tô descobrindo. Errando, as vezes, mas tentando acertar.

Audrey Hepburn, a mulher

Já há algum tempo que eu queria vir aqui e comentar a biografia de Audrey Hepburn escrita por Donald Spoto (presente do Nico! Obrigado!) , que eu li nesse início de ano. Humanizou a minha visão com relação à atriz. Confesso: para mim, ela era perfeita. Agora, ela é mais uma das pessoas que considero perfeita em suas imperfeições. O que já é muito. Te explico.

Audrey é sublime, é elegante, é engraçada, é comovente, é humanitária, é convicente, é angelical. Tudo isso o livro me confirmou. Mas Donald me mostrou um lado pessoal da vida dela que eu não conhecia (e que, na verdade, nunca tinha me interessado – talvez eu preferisse mantê-la mitificada no meu imaginário). Audrey traía os maridos (assim, no pretérito imperfeito mesmo, sugerindo um hábito de quem já morreu).

Tudo bem que ela e o primeiro marido, Mel Ferrer, apenas mantinham as aparências de um casamento já fracassado. Mas eu não a idealizava dessa forma. Ela o traiu mais de uma vez com colegas de trabalho (vez ator, vez diretor… sempre se apaixonando, é bem verdade) e, se fosse hoje em dia, isso seria notícia para a imprensa especializada em fofoca. Audrey se vivesse nos tempos atuais poderia ter a fama que Deborah Secco, Adriane Galisteu e Danielle Winits têm. Se safou dessa.

O segundo marido dela, o italiano Andrea Dotti, era um homem com a justa fama de mulherengo. Audrey se casou com ele acreditando que o transformaria (grande erro do ser humano), mas ele não conseguiu abandonar as festas e as mulheres fáceis, causando constrangimento público para a atriz. Mais uma vez, ela comeu pelas beiradas e teve seus affairs até decidir se separar dele (ela sempre lutava para manter os casamentos, pelos filhos).

Fora esse lado infiel da atriz, outro que me impressionou – agora positivamente – foi a forma com a qual ela encarava a sua carreira. O trabalho de atriz nunca foi a sua prioridade. Ela entrou nessa apenas para ganhar dinheiro, fazendo uma pontinha aqui outra ali, depois de se frustrar com o ballet, que era a sua paixão. E foi assim que ela conduziu a carreira a vida toda. Ela gostava de atuar, sim, mas gravar os filmes não era o que a fazia feliz. Seu sonho era montar uma família. Sua felicidade era cuidar do(s) marido(s), acompanhá-lo(s), cuidar dos filhos, do jardim, da casa. Se ela entrou em sets de filmagem depois do nascimento do primeiro filho foi por muita insistência de Mel (ou de Dotti, que adorava a fama dela), por consideração a algum diretor ou, mais uma vez, para ganhar dinheiro. Afinal, era ela que sustentava a mãe, o pai (que a abandonou quando ela era menna), e os filhos.

Prova disso são os intervalos entre seus últimos filmes, uma opção dela, já que sempre lhe choveram convites (ela recebia os roteiros, lia-os e os devolvia-os desculpando-se por não poder aceitá-los). São nove anos entre Wait until dark (1967) e Robin and Marian (1976) e oito anos entre They all laughed (1981) e Always (1989).

Depois que os filhos cresceram, ela encontrou a felicidade como embaixatriz da Unicef. Me parece que ela se dedicou com muito mais entrega a este trabalho – viajando horas em aviões pouco confortáveis para visitar países miseráveis, dando dezenas de entrevistas diárias para divulgar os problemas e arrecadar fundos para ajudar as crianças – do que ao trabalho de atriz, que ela desempenhou tão bem. E aí este lado de sua vida, que eu pouco conhecia, mas o livro expõe tão detalhadamente, foi a redenção caso eu pudesse vislumbrar pôr o caráter dela em dúvida.

Comecei a ler o livro profundamente apaixonado por essa atriz e cheguei à última página amando essa mulher. Ela pode ter cometido seus erros morais como todo e qualquer ser humano, dependendo da interpretação que cada um faça dos casos, mas concertou tudo em vida, se dedicando com tanto amor a causas tão nobres. Queria ter conhecido-a.

OBS: De quebra, descobri que ainda há muitos filmes dela que eu não assisti. E, ao contrário do que poderia acontecer, não tenho vontade de correr atrás deles e assisti-los imeadiamente. Não. Quero deixar um pouquinho de Audrey por toda a minha vida. Ir descobrindo-a mais e mais pouco a pouco. Sou assumidamente fã.


Entrevista: Omar Docena, o Cadu de “Insesato Coração”

            Omar Docena se destacou na novela “Insensato Coração” pelas atrapalhadas tentativas de seu personagem, Cadu, tirar a virgindade de Leila (Bruna Linzmeyer). Esta é a terceira novela do ator, que já passou por “Malhação” e “Três Irmãs”, mas começou a carreira como modelo publicitário.

            Cadu é também o terceiro surfista que ele interpreta. Omar, aliás, sempre praticou o esporte na vida real. Aos 26 anos, decidiu: a atuação agora é sua prioridade. “Já fiz vários workshops e um bacharelado em artes cênicas. Agora, o surf está em segundo plano, é um hobby. Mas geralmente dá tempo para tudo”, conta.

            Tempo é uma questão importante para o ator, que tem o filme “A onda da vida” e a peça “Gia” prestes a estrear. “A peça vai ser polêmica. É uma adaptação de um filme estrelado por Angelina Jolie”, conta.

            Apaixonado pela namorada, com quem está há oito meses, ele conta nessa entrevista como perdeu a virgindade e o assédio feminino depois que ele apareceu na novela das 21h. “Tem muita assanhada pelas ruas”, brinca.

PLUS TV – Ser bonito ajuda na carreira de ator?

OMAR DOCENA – Deve ajudar. Não sei. Sei que estudar e ser dedicado ajuda. Ser bonito também leva a uma cobrança maior.

PLUS TV – Na novela, você o é escolhido para tirar a virgindade de Leila. Como foi a sua primeira vez?

OMAR DOCENA – Com uma profissional do sexo aos 13 anos de idade. Eu meus amigos fizemos uma festa e a molecada toda se deu bem!

PLUS TV- Na novela, Leila banaliza a questão da virgindade. Gisele Bundchen também já pediu para que mostrem a ela uma mulher virgem hoje em dia. Qual a sua opinião sobre o assunto?

OMAR DOCENA – Hoje em dia, cada um faz o que bem entender. Não há como julgar. Na minha opinião, a mulher deveria se preservar. Uma chave que abre várias fechaduras é considerada uma chave-mestra. Uma fechadura aberta por qualquer chave é considerada ruim!

 

PLUS TV – O assédio da mulherada aumentou depois de que você apareceu na novela?

OMAR DOCENA – Aumentou, tem muita assanhada pelas ruas principalmente nas noites de lua cheia que precedem o carnaval.

PLUS TV- Como você é na hora de paquerar?

OMAR DOCENA – Mais direto impossível.

PLUS TV- Qual o seu tipo ideal de mulher?

OMAR DOCENA – A que olha nos olhos.

PLUS TV – Tem namorada?

OMAR DOCENA – Sim. Namoro com a baixinha desde julho de 2010, é a minha terceira namorada e eu a amo muito!

Cobertura da coletiva do Sunset Rock in Rio

Rock in Rio 2011: palco Sunset terá artistas nacionais e internacionais dividindo mesmo palco

O Rock in Rio 2011 anunciou nesta terça-feira, em uma festa no terraço de um hotel em Ipanema, no Rio de Janeiro, a novidade do festival: o palco Sunset. Lá, artistas diferentes se encontrarão para jam sessions. Tarja Turunen, ex-vocalista do Nightwish, The Asteroids Galaxy Tour, Esperanza Spalding, Mike Patton e Jorge Drexler dividirão palco com artistas nacionais como Cidade Negra, Sandra de Sá, Angra, Sepultura, Martinho da Vila e Monobloco.

Para Toni Garrido, do Cidade Negra, o Sunset será a oportunidade dos artistas de experimentarem coisas novas. “Correr riscos é bom”, disse. Ele cantou na festa de divulgação da atração, assim como João Donato, Andréas Kisser, Zeca Baleiro, Monobloco, Ed Motta, João Donato e Tulipa Ruiz, todos confirmados para o evento.

O organizador é Zé Ricardo, que já cuidou da atração nas versões portuguesa e espanhola do evento. “É muita emoção trazer o Sunset para a minha cidade, onde estão os meus amigos”, disse. Entre os amigos famosos, o casal Vanessa Lóes e Thiago Lacerda prestigiou a festa.

Já o mestre soberano quando o assunto é Rock in Rio, Roberto Medina, explicou a ausência do Rock in Rio durante tanto tempo na Cidade Maravilhosa. “O Brasil não tinha mais estrutura para o evento. O custo é alto, mas agora vamos ter a cada dois anos. Em Portugal, o Rock in Rio é mais importante que a Copa”, explicou.

Medina também comentou sobre o faturamento e diz estar otimista. “O faturamento deste ano vai ser maior que a dos outros anos, pois o evento é ainda mais conhecido lá fora, e muita gente vem para vê-lo”, complementou.

– Veja galeria de fotos da festa

– Vídeo: Monobloco, uma das atrações do palco Sunset, agita festa do anúncio

Confira a programação do palco Sunset:

23/09

Móveis Coloniais de Acaju + Orkestra Rumpilezz + Mariana Aydar
Ed Motta + Rui Veloso + convidado
Bebel Gilberto + Sandra de Sá
The Asteroids Galaxy Tour + convidado

24/09

Marcelo Yuka + Cibelle + Karina Buhr + Amora Pêra
Tulipa Ruiz + Nação Zumbi
Milton Nascimento + Esperanza Spalding
Mike Patton + Mondo Cane + Orquestra Sinfônica de Heliópolis

25/09

Matanza + BNegão
Korzus + The Punk Metal Allstars
Angra + Tarja Turunen
Sepultura + Tambours du Bronx

30/09

Buraka Som Sistema + Mixhell
João Donato + Céu
Cidade Negra + Martinho da Vila + Emicida
Monobloco + Macaco

1º/10

Cidadão Instigado + Júpiter Maçã
Tiê + Jorge Drexler + Zeca Baleiro + Concha Buika + Erasmo Carlos + Arnaldo Antunes

02/10

The Monomes + David Fonseca
Mutantes + Tom Zé
Titãs + Xutos & Pontapés

Por Leonardo Torres
Publicado no SRZD
http://www.sidneyrezende.com/noticia/122293+rock+in+rio+2011+palco+sunset+tera+artistas+nacionais+e+internacionais+dividindo+mesmo+palco

Roberto Medina: ‘Ingresso do Rock in Rio é barato’ 

Roberto Medina rebateu as críticas de quem acredita que os ingressos para o Rock in Rio 2011 estão caros (o primeiro lote custou R$190). “O ingresso é mais barato do que qualquer show internacional. E dá direito a ver vários shows no mesmo dia”, disse o organizador do evento, durante festa de divulgação das atrações do palco Sunset, nesta terça-feira, no Rio de Janeiro.

Para ele, o evento vai atrair sim as classes populares na volta do festival ao Brasil. “O evento carregou o nome do Rio pro mundo todo. A riqueza da música brasileira não é brincadeira não. Não tem igual”, defendeu Medina, aproveitando para promover o Sunset, cujas principais atrações são nacionais.

Por Leonardo Torres
Publicado no SRZD
http://www.sidneyrezende.com/noticia/122310+roberto+medina+ingresso+do+rock+in+rio+e+barato

Toni Garrido: ‘Quero fazer um show incrível no Rock in Rio’

Toni Garrido disse que foi ele que escolheu Martinho da Vila para dividir palco com o Cidade Negra no Rock in Rio. “O primeiro nome que me veio à cabeça foi o dele. É uma honra! Quando a gente se encontra, não fala de outra coisa a não ser esse show”, disse o vocalista do grupo que vai se apresentar no Palco Sunset, no dia 30 de setembro.

“Quero fazer um show incrível no Rock in Rio. Não é uma brincadeirinha”, falou o cantor, que já se apresentou nas edição portuguesa do evento. Mas ele disse que tocar em casa tem um gostinho especial. “O Rock in Rio foi o segundo show que eu fui na vida. Lembro do Alceu Valença, do Gilberto Gil… Aquela lama toda e eu me achando um máximo!”, brincou.

Por Leonardo Torres
Publicado no SRZD
http://www.sidneyrezende.com/noticia/122384+toni+garrido+quero+fazer+um+show+incrivel+no+rock+in+rio

Rock in Rio: Martinho da Vila quer ver show do Zeca Baleiro 

Martinho da Vila revelou qual show está ansioso para ver no Rock in Rio. “Gosto muito do Zeca Baleiro. Quero ver. Os shows do palco Sunset estão muito bons”, disse ao SRZD durante a festa de divulgação do evento nesta terça-feira, em um hotel em Ipanema, no Rio de Janeiro. Zeca Baleiro vai se apresentar no dia 1º de outubro, ao lado da espanhola Concha Buika.

Um dia antes, é Martinho da Vila quem canta no evento, junto com a banda Cidade Negra e o rapper Emicida. “Vamos levar música africana para o palco. Vai ser uma mistura de reggae e samba”, disse o sambista. Ele admitiu, no entanto, que ainda não planejou detalhes da apresentação. “Tá muito longe ainda. Um mês antes, a gente se reune e vê como vai ser”, contou.

Por Leonardo Torres
Publicado no SRZD
http://www.sidneyrezende.com/noticia/122388+rock+in+rio+martinho+da+vila+quer+ver+show+do+zeca+baleiro

Andreas Kisser fala sobre parceria com franceses no Rock in Rio

O Sepultura vai se apresentar ao lado da banda francesa Tambours du Bronx no palco Sunset do Rock in Rio. Durante a festa de divulgação do evento, nesta terça-feira, Andreas Kisser, o guitarrista do grupo, contou que conheceu os franceses em 2008 durante um festival alternativo na França. “Eles são espetaculares. Criamos essa parceria e gravamos uma música para o nosso próximo CD. A world première vai ser no Rock in Rio”, revelou ao SRZD.

Segundo Andreas, eles estão planejando o show desde o ano passado: vão ter versões das músicas do Sepultura e da banda francesa. “Estou animado com o palco Sunset. Vai ser uma jam session planejada, na qual tudo pode acontecer. Essa é a jóia do Rock in Rio”, disse. Mas ele não esconde: também quer assistir ao show do Metallica, no palco mundo. “É sempre bom ver um show deles, né?”, falou.

Por Leonardo Torres
Publicado no SRZD
http://www.sidneyrezende.com/noticia/122394+andreas+kisser+fala+sobre+parceria+com+franceses+no+rock+in+rio

Para Sepultura, mostrar ao vivo gravação do CD é como fazer sexo explícito

“É como fazer sexo explícito”, é assim que Andreas Kisser, o guitarrista do Sepultura, define a transmissão ao vivo da gravação do novo CD dos metaleiros. A banda deixa a gravação do álbum ser assistida, sem qualquer tipo de edição, por duas horas por dia. “É uma experiência muito boa. Exigiu de nós coragem e estrutura”, disse ao SRZD. O CD sai no segundo semestre.

Ao abrir o canal para os fãs, é natural que eles opinem. Segundo Andreas, os internautas falam tudo o que querem, mas a banda leva na esportiva. “Quem não tá acostumado reclama que a gravação demora muito. Eles falam um monte de coisa. Mas a gente não escuta. Fica no chat”, confessou.

O Sepultura é a primeira banda a mostrar a gravação integral de um álbum ao vivo no Brasil. “Só o Blur fez isso. São duas horas sem censura!”, conta Andreas. Além dessa novidade, o CD trará uma participação da banda Tambours du Bronx, que toca em latões de óleo, misturando o som das latas gigantes com hardcore e percussão eletrônica.

Por Leonardo Torres
Publicado no SRZD
http://www.sidneyrezende.com/noticia/122397+para+sepultura+mostrar+ao+vivo+gravacao+do+cd+e+como+fazer+sexo+explicito

Paramore só para baixinhos

            Na primeira vez que o Paramore veio ao Brasil, o público era composto de  adolescentes entre 16 e 20 anos. Quase três anos depois, essa galera toda deveria ser no mínimo maior de idade. Mas no show deste sábado, 19, no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, o que eu vi foi um bando de criança acompanhada dos pais. É a geração Crepúsculo.

            Quando a Hayley perguntou quem estava no show pela primeira vez, a maioria levantou a mão. Ela pareceu gostar. “Sejam bem vindos à família” (que família, gente?). O rejuvenescimento da platéia deve ser economicamente interessante. Ela fez questão de mostrar que a casa estava cheia. Perguntou quem tinha todos os CDs da banda. Mais uma vez, a maioria levantou a mão.

            Ouvi gritinhos estridentes que diziam “Olha como ela é linda!”, mas abafa. Vamos falar dos gritinhos estridentes de Hayley Williams. Só eu que notei que a voz dela está oscilante? Li em algum lugar que ela tinha perdido algumas oitavas da voz por gritar demais nos shows. Fizeram falta. Ela apelou mais do que nunca para a fórmula “microfone para a platéia” (que tinha todos os versos na ponta da língua).

            Ninguém pareceu sentir a falta de Josh ou Zac. A banda chegou até a cantar Looking up, o que não faz o menor sentido no atual contexto (Já Playing God…). Um dos músicos substitutos, no caso o irmão do Taylor York, chegou até a soltar a voz na parte acústica do show. Soou mal aos meus ouvidos. A galera gostou. O cara é boa pinta.

            A verdade é que Hayley, correndo de um lado pro outro e jogando o cabelo pra frente e pra trás, domina o show – isso não mudou. E esforçando para ser simpática ela até convence. Mostrou a marca de biquíni que ganhou na cidade, disse que ama o Rio de Janeiro, elogiou a banda de abertura (Fake Number), agradeceu mil vezes e prometeu não demorar tanto para voltar. A galera delirou. Os pais aprovaram.

            A setlist foi a mesma dos shows anteriores, em Brasília e Belo Horizonte. Mescla as canções do Brand New Eyes, o último álbum, com as de Riot. Do primeiro CD, entraram apenas Emergency e Pressure. Os fãs bem que tentaram puxar My Heart, mas não vingou. Decode fez a festa da geração Crepúsculo.

            Hayley também apresentou a sua nova composição, In the morning. Ela, de novo, apontou o microfone para o público e, não surpreendentemente, todo mundo já sabia cantá-la. Um vídeo com música foi divulgado no Tumblr dela e isso parece ser o suficiente para faze-la, hum, bombar. A galera aprovou e fez corações com as mãos.

            No fim do show – com Misery Business, uma das mais transparentes do grupo – Hayley chamou duas fãs para subir no palco e fazer a festa. Foi embora fazendo coração com a mãozinha também e com sorriso de orelha a orelha. Satisfeita. O público também. Então tá tudo certo.

            Em breve, publico vídeos. (e, caso tenha dúvidas, eu me diverti bastante)

SETLIST

  1. Ignorance
  2. Feeling Sorry
  3. That’s What You Get
  4. For A Pessimist, I’m Pretty Optimistic
  5. Emergency
  6. Playing God
  7. Careful
  8. Decode
  9. In The Mourning
  10. When It Rains
  11. Where The Lines Overlap
  12. Misguided Ghosts
  13. Crushcrushcrush
  14. Pressure
  15. Looking Up
  16. The Only Exception
  17. Brick By Boring Brick
  18. Misery Business

Novo CD do Radiohead é pura insanidade

E aí, já ouviu The kinf of limbs, o novo álbum do Radiohead, lançado de surpresa? Não sei o quanto ele soa novidade para os fãs da banda, mas para mim, que nunca tinha ouvido um CD deles e ando experimentando sonoridades diferentes ultimamente, este disco é bem, hum, interessante.

Causou-me estranheza do início ao fim: quando baixei e vi que se tratavam apenas de oito faixas e quando as escutei e constatei que não era mesmo necessário nem uma a mais. E se em um primeiro momento eu não gostei de Lotus flower, o primeiro single, eu agora acho esta música uma das de escuta mais fácil de todo álbum.

Talvez essa minha percepção tenha a ver com a contextualização da música no meio do álbum. The king of limbs é um CD para ser ouvido do início ao fim, ininterruptamente. Qualquer fragmentação que se faça dele pode prejudicar o resultado final. A seqüência de faixas é agradável e proporciona uma sensação intergaláctica. A impressão que tenho é de estar em completa ausência de gravidade (os caras deviam estar muito chapados quando fizeram essas músicas!). É uma onda.

As letras são tão simples e diretas, sem floreios, que algumas chegam a ser minimalistas. É o caso de Give up the ghost. “Don’t hurt me / Don’t haunt me / Don’t hurt me / Gather up the lost and sold / In your arms / In your arms / Gather up the pitiful / In your arms / In your arms”

Tem que ter disposição para ouvir este CD. E talvez dar uma segunda chance a ele, como eu fiz. Não consigo imaginar shows dessas músicas, elas me soam mais como trilha sonora de filmes dramáticos (forçando um pouco a popularidade do gênero, evitando dizer “cabeça”). Mas ouve aí. Só não dance como Thom Yorke.

Sem mais publicações