“O Vencedor” merece vários prêmios Oscar

Este post faz parte da maratona Oscar 2011, que você confere aqui.

O vencedor (tradução esdrúxula e apressada a para The fighter, o filme de David O. Russell) não é uma história de luta, como pode parecer a princípio, mas sobre família. As luvas de boxe e os ringues são o cenário para uma história, ambientada na cidadezinha americana Lowell, onde predomina o drama familiar de Micky Ward, interpretado por Mark Wahlberg. É uma vida caótica . E o filme é feliz na representação deste caos.

O irmão de Micky, Dicky (Christian Bale), é um ex-boxer destruído pelas drogas. Apesar disso, é ele que o treina – ou tenta, quando não está chapado. A mãe (Alice Ward), explicitamente fã do filho fracassado, agencia o mais novo, Micky, na esperança de que ele seja um Dicky 2. Há ainda uma penca de irmãs solteironas, um pai sem voz ativa, uma filha a qual ele não vê com a freqüência desejada e uma ex-mulher pronta para briga a qualquer momento para completar a família frustrada.

Até que aparece Charlene (Amy Fleming) na vida de Micky e eles começam namorar. A atendente de bar que abandonou a faculdade – mais uma figura para toda essa desordem humana – mostra para o rapaz como a família dele o atrapalha, interferindo-se demais na sua vida e tomando, por ele, as decisões erradas. Ela não ganha a simpatia do clã, mas cumpre seu papel.

Enquanto essas descobertas acontecem, a HBO acompanha o dia-a-dia da família, gravando o que seria “o retorno de Dicky Ecklund”. Posteriormente, se descobre que o tema da gravação é, na verdade, drogas. A cena em que o documentário é transmitido na Tv – e cada personagem dessa história assiste-o separadamente – é tocante. Nesta altura, Dicky já está na cadeia, um momento de paz para Micky, que consegue, assim, levar sua carreira e vida pessoal adiante.

Outras cenas ótimas são as de Dicky pulando a janela do apartamento em que se droga, se escondendo da mãe quando ela aparece para buscá-lo, e caindo em cima do lixo. Este é quase mais um personagem do filme. Há latas de lixo derrubadas e sujeira ao longo de toda a história, uma clara referência ao que é a vida desses pobres coitados.

O vencedor é popular, tem conteúdo e é, acima de tudo, verdadeiro – não por ser baseado em uma história real, mas pela forma franca que trata a influência familiar, que pode tanto ser para o bem quanto para o mal, na vida de uma pessoa. É um filmão. Todos os atores, sem exceção, estão impecáveis e merecedores de prêmios. Drama.

Indicações ao Oscar: Melhor filme, diretor (David. O Russel), ator coadjuvante (Christian Bale), atriz coadjuvante (Amy Adams e Melissa Leo), roteiro original e edição.

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